Medicamentos para emagrecer: peso volta após parar de tomar
Quando se interrompe Mounjaro, Ozempic, Wegovy ou outras injeções ou comprimidos indicados para emagrecer, o peso perdido é recuperado em menos de dois anos, alerta um novo estudo de grande escala. Saiba como reduzir o risco de isso acontecer e como manter o peso a longo prazo.
Mesmo seguindo uma alimentação saudável, com restrição calórica e atividade física regular, perder peso e mantê-lo a longo prazo pode ser difícil para muitas pessoas com obesidade. É neste contexto que os medicamentos para perda de peso podem ser utilizados como adjuvantes para emagrecer.
Uma investigação de grande escala publicada no The British Medical Journal (BMJ) conclui agora que os efeitos das injeções e dos comprimidos para emagrecer começam a desaparecer logo após interromper o tratamento.
Esta investigação analisou os resultados de 37 estudos. Além de semaglutido e tirzepatida (substâncias ativas de medicamentos muito conhecidos, como Wegovy e Mounjaro) incluiu outros fármacos com indicação para perda de peso. Considerou também programas para emagrecer baseados em dieta e exercício físico.
Quais os medicamentos autorizados para perder peso
O que acontece quando se interrompe a medicação para emagrecer?
Em particular, os ensaios clínicos com agonistas dos recetores GLP-1 (grupo do qual faz parte o semaglutido, a substância ativa do Wegovy) mostraram que, entre os seus utilizadores, houve uma redução de cerca de cinco quilos, em média, ou de mais de dois valores no índice de massa corporal (IMC). Tal sustentou a sua autorização para o tratamento da obesidade na Europa.
Mas o que se passa após parar a medicação? Eis os três principais resultados da revisão sistemática e meta-análise de 37 estudos clínicos, com mais de 9300 participantes.
- Após uma duração média de tratamento de 39 semanas (cerca de 9 meses), a interrupção da medicação levou a uma recuperação média de 400 gramas por mês, fazendo com que o peso regressasse aos valores iniciais em menos de dois anos.
- Além disso, outros benefícios para a saúde observados durante o tratamento — como melhorias na pressão arterial, glicemia em jejum, colesterol total e triglicéridos — tendem a desaparecer num prazo médio de 1,4 anos após parar o tratamento.
- O estudo mostra ainda que a recuperação do peso é mais rápida após a suspensão dos medicamentos do que após abandonar planos de emagrecimento baseados em dieta e exercício físico.
Concluindo: os benefícios dos medicamentos para perder peso não duram após interromper o tratamento. Estes resultados exigem cautela no uso de medicamentos para emagrecer a curto prazo, alertam os autores do estudo de grande escala.
Qual a utilidade de medicamentos para emagrecer?
Na reflexão sobre a utilidade da medicação para perda de peso, importa considerar fatores particularmente relevantes:
- estes tratamentos têm custos elevados (mais de 200 euros por mês, nalguns casos);
- não estão isentos de efeitos secundários;
- e apresentam uma taxa de abandono elevada.
Náuseas, vómitos, diarreia e dores de cabeça estão entre os efeitos secundários mais reportados por quem toma este tipo de medicação, o que pode contribuir para o abandono do tratamento em algumas pessoas.
Embora uma perda de peso temporária possa trazer alguns benefícios, os autores do estudo sublinham que a alimentação saudável e a atividade física continuam a ser a base do tratamento da obesidade. A par disso, a prevenção deve ser reforçada como estratégia essencial para travar o surgimento de novos casos de obesidade.
Resumindo: os medicamentos para emagrecer podem ajudar no controlo do peso, mas só devem ser usados como complemento de uma alimentação com menos calorias e um aumento da atividade física — isso faz parte das condições para as quais estes fármacos estão aprovados. Confiar neles como solução definitiva para a obesidade pode criar expectativas irrealistas e resultados que não se mantêm no tempo.
Ozempic apenas indicado para tratar diabetes
As injeções para controlar a diabetes e a obesidade ganharam grande popularidade através de celebridades que os publicitaram nas redes sociais como eficazes para perder peso.
O sucesso foi tal que a procura crescente levou à escassez do Ozempic, dificultando a disponibilidade nas farmácias para quem realmente precisa desta medicação para a diabetes. O Infarmed tem emitido várias recomendações, como a prescrição exclusiva para pessoas com diabetes tipo 2 insuficientemente controlada.
A obesidade é uma das principais preocupações de saúde pública a nível mundial e também em Portugal, onde mais de metade da população adulta tem excesso de peso ou obesidade. Estas condições estão associadas a um risco acrescido de desenvolver doenças como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, alguns cancros e morte prematura.
Dicas para emagrecer e manter os resultados a longo prazo
Para emagrecer e não voltar a engordar, é necessário adotar um estilo de vida saudável durante o tratamento e mantê-lo para sempre, aliando uma dieta equilibrada e na dose certa a um aumento de atividade física. Caso contrário, todo o esforço e a elevada despesa mensal com eventual medicação poderá ter sido em vão.
Evite seguir as dietas da moda e soluções supostamente milagrosas que circulam nas redes sociais, sem verificar eventuais provas de eficácia e segurança.
A DECO PROteste analisou mais de 30 dietas e diz-lhe em que consistem, quais são recomendáveis e eficazes ou, pelo contrário, perigosas e de evitar.
Se tem excesso de peso, experimente alguns planos saudáveis para emagrecer. Se não obtiver resultados após alguns meses, consulte um médico e/ou nutricionista para ponderar a eventual necessidade de outras estratégias, incluindo medicação para ajudar a perder peso.
O excesso de peso, a obesidade e a diabetes tipo 2 estão com frequência relacionados. Em caso de obesidade, perder apenas 5% do peso (o equivalente a 4,5 kg para quem tem 90 kg) já pode trazer benefícios para a saúde, como reduzir a pressão arterial, controlar a diabetes e atenuar as dores nas articulações.
Como acontece com qualquer medicamento, os tratamentos usados para a perda de peso podem causar efeitos secundários em algumas pessoas. Se, durante a toma de um destes fármacos, identificar um possível efeito adverso, é importante falar com o seu médico ou farmacêutico. Estes profissionais de saúde podem avaliar a situação e, se necessário, proceder à notificação ao Infarmed, contribuindo para a monitorização contínua da segurança dos medicamentos.
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