Donativos de apoio às vítimas do mau tempo: o que saber antes de ajudar
A resposta da sociedade civil tem sido imediata para ajudar as famílias que perderam casas, bens e meios de subsistência na tempestade em Portugal. Toda a ajuda é bem-vinda, mas é importante saber o que é necessário doar e como fazê-lo eficazmente. Veja as dicas.
Para ajudar as vítimas do mau tempo em Portugal, surgiram inúmeras campanhas, recolhas e apelos públicos. Mas, para ajudar de forma eficaz, é importante garantir que o seu donativo responde a necessidades reais. Antes de doar bens ou dinheiro, confirme o que é pedido, perceba se os donativos seguem por canais fiáveis e se chegam realmente a quem precisa.
Tem dúvidas sobre como ajudar com eficácia? Saiba como fazê-lo e perceba como pode utilizar a consignação de imposto para o efeito.
Tente fazer donativos sem intermediários
Se tem possibilidade e disponibilidade para ajudar quem mais precisa, deve considerar fazê-lo. Mas limite-se a doar apenas aquilo que for estritamente necessário, seja a nível de força de trabalho humana, de donativos em dinheiro, ou de bens essenciais.
O caso dos donativos de bens, como comida ou roupa, pode ser um quebra-cabeças do ponto de vista logístico. Por exemplo, em situações de conflitos armados, a grande adesão pode dificultar a gestão dos recursos pelas organizações não-governamentais (ONG). No caso da comida, pode ainda gerar-se um grande desperdício alimentar se os produtos não tiverem um longo prazo de validade.
Ainda assim, caso queira optar por doar bens, opte por fazê-lo diretamente e sem a intervenção de terceiros. Este tipo de donativo é ideal caso queira ajudar localmente, entregando os bens em mãos a quem mais precisa, de forma imediata. Ao entregar o donativo ao destinatário evita os problemas logísticos mencionados e garante que o que doou será aproveitado por quem necessita.
No entanto, só deverá fazê-lo diretamente se souber como e se conhecer as pessoas. Evite deslocar-se, de propósito, para os locais afetados sem conhecimento do que aí vai encontrar. Neste caso, recorra a uma instituição credível.
Garanta a credibilidade da instituição a que doar
Se pretende apoiar através de uma instituição, procure informar-se ao máximo sobre o seu trabalho e os seus objetivos, quer seja uma ONG (para situações internacionais) ou não. Existem algumas entidades confiáveis e especializadas com experiência em crises humanitárias, como a UNICEF Portugal, a Cáritas ou a Cruz Vermelha Portuguesa.
Mas qualquer que seja a instituição que escolher, confirme que aquilo que está doar será devidamente aproveitado por quem precisa, para evitar oportunismos. Em caso de dúvida, contacte a instituição antes de fazer o donativo, para garantir que este será bem utilizado. No que diz respeito a instituições particulares, pode também consultar a lista de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) registadas no site da Segurança Social.
Verificada a credibilidade da instituição, procure informações acerca de como fazer chegar a ajuda pretendida, seja entregar em mãos, fazer uma transferência bancária, ou dirigir-se a um centro de recolha de bens, por exemplo. Em regra, as instituições privilegiam os donativos em dinheiro pois permitem-lhes fazer uma melhor gestão dos recursos que são necessários para auxiliar quem necessita e evita os problemas logísticos já referidos.
Retire uma fatia ao Estado por uma boa causa
Com o início da entrega do IRS, a partir do dia 1 de abril, pode enviar verbas diretamente para uma instituição à sua escolha, através da consignação de imposto. Na consignação do imposto desvia parte do imposto que iria para os cofres do Estado para a instituição a que pretende doar. Esta ação não tem custos para o contribuinte: 1% são retirados do imposto total que o Estado liquida, e não do que será devolvido ao contribuinte, caso tenha direito à restituição de IRS.
Todos os anos, pode doar 1% do seu IRS a uma entidade particular ou de solidariedade social, religiosa ou de utilidade pública reconhecida pelo Estado. Para tal, preencha a declaração de IRS com o nome da instituição e o número de contribuinte em NIPC. Deve consultar a lista das entidades beneficiadoras de consignação. Caso opte por uma que não cumpra os requisitos, o Fisco não faz a entrega dos um por cento.
Também é possível consignar o benefício fiscal relativo a parte do IVA suportado em despesas com reparação e manutenção de automóveis e motociclos, restauração, alojamento, cabeleireiros e institutos de beleza, veterinários e aquisição de passes mensais para utilização em transportes públicos. Neste caso, abdica de parte do imposto que lhe seria devolvido pelas Finanças.
Deste modo, faz o “donativo” a uma instituição da sua preferência, em vez de esse montante ir para os cofres do Estado.
Perguntas frequentes
Veja as respostas às principais dúvidas sobre doações a vítimas de crises como o mau tempo.
O que devo doar?
Por norma, numa situação de emergência causada pelo mau tempo, a prioridade é o apoio financeiro para despesas imediatas, como alojamento, alimentação ou medicamentos.
Seguem-se equipamentos específicos, normalmente solicitados por autarquias ou pela Proteção Civil (por exemplo, geradores).
Por fim, materiais para reconstrução das casas (telhas ou outros materiais que sejam pedidos).
Na ajuda imediata, geralmente, roupa usada (que não é logo sujeita a triagem), objetos domésticos avulso e alimentos perecíveis ou difíceis de armazenar não são prioritários. De qualquer forma, sem prejuízo destas recomendações, envie apenas o que for pedido explicitamente.
Posso entregar donativos diretamente às famílias afetadas?
Como já foi referido, pode. Mas isso exige conhecimento direto da situação. Se não houver articulação local, corre o risco de duplicação de donativos ou de que os mesmos não cheguem a quem necessita.
Doar roupa é sempre má ideia?
Nem sempre. Em determinadas situações, como cheias e destruição devido ao mau tempo, não costuma ser a prioridade. No entanto, doar roupa é útil se houver pedidos específicos.
Devo confiar nas campanhas das redes sociais?
Pode ser um ponto de partida, mas não deve ser o único critério. Verifique sempre a entidade que faz o apelo para garantir a veracidade e credibilidade do pedido.
Só consigo fazer um pequeno donativo. Faz a diferença?
Sim. Quando se trata de contexto de emergência, muitos pequenos contributos, quando bem canalizados, têm um impacto real na vida das pessoas que sofreram danos.
