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Sarampo, papeira e rubéola: quando tomar a vacina VASPR?

Ao longo dos anos, têm surgido surtos pontuais de sarampo. Saiba mais sobre esta doença e sobre a importância da vacina combinada trivalente (VASPR) que protege simultaneamente contra o sarampo, a papeira e a rubéola. 

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27 outubro 2026
Vacina sarampo

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O sarampo, a papeira e a rubéola são doenças infeciosas que podem ser prevenidas através da vacinação. Em Portugal, a vacina VASPR protege contra as três doenças e integra o Programa Nacional de Vacinação (PNV).

O esquema geral recomendado preconiza a administração de duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 5 anos. A segunda dose não deve ser entendida apenas como um reforço: funciona como uma segunda oportunidade de desenvolver imunidade para quem não respondeu adequadamente à primeira dose.

O sarampo, a papeira e a rubéola são infeções provocadas por vírus e transmitidas entre pessoas. Embora possam ter manifestações diferentes, as três doenças podem ser prevenidas através da vacina VASPR.

O que é o sarampo?

O sarampo é uma das infeções mais contagiosas, causada por um vírus de RNA 1 (morbillivirus) da família Paramyxoviridae. A doença classicamente inicia-se com febre e mal-estar, tosse, corrimento nasal e rinite, conjuntivite e erupção cutânea. De seguida, podem surgir pequenas manchas brancas no interior das bochechas, 1 a 2 dias antes do aparecimento da erupção cutânea (“manchas” que se iniciam na face e que depois se espalham para o tronco e para os membros).

Como se transmite?

A transmissão ocorre sobretudo através de gotículas e aerossóis libertados por pessoas infetadas. Em alguns casos, a doença pode ser grave e provocar complicações, como pneumonia ou encefalite pós-infeciosa aguda.

O que é a papeira?

A papeira, ou parotidite epidémica, é uma doença viral aguda causada por um vírus da família Paramyxoviridae e género orthorubulavirus. Pode provocar febre, mal-estar geral, cefaleias, mialgias e anorexia, seguidos de inchaço de uma ou mais glândulas salivares, geralmente as parótidas. As infeções assintomáticas são comuns, particularmente em idade pediátrica.

Como se transmite?

A transmissão do vírus ocorre entre pessoas, por via aérea, através da inalação de aerossóis contaminados, ou pelo contacto direto com secreções ou superfícies contaminadas. 

O que é a rubeóla?

A rubéola é igualmente uma infeção viral provocada por um rubivírus da família Togaviridae. Tende a apresentar uma evolução ligeira, mas a infeção durante a gravidez (rubéola congénita) pode ter consequências graves para o feto, principalmente se ocorrer nas primeiras 16 semanas da gestação. 

Como se transmite?

A doença é transmitida por via aérea, pela inalação de aerossóis contaminados, ou pelo contacto direto com secreções nasofaríngeas de doentes infetados.

Por que existem surtos de sarampo mesmo havendo vacina? 

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), não há razões para se temer uma grande epidemia nacional de sarampo, uma vez que a larga maioria das pessoas está protegida. De notar que:

  • a maioria das pessoas nascidas antes de 1970 está protegida por ter contraído a doença;
  • e a maioria das pessoas nascidas depois de 1970 está protegida por ter sido vacinada.

Apesar da elevada cobertura vacinal, têm ocorrido surtos pontuais de sarampo em Portugal, à semelhança de outros países europeus, nomeadamente em 2017, 2018 e 2024.

A vacinação continua a ser a principal medida de prevenção da doença. O PNV preconiza a administração da VASPR, vacina trivalente que protege contra o sarampo, a rubéola e a parotidite epidémica. A vacina é gratuita e está disponível para todas as pessoas. Quem não estiver vacinado e nunca contraiu sarampo tem uma elevada probabilidade de contrair a doença se for exposto ao vírus.

Como atua a vacina?

A VASPR é uma vacina combinada trivalente que protege contra o sarampo, a parotidite epidémica (papeira) e a rubéola. Contém vírus vivos atenuados das três doenças. De acordo com uma revisão sistemática recente, esta vacina trivalente tem uma eficácia:

  • igual ou superior a 95% na prevenção de sarampo clinicamente sintomático em crianças de idade pré-escolar (efetividade de 95% após a primeira dose e de 96% após a segunda dose). A eficácia na prevenção de casos secundários de sarampo é de 81% após a primeira dose e de 85% após a segunda dose da vacina;
  • de 89% na prevenção de rubéola com a estirpe BRD2, apesar de efetividades superiores terem sido notificadas com outras estirpes vacinais, nomeadamente RA27/3, com taxas de seroconversão de cerca de 98 por cento;
  • de 72% na prevenção de parotidite epidémica após a primeira dose e de 86% após a segunda dose. A eficácia na prevenção de casos secundários é de 74 por cento.

Qual é o calendário da vacina contra o sarampo, a papeira e a rubéola?

Segundo o PNV, o esquema geral recomendado consiste na administração de duas doses:

  • a primeira dose é administrada aos 12 meses;
  • a segunda dose aos 5 anos.

A segunda dose tem como objetivo assegurar a imunidade das crianças que não desenvolveram resposta adequada, após a primeira dose (falência vacinal primária).

Quais são os efeitos secundários mais comuns da VASPR?

Como acontece com outras vacinas, a VASPR pode provocar reações adversas. Na maioria dos casos, são ligeiras e desaparecem espontaneamente.

As reações locais mais frequentes nas primeiras 24 horas incluem:

  • dor no local da injeção;
  • vermelhidão;
  • inchaço;
  • sensibilidade.

Estas reações duram habitualmente dois a três dias. Também podem surgir reações sistémicas algumas semanas depois da vacinação, como febre, erupção cutânea ou, menos frequentemente, inchaço das parótidas. Estas reações são menos frequentes após a segunda dose e que as reações adversas graves são raras ou muito raras.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora a desenvolver-se a proteção contra o sarampo após a vacina?

A proteção contra o sarampo começa a desenvolver-se cerca de duas semanas após a administração. 

A vacina VASPR pode ser administrada durante a gravidez?

Não. A vacina VASPR está contraindicada durante a gravidez. Mulheres grávidas, sem evidência de imunidade contra a rubéola, devem ser aconselhadas a não viajar para zonas endémicas ou com surtos ativos, particularmente durante as primeiras 20 semanas de gestação, período de risco máximo para rubéola congénita. A vacinação com VASPR deve ser iniciada no pós-parto, assim que possível, e deve ser evitada uma nova gravidez durante, pelo menos, quatro semanas após a inoculação. 

Desconheço se já tenho a vacina contra o sarampo: posso tomar a VASPR?

Se não tiver informação sobre o seu estado vacinal, a situação deve ser confirmada junto da unidade de saúde. Também pode aceder ao seu boletim de vacinas, se estiver registado na área pessoal do Portal SNS 24 ou na App SNS 24. 

Para adultos nascidos a partir de 1970, sem história credível de sarampo, a DGS recomenda pelo menos uma dose de vacina contra o sarampo. Para profissionais de saúde na mesma situação, recomendam-se duas doses, independentemente do ano de nascimento.

Se não for possível consultar o seu boletim de vacinas, ser-lhe-ão administradas as vacinas de acordo com a sua idade, não havendo contraindicação ou aumento dos efeitos adversos se lhe forem administradas novas doses, mesmo já tendo sido vacinado ou ter tido a doença. Em caso de dúvida, contacte a sua unidade de saúde.

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