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Rejuvenescer o rosto com ácido hialurónico? Conheça riscos, cuidados e preços

Aplicar ácido hialurónico está na moda. Mas o consumidor tem toda a informação para uma escolha consciente? A DECO PROteste avaliou 20 clínicas, e concluiu que nem sempre riscos, contraindicações e efeitos adversos são explicados, e que pode haver pressão para comprar.

Especialista:
Editor:
26 março 2026
Mulher no consultório a ver-se ao espelho

iStock

Reter água, para hidratar e dar firmeza aos tecidos. Eis a missão do ácido hialurónico, produzido pelo organismo e presente, entre outros, na pele, nos olhos, nas cartilagens e nas articulações. Com o passar dos anos, a produção vai‑se esvanecendo, e o rosto passa a ostentar as rugas que lhe assinalam o envelhecimento.

A indústria estética promete preencher os vazios, pelo menos, durante algum tempo. O ácido hialurónico tem hora marcada: entre seis meses e um ano, dependendo da zona do rosto, da profundidade da injeção e das características do paciente, é quanto dura o efeito.

A efemeridade não lhe diminui, contudo, a popularidade. A sua aplicação tornou‑se a segunda intervenção estética não cirúrgica mais frequente ao nível mundial, perdendo apenas para o botox. Mas será este procedimento seguro? O consumidor conhece os riscos, as contraindicações e os efeitos adversos antes de avançar? E sofre pressões para concluir uma compra?

A DECO PROteste analisou os serviços e os preços de 20 clínicas da Grande Lisboa, e organizou um guia para tornar mais segura a experiência de quem decide dar o passo em frente.

A primeira regra? Apenas médicos e médicos dentistas, inscritos nas respetivas Ordens, podem executar procedimentos estéticos invasivos com ácido hialurónico. Quem assim o determina é a Entidade Reguladora da Saúde.

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Pele mais fina e elástica

Corrigir rugas entre o nariz e a boca, aumentar o volume labial, eliminar olheiras, rejuvenescer a zona das orelhas, eliminar cicatrizes resultantes de acne e dar mais firmeza às maçãs do rosto são algumas das utilidades dos chamados preenchedores faciais ou dérmicos.

  • Apresentações: na forma de gel injetável, existem diferentes densidades e formulações, para profundidades das rugas ou áreas a tratar diversas.
  • Os resultados são imediatos: pele mais firme e atenuação visível das rugas. E, ao contrário do botox, que atua sobre os músculos, este ácido preenche e hidrata a pele, suavizando as rugas sem alterar a expressão facial.
  • Modo de aplicação: injetado por meio de cânula ou seringa, com anestesia, o produto é introduzido nas camadas da derme média a profunda.
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Efeitos adversos reduzidos

Os efeitos adversos são, em regra, ligeiros e reversíveis – mas não são zero.

  • Os mais comuns incluem nódulos, sensibilidade, edema (inchaço), hematoma, dor e eritema (manchas vermelhas com comichão).
  • Em casos extremamente raros, podem surgir nódulos crónicos, infeção, reativação de herpes labial ou, mais grave, necrose (morte) dos tecidos por obstrução de vasos sanguíneos.
  • A necrose pode ser tratada com administração imediata de hialuronidase, uma enzima que degrada o ácido hialurónico.
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Qualquer pessoa pode ser sujeita ao procedimento?

Não exatamente. Há alguns grupos mais sensíveis.

  • Pessoas com hipersensibilidade ao ácido hialurónico ou aos seus componentes, ou com historial de reação alérgica grave ou anafilaxia, devem ser avaliadas com cautela.
  • O mesmo vale para portadores de doenças autoimunes, distúrbios de coagulação e imunodepressão grave.
  • Grávidas e lactantes estão mesmo excluídas.

Mas mesmo quem é elegível deve observar alguns cuidados. O melhor é aconselhar‑se com o médico.

  • Uma semana antes, deve suspender medicamentos ou suplementos alimentares que aumentem o risco de hemorragia, como aspirina, anti‑inflamatórios não esteroides, óleos de peixe, vitamina E, ginkgo biloba e erva‑de‑são‑joão.
  • E no dia seguinte? Não massajar a zona nem expô‑la ao sol, e evitar exercício físico intenso, são as boas práticas.
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Resultados do estudo da DECO PROteste

"Ácido hialurónico: onde fazer". A partir destes termos de pesquisa, lançados no Google e em redes sociais, a DECO PROteste selecionou 20 clínicas na região da Grande Lisboa.

