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Vacina BCG: para que serve e quando é administrada?

A vacina BCG protege contra formas graves de tuberculose e é dada, em dose única, às crianças que pertencem a determinados grupos de risco. Saiba quando deve ser administrada, quem pode ser vacinado e que reações adversas pode provocar.

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27 outubro 2026
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A vacina da BCG, contra a tuberculose, só é dada a crianças com menos de seis anos com fatores de risco individuais ou comunitários. A decisão, tomada em junho de 2016, teve em consideração a evolução epidemiológica da tuberculose em Portugal. 

Os serviços de saúde locais são responsáveis por identificar as crianças elegíveis e promover a vacinação o mais precocemente possível.

O que é a tuberculose e porque existe uma vacina?

A tuberculose é uma doença infecciosa, de notificação obrigatória, causada por bactérias do complexo Mycobacterium tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch. Embora possa afetar diferentes órgãos, a tuberculose pulmonar é a forma mais frequente da doença.

A doença pode causar cansaço, perda de apetite, perda de peso, febre e suores noturnos. Na tuberculose pulmonar, a tosse persistente e a expetoração são sintomas frequentes e, nalguns casos, pode haver sangue na expetoração.

As complicações dependem do local da infeção e são mais frequentes na ausência de tratamento, quando este não é eficaz ou quando o sistema imunitário está enfraquecido. Na tuberculose pulmonar, podem ocorrer complicações, como acumulação de líquido à volta dos pulmões, sangue na expetoração, dificuldade em respirar, entre outros. 

Como se transmite?

A transmissão ocorre principalmente por via aérea, através da inalação de gotículas expelidas pela pessoa doente quando respira, tosse, fala ou espirra.

A existência de risco de transmissão e a possibilidade de evolução para formas graves da doença justificam a importância da vacinação de grupos específicos.

O que é a vacina BCG e como atua no organismo?

A BCG (Bacillus Calmette-Guérin) é a vacina contra a tuberculose. O esquema vacinal consiste numa dose única, que deve ser administrada o mais cedo possível após o nascimento, desde que a criança tenha fatores de risco associados.

Trata-se de uma vacina de bacilos vivos atenuados de Mycobacterium bovis que retarda a proliferação das micobactérias, caso a pessoa seja contaminada com o bacilo, não evitando, contudo, a infeção ou a doença.

Em Portugal, existe uma vacina BGC para a doença da tuberculose: BCG Vacina AJV.

A vacina BCG protege totalmente contra a tuberculose?

Não. A vacina BCG não confere proteção absoluta contra a tuberculose. O principal benefício referido para esta vacinação é a prevenção de formas graves da doença, nomeadamente tuberculose disseminada e meníngea na criança. Estima-se que a sua eficácia possa atingir os 80 por cento. É mais eficaz quanto mais cedo for administrada, de preferência, logo após o nascimento. A vacina é dirigida às crianças que apresentam os fatores de risco individuais ou comunitários definidos.

A vacinação universal não é realizada em Portugal. Esta estratégia tem em conta a baixa incidência de tuberculose no País, o nível de cuidados de saúde e o controlo da doença na comunidade. 

Quem deve tomar a vacina BCG em Portugal?

Em Portugal, a vacina BCG é dirigida a crianças com menos de seis anos (até aos cinco anos e 364 dias), ainda não vacinadas com BCG, inseridas em comunidades de risco  sem história prévia de tuberculose.

Consideram-se de risco as crianças que:

  • tenham conviventes ou coabitantes com fatores de risco (por exemplo, antecedentes de tuberculose ativa, infeção por VIH ou dependência de álcool ou drogas nos últimos cinco anos);  
  • tenham tido contacto com casos de tuberculose ativa;
  • pertençam a comunidades com risco elevado de tuberculose;
  • sejam naturais de países com elevado risco de tuberculose;
  • vão viajar para países com elevado risco de tuberculose.

Os profissionais de saúde que identifiquem, antes, ou no nascimento, crianças elegíveis para a vacinação com BCG devem garantir o acesso à vacina. Aquando da alta da maternidade, a criança deve ser encaminhada, com o respetivo registo de elegibilidade, para a unidade de saúde onde está inscrita ou reside, ou na qual é acompanhada. Antes da vacinação, os pais devem ser informados de que é necessário conhecer previamente o resultado do rastreio neonatal.

Na ausência de contraindicações, a vacinação com BCG deve ser realizada, de preferência, até às cinco semanas de vida, inclusive.

A vacina BCG é recomendada para crianças que vão viajar?

As crianças com menos de seis anos que viajem para países com muitos casos de tuberculose, com estadias superiores a três meses, devem ser vacinadas com BCG, como forma de prevenção de formas graves de tuberculose, como a tuberculose meníngea e miliar. A vacinação pode ser ponderada para estadias mais curtas, se for considerado que existe um elevado risco de exposição. 

A vacinação com BCG em adultos tem uma eficácia limitada e está contraindicada em pessoas com uma resposta imunitária baixa. Deste modo, os adultos e as pessoas imunocomprometidas que tencionem viajar ou que residam em países com elevado risco de tuberculose, devem seguir as recomendações de prevenção e controlo da infeção, nomeadamente a utilização de uma máscara adequada (KN95 ou P2), independentemente de terem sido vacinados na infância.

Quais são os efeitos secundários da vacina BCG?

Uma das reações mais frequentes da vacina BCG ocorre no local da picada. Entre duas e quatro semanas depois da vacinação, pode formar-se um nódulo vermelho, que evolui para uma vesícula e, posteriormente, para uma úlcera. Esta reação desaparece habitualmente entre dois e cinco meses, deixando uma cicatriz superficial. 

Pode também ocorrer, ocasionalmente, um inchaço dos gânglios cervicais ou axilares. Estas reações não necessitam de qualquer tratamento.

Qual a diferença entre tuberculose latente e tuberculose ativa?

A tuberculose infeção latente (TBIL) corresponde a uma infeção em que não existe doença ativa, ou seja, a pessoa infetada não apresenta sintomas, nem transmite a infeção. No entanto, os bacilos podem tornar-se ativos, multiplicar-se e causar tuberculose ativa. Por essa razão, o tratamento preventivo, quando indicado, é importante para reduzir o risco de desenvolvimento da doença.

 

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