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Planos de saúde dos hospitais: caros e limitativos

Os grandes grupos hospitalares CUF, Lusíadas Saúde, Luz Saúde e Trofa Saúde vendem planos de saúde próprios, que oferecem benefícios nos respetivos serviços. Saiba se são melhores do que os planos de saúde generalistas e se podem ser interessantes para clientes fiéis.

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26 fevereiro 2026
Homem a falar com médica com ar desapontado

iStock

Os planos de saúde promovidos pelos hospitais privados funcionam como uma espécie de "cartões de fidelização premium". O objetivo é garantir que o paciente não dispersa por diferentes prestadores, oferecendo preços convencionados significativamente mais baixos do que a tabela para particulares. Serão mais vantajosos do que os generalistas?

A DECO PROteste analisou as condições oferecidas pelos produtos dos quatro maiores grupos hospitalares a operar em Portugal e comparou‑as com as da Escolha Acertada do último estudo. Este foi publicado em março de 2025, mas os dados em confronto são de janeiro de 2026. Conheça as conclusões.

O que diferencia os planos de saúde dos hospitais dos genéricos?

Apenas o âmbito da utilização. Os planos dos hospitais apenas podem ser usados nos estabelecimentos do grupo de saúde que os comercializam. Os genéricos permitem o recurso a uma rede de prestadores mais abrangente, que, muitas vezes, inclui os maiores hospitais privados.

De resto, o funcionamento é idêntico: não impõem limite de idade para adesão e permanência, não aplicam questionário de saúde, não excluem doenças preexistentes, nem apresentam períodos de carência, franquias ou limites de utilização. Ou seja, o plano pode ser usado logo que contratado, e o desconto é o mesmo, seja qual for a frequência de utilização.

Estes produtos não devem ser confundidos com seguros de saúde, até porque não têm capital associado às coberturas que disponibilizam, nem assumem qualquer risco.

Planos com pouca rede

Na sua pesquisa, a DECO PROteste encontrou sete cartões, sendo que três pertencem ao grupo Trofa Saúde, dois à CUF, um ao Hospital da Luz e outro aos Lusíadas. Os descontos associados a estes planos são válidos em todos os estabelecimentos dos respetivos grupos hospitalares – no caso dos Lusíadas, a medicina dentária fica a cargo das clínicas HeyDoc –, que estão concentradas, sobretudo, no norte e centro do País.

A CUF tem 44 unidades espalhadas pelo Norte, Centro, Grande Lisboa e Açores.

Ao grupo Luz Saúde, que inclui o Hospital do Mar, pertencem 30 estabelecimentos, nas regiões Norte e Centro e em Évora (apenas um).

O Lusíadas Saúde inclui 16 clínicas e hospitais clássicos e 32 de medicina dentária, distribuídos de norte a sul do território, embora com concentração quase exclusiva no Litoral. Ponto positivo: é o único com representação no Algarve.

Por fim, o Trofa Saúde (24 estabelecimentos) apresenta-se sobretudo no Norte, chegando apenas até à região de Lisboa, com duas clínicas.

Ao nível da extensão da rede, todos perdem para o Plano de Saúde CTT, distinguido como Escolha Acertada no estudo mais recente da DECO PROteste. Este produto, apesar de ter limitações, está presente em praticamente todas as capitais de distrito, ainda que nem sempre com cobertura para todas as especialidades. Mais: tem acordos com profissionais dos grupos CUF, Lusíadas e Trofa Saúde.

Tal como nos planos genéricos, os dos hospitais não garantem descontos para todos os médicos das suas unidades. Por isso, antes de aderir e quando marcar consultas e exames, verifique se os profissionais eleitos estão entre os convencionados.

Custos entre 237 e 467 euros 

Para ter uma ideia comparativa dos custos associados aos cartões de saúde, a DECO PROteste selecionou um conjunto de serviços que um consumidor poderia usar durante um ano, verificou os preços e acrescentou o custo anual do plano. Nos casos em que era apresentado um intervalo de preços, optou pelo mais baixo. Quando era indicado um desconto mínimo e máximo, usou o mais alto.

As anuidades dos produtos analisados são bastante díspares, variando entre 71 euros, no plano  CTT, e 300 euros, no Luz On Prime.

Alguns cartões reduzem o preço quando se adicionam elementos à subscrição. É o caso do plano CTT, que pode integrar até cinco pessoas. A primeira paga cerca de 71 euros por ano, e as restantes, 54 euros. Na CUF, a diferenciação é maior. É possível associar até 15 elementos a cada cartão e o preço reduz até ao quarto. Por exemplo, o plano +CUF custa 156 euros por ano ao subscritor principal, 144 ao segundo, 132 ao terceiro, e 120, a partir do quarto.

Quanto custa um pacote de tratamentos?
Tratamento +CUF +CUF Global Luz On Prime Lusíadas Plan Trofa Saúde+ Universal Trofa Saúde+ Plus Trofa Saúde+ Premium Escolha Acertada Plano de saúde CTT
Consulta de especialidade Incluída Incluída Incluída Incluída 45 € 45 € 45 € 35 €
Consulta de clínica geral 45 € Incluída Incluída Incluída 45 € 45 € 45 € 35 €
Duas consultas de higiene oral Uma incluída + uma 59 € Uma incluída + uma 59 € 144 € Uma incluída + uma 55 € 80 € 70 € 70 € Uma incluída + uma 59 €
Raio-X simples 21 € 21 € 23 € 36 € 20 € 20 € 20 € 23 €
Eletrocardiograma 15 € 15 € Incluído 36 € 29 € 29 € 29 € 14 €
Anuidade 156 € 192 € 300 € 132 € 100 € 130 € 150 € 71 €
Custo total 296 € 287 € 467 € 259 € 319 € 339 € 359 € 237 €

Escolha Acertada   Escolha Acertada

Feitas as contas, o custo de utilização mais baixo pertence ao Plano de Saúde CTT, com 237 euros anuais, seguido pelo Lusíadas Plan, com 259 euros. O Luz On Prime é dono do valor mais elevado (467 euros), que se deve sobretudo à anuidade. 

Assim, os planos de saúde dos hospitais têm poucos ou nenhuns argumentos para destronar os genéricos, nomeadamente, o dos CTT, eleito Escolha Acertada no último estudo da DECO PROteste. Este é mais abrangente no que respeita a prestadores convencionados e à cobertura geográfica. Apresenta custos de utilização mais baixos, além de ter acordo com os principais hospitais privados. 

Informação pouco transparente

Se os preços não convencem, a informação também não. A DECO PROteste encontrou sérios obstáculos na recolha de dados sobre os planos de saúde hospitalares: dados escassos nos sites, coberturas pouco claras e preços raramente divulgados. Apenas a CUF apresenta valores de forma pública, ainda assim com a ressalva de que podem não estar completos. Mais: dos quatro grupos contactados por escrito pela organização de consumidores, só os Lusíadas responderam.

Tentativas de esclarecimento como consumidor comum revelaram falhas semelhantes: informações transmitidas a conta-gotas, atendimento pouco conhecedor dos produtos e falta de transparência, sobretudo no Trofa Saúde+ e no Luz On Prime. A DECO PROteste defende que todos os planos deveriam explicar de forma clara o que incluem, como funcionam, como podem ser cancelados e quais os preços praticados, comparando-os com os cobrados a quem paga integralmente. Por maior transparência. 

 

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