Vacina HPV: quem deve tomar e por que é importante?
A vacina do HPV protege rapazes e raparigas contra doenças causadas pelo vírus do papiloma humano. É recomendada aos 10 anos, com duas doses separadas por um intervalo de seis meses.
A vacina do HPV é uma das principais formas de prevenção das doenças causadas pelo vírus do papiloma humano. Recomendada para rapazes e raparigas com 10 anos, esta vacina cobre os genótipos responsáveis por aproximadamente 90% dos cancros cervicais.
Como complemento à vacinação, integrada no Programa Nacional de Vacinação (PNV) devem manter-se outras medidas de prevenção, como o uso de preservativo e a realização do rastreio do cancro do colo do útero.
O que é o HPV e que doenças pode causar?
O vírus do papiloma humano, conhecido por HPV, pertence à família Papillomaviridae, com 16 géneros, cinco dos quais associados aos humanos. É a infeção sexualmente transmissível mais frequente. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas será infetada por, pelo menos, um tipo de HPV em algum momento da sua vida.
Como se transmite?
A transmissão ocorre sobretudo através do contacto sexual com pele ou mucosas infetadas. Também pode ocorrer por via vertical, ou seja, da mãe para o recém-nascido, embora seja menos frequente. Estão identificados mais de 100 genótipos de HPV. De acordo com o seu potencial oncogénico (risco de causarem cancro), classificam-se como de baixo ou de alto risco.
Quais são os sintomas?
A maioria das infeções por HPV não causa sintomas e desaparece espontaneamente. Quando surgem sintomas, estes podem incluir ardor ou dor durante as relações sexuais, verrugas, principalmente na região genital ou anal, e hemorragias durante ou após as relações sexuais.
Embora a maioria das infeções por HPV seja transitória, pode haver persistência viral, especialmente nos casos de infeção por genótipos de alto risco, como o HPV-16 e o HPV-18. Estas infeções persistentes estão fortemente associadas ao desenvolvimento de lesões cervicais précancerígenas e, eventualmente, de cancro do colo do útero.
Sabe-se que o vírus está implicado na génese de outros tipos de cancro, incluindo o cancro da vagina, da vulva, do ânus, do pénis e da cabeça e pescoço, como cancros orofaríngeos.
Como se identifica a infeção por HPV?
A infeção por HPV pode ser identificada através do rastreio do cancro do colo do útero. O rastreio inclui a colheita de uma amostra de células do colo do útero para pesquisar a presença de HPV, que é a principal causa do cancro do colo do útero.
Como atua a vacina do HPV?
A vacina contra o vírus do papiloma humano faz parte do PNV. Protege contra nove genótipos de HPV, nomeadamente o 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58, cobrindo aqueles que são responsáveis por aproximadamente 90% dos cancros do colo do útero.
Quem deve ser vacinado?
A vacinação (vacina nonavalente) está recomendada num esquema de duas doses, administradas a todas as crianças com 10 anos, com seis meses de intervalo entre doses.
Quem não cumprir o esquema vacinal recomendado, deve levar a vacina HPV9, em esquema de duas doses, com um intervalo de seis meses, a completar idealmente no prazo de 1 ano, nas seguintes idades:
- maiores de 10 anos e menores de 18 anos (ambos os sexos);
- pessoas do sexo feminino, com 18 anos ou mais e com menos de 27 anos.
Quais são as reações adversas?
As reações adversas locais mais frequentes à vacina incluem dor, vermelhidão, inchaço, comichão e hematoma.
Entre as reações sistémicas mais frequentes estão dor de cabeça, febre, cansaço, tonturas e náuseas. As reações adversas graves são habitualmente raras ou muito raras.
Que cuidados são necessários ter, apesar da proteção da vacina?
- realizar o rastreio do cancro do colo do útero através da citologia vaginal;
- utilizar preservativo durante as relações sexuais (apesar de não proteger na totalidade por não cobrir toda a área genital).
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