Cabaz mais barato esta semana, mas muitos alimentos continuam com subidas de preço
O preço do cabaz alimentar da DECO PROteste desceu 3,74 euros em sete dias, para 255,57 euros a 10 de junho. Desde o início de abril que não estava tão baixo. Ainda assim, há muitos produtos mais caros. A couve-coração é o que regista o maior aumento da última semana.
O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste registou uma descida de 3,74 euros (menos 1,44%) entre 3 e 10 de junho. Depois de ter aumentado na semana passada, chega agora aos 255,57 euros – desde abril que não se registava um valor tão baixo. Ainda assim, face ao início de 2026, esta cesta de bens essenciais já viu o seu preço subir 13,75 euros (mais 5,69 por cento), e continua a haver produtos mais caros todas as semanas.
Nos últimos sete dias, entre os produtos alimentares cujo preço é monitorizado pela DECO PROteste, o destaque vai para a couve-coração. Custa agora 1,85 euros por quilo, mais 15 cêntimos (mais 9%) do que a 3 de junho. Se analisarmos os preços do início do ano, a 7 de janeiro, custa mais 39 cêntimos (mais 26 por cento). Já se a comparação for feita com o preço desta hortícola a 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste começou a monitorizar o custo do cabaz alimentar, a subida é de 86 cêntimos (mais 87 por cento) por quilo.
Quando a Guerra na Ucrânia começou, a 23 de fevereiro de 2022, para comprar o cabaz de bens alimentares essenciais os consumidores gastavam menos 71,94 euros (menos 39,2 por cento). Agora, com o conflito no Médio Oriente a não dar tréguas, é possível que os preços dos bens alimentares subam ainda mais nos próximos meses. Esta guerra já provocou aumentos nos preços dos combustíveis e da energia, e os impactos voltam a fazer-se sentir nas cadeias de abastecimento.
Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis somam-se ainda os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, cujos efeitos podem ainda não estar integralmente refletidos nos preços ao consumidor, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes já aumentaram significativamente, o que se tem traduzido em bens alimentares mais caros.
Como é calculado o preço do cabaz?
Desde janeiro de 2022, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.
Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia.
Carne
- Lombo de porco
- Frango inteiro
- Febras de porco
- Costeletas de porco
- Bife de peru
- Carne de novilho para cozer
- Perna de peru
Peixe
- Bacalhau graúdo
- Dourada
- Salmão
- Pescada fresca
- Carapau
- Peixe-espada-preto
- Robalo
- Perca
Congelados
- Douradinhos de peixe
- Ervilhas ultracongeladas
- Medalhões de pescada
Frutas e legumes
- Laranja
- Maçã gala
- Maçã golden
- Banana
- Tomate
- Couve-flor
- Alface
- Brócolos
- Cenoura
- Batata-vermelha
- Curgete
- Alho
- Cebola
- Couve-coração
Laticínios
- Queijo curado fatiado embalado
- Queijo flamengo fatiado embalado
- Leite UHT meio-gordo
- Manteiga com sal
- Iogurte de aroma (pack de oito)
- Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
- Ovos
Mercearia
- Grão cozido
- Feijão cozido
- Óleo alimentar 100% vegetal
- Azeite virgem extra
- Sal grosso
- Arroz carolino
- Arroz agulha
- Salsichas Frankfurt
- Atum posta em azeite
- Atum posta em óleo
- Açúcar branco
- Massa espirais
- Esparguete
- Polpa de tomate
- Farinha para bolos
- Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
- Flocos de cereais de mel
- Cereais de fibra
- Carcaça tradicional
- Peito de peru fatiado
- Fiambre da perna fatiado
- Bolacha maria
- Pão de forma sem côdea
- Café torrado moído
Quais os produtos que mais aumentaram?
Na última semana, entre 3 e 10 de junho, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente, além da couve-coração, foram o pão de forma sem côdea (mais 7%), a manteiga com sal (mais 5%) e o feijão-manteiga (mais 5 por cento).
Se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, têm também destaque pela maior subida percentual de preço a dourada (mais 31%), o arroz carolino (mais 25%) e o peixe-espada-preto (mais 24 por cento).
Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço destes bens alimentares, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 125%), da couve-coração, dos ovos (mais 84%) e do bacalhau graúdo (mais 76 por cento).
Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?
A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.
Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.
Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano.
O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.
Taxa de inflação mantém-se nos 3,3% em maio
Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025, a taxa de inflação fixou-se nos 2,3%, menos do que os 2,4% do ano de 2024. Em abril de 2026, de acordo com os dados do INE, a taxa de inflação acelerou para 3,3%, mais 0,6 pontos percentuais face a março. Em maio, manteve-se nos 3,3 pontos percentuais.
Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.
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