  • O estudo assentou na metodologia de cliente‑mistério.
  • Uma mulher de 64 anos marcou consulta, alegando um interesse em aplicar ácido hialurónico nas linhas entre o nariz e a boca.
  • Os contactos e as consultas foram feitos entre novembro e dezembro de 2025.
  •  Durante as visitas, a cliente procurou apurar a formação e a qualificação do responsável pela aplicação, a duração previsível dos efeitos do procedimento, potenciais reações adversas, o preço e a marca do produto.

E a que conclusões gerais chegou a organização de consumidores?

  • Em 15 casos, os profissionais foram transparentes e mostraram o produto, que foi possível confirmar estar aprovado pelo Infarmed.
  • Uma clínica sugeriu um tratamento diferente, com radiofrequências: as restantes concordaram com o ácido hialurónico.
  • Em seis clínicas, o registo junto da Entidade Reguladora da Saúde não estava afixado em local visível.
  • Na Class Clinic, a colaboradora da DECO PROteste foi recebida por alguém que se dizia finalista do curso de Ciências Biomédicas Laboratoriais, e não por um médico certificado para o procedimento, situação que foi denunciada à Entidade Reguladora da Saúde. A formação não é apenas um detalhe legal, mas um fator de segurança para o cliente.

Vejamos, agora, ao detalhe os resultados do estudo da DECO PROteste.

  • Avaliação do paciente: antes do tratamento, impõe‑se uma anamnese, para avaliar o paciente. O profissional deve também indicar riscos e benefícios, e discutir expectativas. Na maioria das clínicas, a análise incluiu os aspetos clínicos relevantes, como estado de saúde, doenças crónicas, medicação, alergias, tabagismo, consumo de álcool e antecedentes familiares. A maioria indicou ainda os efeitos adversos corretamente.
  • Explicação de riscos e contraindicações: só cerca de metade dos profissionais referiram que o procedimento está vedado a grávidas e lactantes e que deve ser evitado em portadores de doenças autoimunes ou imunodepressão grave. Pior: na MD Clínica II e na Medical Skin Clinic, foi dito não haver riscos nem contraindicações.
  • Suspensão da medicação: em algumas consultas tão‑pouco foi indicada a necessidade de suspender a medicação. Daí a nota negativa nos cuidados prévios. Já os conselhos para o pós‑intervenção foram, em regra, bem transmitidos.
  • Reverter os efeitos do ácido hialurónico: dez profissionais indicaram, de modo espontâneo, haver um produto (hialuronidase) que reverte o efeito do ácido hialurónico em caso de complicações.
CLÍNICA Avaliação Global PREÇO (€) RESULTADOS
Um mililitro Anamnese Efeitos adversos Riscos
e contraindicações
Cuidados a ter antes
e depois do procedimento
Pressão para comprar Registo na Entidade
Reguladora da Saúde
AMADO CLINIC
LISBOA
Avaliação: 4,5 320 Avaliação: 4,5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 3 Avaliação: 5 Avaliação: 5 Avaliação: 5
EVO CLINIC
ODIVELAS
Avaliação: 4,5 250 Avaliação: 5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 5
CLÍNICA SANIN
LISBOA
Avaliação: 4,5 380 Avaliação: 5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 2 Avaliação: 5 Avaliação: 5
ONODERA
RAMADA (ODIVELAS)
Avaliação: 4,5 365 Avaliação: 4,5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 5
SKIN DESIGN
LISBOA
Avaliação: 4 320 Avaliação: 5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 3 Avaliação: 5 Avaliação: 5 Avaliação: 5
MIRAI CLINIC
LISBOA
Avaliação: 4 295 Avaliação: 4,5 Avaliação: 1,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 5 Avaliação: 5
FACE DUAL CLINIC
LISBOA
Avaliação: 4 320 Avaliação: 2,5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 2 Avaliação: 5 Avaliação: 5
LAC - LISBON AESTHETIC CLINIC
LISBOA
Avaliação: 4 350 Avaliação: 5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 3 Avaliação: 5 Avaliação: 5 Avaliação: 2,5
CLÍNICA DERMALIFE
ODIVELAS
Avaliação: 3,5 175 Avaliação: 1,5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 2 Avaliação: 5 Avaliação: 5
WECARE4YOU CLINIC
LISBOA
Avaliação: 3,5 250 Avaliação: 5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 4 Avaliação: 5 Avaliação: 5 Avaliação: 2,5
MD CLÍNICA II LISBOA Avaliação: 3,5 300 Avaliação: 0,5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 0,5 Avaliação: 2 Avaliação: 5 Avaliação: 5
LIV WELLNESS CLINIC
LOURES
Avaliação: 3,5 n.a. Avaliação: 4,5 n.a. n.a. n.a. Avaliação: 5 Avaliação: 0,5
MP AESTHETIC CLINIC
CASCAIS
Avaliação: 3,5 320 Avaliação: 4,5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 5 Avaliação: 5 Avaliação: 0,5
CLÍNICA PERSONA
PORTELA DE SACAVÉM (LOURES)
Avaliação: 3,5 290 Avaliação: 2,5 Avaliação: 1,5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 5 Avaliação: 5 Avaliação: 0,5
CLÍNICA CHF BENFICA
LISBOA
Avaliação: 3,5 250 Avaliação: 2,5 Avaliação: 0,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 2 Avaliação: 5 Avaliação: 5
HD CLINIC
LISBOA
Avaliação: 3,5 250 Avaliação: 3,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 4 Avaliação: 5 Avaliação: 5 Avaliação: 2,5
MEDICAL SKIN CLINIC
CASCAIS
Avaliação: 3 350 Avaliação: 5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 1 Avaliação: 4,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 0,5
NK KLINIC
LISBOA
Avaliação: 3 240 Avaliação: 4,5 Avaliação: 1,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 4,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 2,5
CLÍNICA LIBERTY
LISBOA
Avaliação: 3 398 Avaliação: 5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 3 Avaliação: 5 Avaliação: 0,5 Avaliação: 0,5
CLASS CLINIC
ODIVELAS
Avaliação: 1,5 150 Avaliação: 4,5 Avaliação: 2,5 Avaliação: 3,5 Avaliação: 5 Avaliação: 5 Avaliação: 0,5

