Tuberculose: como identificar e tratar
Os casos de tuberculose diminuíram 40% em Portugal nos últimos dez anos. Esta doença infeciosa é curável, mas é fundamental reconhecer os sintomas e respeitar o tratamento.
A tuberculose é a principal causa de morte no Mundo por doença infeciosa, com incidência baixa em quase toda a União Europeia (UE). Segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos na Europa entre 2008 e 2017 caiu uma média anual de 4,7 por cento.
Em Portugal, a incidência da doença teve uma diminuição de 40% nos últimos 10 anos, com menos de 20 novos casos em cada 100 mil habitantes por ano desde 2015. Dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças revelam que quase 20% dos novos casos registados no País são de estrangeiros. O objetivo da União Europeia é erradicar a doença no seu território em 2030.
As recomendações da OMS para o tratamento da tuberculose multirresistente passam por medicação mais segura e eficaz, que também reduz possíveis efeitos colaterais graves.
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A tuberculose é uma doença contagiosa que atinge, sobretudo, os pulmões. Fala-se de tuberculose extrapulmonar quando afeta outros órgãos e estruturas, como rins, pele, ossos e cérebro, com queixas nos órgãos atingidos. Esta variante costuma afetar pessoas imunodeprimidas, por exemplo, com sida ou em tratamento do cancro.
A doença é causada por uma bactéria (Mycobacterium tuberculosis) também conhecida por Bacilo de Koch.
À semelhança do que sucede nas constipações e gripes, o contágio da tuberculose ocorre pelo ar, por gotículas de saliva disseminadas pela tosse ou por espirros de pessoas com tuberculose pulmonar ou laríngia ativa. Estas gotículas contêm o bacilo responsável pela doença e podem ser inaladas e depositar-se nos pulmões da pessoa em contacto com o doente.
As bactérias (ou bacilos) podem permanecer em suspensão no ar durante várias horas, mas são necessárias cerca de oito horas em contacto com um indivíduo infetado para haver risco de transmissão.
O contágio não ocorre pela partilha de alimentos ou bebidas, pelo beijo, ao apertar a mão ou por usar a mesma casa de banho.
Na maioria dos casos, depois do contágio o sistema imunitário destrói as bactérias e não surgem sintomas. No entanto, o sistema imunitário pode não conseguir erradicar o bacilo, mas construir uma barreira defensiva em torno da infeção. Embora não surjam sintomas, a bactéria permanece no organismo, “adormecida”.
Neste caso, é uma tuberculose latente, em que não há risco de transmissão, mas a bactéria pode ativar-se e multiplicar-se mais tarde. Se isso ocorrer, o doente passa a ter uma tuberculose ativa e contagiosa.
Quando o sistema imunitário não consegue destruir nem conter a bactéria, esta espalha-se lentamente para os pulmões, podendo atingir outros órgãos.
O grande perigo é a emergência de uma tuberculose multirresistente, mais difícil de tratar porque as bactérias resistem aos antibióticos habitualmente usados, o que aumenta o risco de mortalidade.
A tuberculose tem habitualmente uma apresentação clínica discreta, evoluindo ao longo de dias, semanas ou mesmo meses. Os sintomas mais comuns são: tosse persistente há mais de três semanas, dor no peito, expetoração com sangue, falta de ar, cansaço, febre, entre outros.
Diagnóstico
Perante os sinais de alarme ou após contactar com um doente, marque consulta. Na presença de sintomas característicos, o médico poderá suspeitar de uma tuberculose ativa. Será solicitado um raio-x ao tórax para detetar lesões pulmonares. Também é habitual uma análise à expetoração (baciloscopia) para confirmar a presença do bacilo de Koch, o agente infecioso responsável. Estes dois exames permitem avançar com o diagnóstico de tuberculose pulmonar e iniciar logo a medicação.
Na ausência de sintomas, se existir uma suspeita de possível infeção, por ter estado em contacto com um doente, por exemplo, despistar uma infeção latente é importante, pois permite iniciar o tratamento e, assim, reduzir o risco de desenvolver mais tarde uma tuberculose ativa e contagiosa. Nestas situacoes, aplica-se no antebraço o teste ou prova de Mantoux, complementado com uma análise ao sangue.
A primeira linha de tratamento da tuberculose tem uma duração mínima de seis meses e inclui a combinação de quatro antibióticos (isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambutol) na fase inicial do tratamento para a morte rápida dos bacilos e a melhoria dos sintomas. Posteriormente, usa-se a isoniazida e a rifampicina na fase de manutenção.
Por norma, cerca de duas semanas depois de iniciar a medicação, os sintomas melhoram e os doentes deixam de ser contagiosos. Mas é importante tomar a medicação e completar o tratamento até ao fim. Parar os antibióticos antes de concluir o tratamento ou não respeitar a prescrição pode tornar a infeção resistente aos antibióticos e mais difícil de curar.
No caso das formas multirresistentes ou extremamente resistentes de tuberculose, o tratamento obriga à utilização de mais fármacos, durante mais tempo.
Quanto à vacina para a tuberculose (BCG), com a alteração do Programa Nacional de Vacinação, desde 2016 que passaram a vacinar-se apenas as crianças com fatores de risco individuais ou comunitários.
Caso não tenha sintomas, mas suspeite de uma possível infeção por ter estado, por exemplo, em contacto com um doente, é importante despistar uma infeção latente. Desta forma, é possível iniciar um tratamento que reduza o risco de vir a desenvolver uma tuberculose ativa e contagiosa.
O tratamento de uma infeção latente reduz o risco de desenvolver mais tarde uma tuberculose ativa e de transmitir a doença. Não é recomendado a pessoas acima dos 35 anos, devido ao risco de danos no fígado, exceto se forem doentes com sida ou profissionais de saúde, em que os benefícios superam este risco. O tratamento é, geralmente, feito em casa e acompanhado no centro de saúde ou hospital da área de residência do paciente. Se o diagnóstico for tardio e os pulmões apresentarem lesões graves e surgirem complicações, poderá ser necessário internar o doente.
Os nossos conselhos:
- caso tenha iniciado um tratamento, nas primeiras duas semanas evite o contacto extenso com outras pessoas e tenha o cuidado de tapar a boca com um lenço descartável quando tosse;
- não fume, para uma recuperação rápida dos pulmões e para melhorar a sua saúde geral;
- evite beber álcool, para minimizar os riscos de interação com os medicamentos e eventuais danos para o fígado;
- quando há um familiar infetado em casa, é aconselhável arejar e fazer limpezas regulares.