n.a. = não se aplica (nesta clínica, foi sugerido um tratamento com radiofrequências, e não ácido hialurónico).

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Quanto custa o tratamento?

Quando do contacto telefónico inicial, questionou-se sobre o valor da consulta.

  • Na maioria dos casos, a consulta é cobrada.
  • Nas clínicas analisadas, custa entre 30 e 60 euros.
  • Por vezes, o preço da consulta é descontado ao total da intervenção.
  • Em cinco casos, para obter o desconto, a cliente teria de aplicar o ácido hialurónico na consulta, uma clara pressão para concluir o negócio.

E quanto pode custar o tratamento? O preço é muito variável, uma vez que é calculado consoante a quantidade de produto necessário.

  • Dez clínicas sugeriram dois mililitros, a repartir por cada lado do rosto. Em média, a intervenção custaria cerca de 580 euros.
  • Já em três, foi proposta a aplicação de 1,2 mililitros em cada metade da face, estimando‑se um custo médio de 550 euros.
  • Em cinco clínicas, a proposta foi de apenas um mililitro, com custo médio de 252 euros.
  • Só em duas visitas foram referidos três mililitros e, numa destas, um reforço na zona das maçãs do rosto.
  • Contas feitas, o tratamento tanto poderia custar 150 euros (um mililitro) como 960 euros (três).
  • O preço mais reduzido correspondeu ao tratamento não aplicado por um médico certificado. Desconfie de valores muito baixos.
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Roteiro para reduzir os riscos

Para aumentar as probabilidades de sucesso, siga as dicas da DECO PROteste.

  1. Recorra a profissionais qualificados, como médicos e médicos dentistas, com formação em medicina estética. Verifique no site da Ordem profissional se estão inscritos. E veja se a clínica está registada na Entidade Reguladora da Saúde.
  2. Antes da intervenção, visite várias clínicas e desfaça dúvidas. Qual é a opção mais adequada para o meu caso? Há riscos e efeitos adversos? E cuidados antes e depois? O que fazer se me sentir mal? Quando a clínica fornece todas as informações no atendimento, a consulta tende a envolver também uma boa experiência.
  3. Não ceda à pressão para avançar porque há uma "campanha promocional" ou porque o preço da consulta só é deduzido ao total se fizer a aplicação nesse dia.
  4. No dia seguinte, evite exercício físico intenso, sauna, exposição solar direta e manipulação da zona do rosto tratada.
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