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Chocolate: quatro tabletes já custam mais de dez euros

Este ano, com o aumento dos preços dos bens alimentares, os doces da Páscoa podem ter um sabor mais amargo. No último ano, o preço do chocolate subiu cerca de 29% e quatro tabletes de chocolate já custam mais de 10 euros.

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25 março 2026
tablete de chocolate de leite

iStock

No último ano, o preço do chocolate aumentou 29%, de acordo com as contas da DECO PROteste. Se no início de 2025 quatro tabletes de chocolate — chocolate de leite Milka,  chocolate de leite de marca própria, chocolate para culinária Pantagruel e chocolate para culinária de marca própria — custavam 8,02 euros, no início de 2026, tinham já subido para 10,33 euros. Este aumento ocorreu, sobretudo, nos primeiros meses de 2025. Entre 1 de janeiro e 26 de março desse ano, o preço destes chocolates registou uma subida de 26%, com o conjunto de quatro chocolates a aumentar 2,06 euros, para um total de 10,09 euros.

Além das alterações climáticas e das pragas e doenças que, em 2024, afetaram a produção de cacau em países como o Gana e a Costa do Marfim – que, em conjunto, são responsáveis por cerca de 60% da produção mundial de cacau –, o aumento dos preços pagos aos produtores fez disparar o valor desta matéria-prima e, consequentemente, o preço dos chocolates em todo o mundo.

Nos primeiros meses de 2026, contudo, o preço destes chocolates parece ter estabilizado. Apesar das oscilações de preço entre 7 de janeiro e 4 de março, em conjunto, as quatro tabletes de chocolate custam praticamente o mesmo que custavam na primeira semana do ano. Neste período, o chocolate para culinária da Pantagruel e o chocolate para culinária de marca própria ficaram mais caros, 8 e 1 cêntimos, respetivamente. No entanto, os chocolates de leite da Milka e de marca própria registaram descidas de preço de 4 e 6 cêntimos, respetivamente. 

Chocolates das marcas de fabricante com os maiores aumentos de preço

Para determinar o preço médio destes produtos, a DECO PROteste analisou, todas as quartas-feiras, os preços destes chocolates nos principais supermercados com lojas online. Depois, com base nesses dados, calculou o preço médio de cada um.

Contas feitas, no último ano, foi nos chocolates das marcas de fabricante que o preço mais subiu. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, a tablete de chocolate de leite da Milka aumentou 44,8%, de 1,82 euros para 2,63 euros. Já a tablete de chocolate para culinária da Pantagruel viu o seu preço subir de 2,84 euros para 3,99 euros (mais 40,6 por cento).

No mesmo período, a tablete de chocolate para culinária de marca própria registou um aumento de preço de 13,6% e passou de 2,26 euros para 2,57 euros. No chocolate de leite de marca própria, a subida de preço foi de apenas 3 cêntimos (mais 2,9%), de 1,11 euros para 1,14 euros.  

Subida chegou aos 124% em quatro anos

Em pouco mais de quatro anos, o preço do chocolate já aumentou 124 por cento. De acordo com a DECO PROteste, na primeira semana de 2022, para comprar estas quatro tabletes de chocolate, os consumidores gastavam 4,61 euros. Agora, no início de março de 2026, seria preciso gastar mais 5,72 euros.

Durante este período, foi no ano 2024 que o preço do chocolate mais aumentou: 41,4 por cento. Na primeira semana de 2024, em conjunto, estas quatro tabletes de chocolate custavam 5,67 euros. Na primeira semana de 2025, o preço do mesmo conjunto de chocolates já tinha subido para 8,02 euros, ou seja, mais 2,35 euros.

O chocolate para culinária de marca própria foi aquele cujo preço mais aumentou nesse ano, passando de um preço médio de 1,30 euros para 2,26 euros (mais 74,3 por cento). O preço do chocolate de leite da marca dos supermercados subiu 49,1%, para 1,11 euros, o preço do chocolate para culinária da Pantagruel aumentou 42,3%, para 2,84 euros, e o preço do chocolate de leite da Milka subiu 10,8%, para 1,82 euros.  

Chocolate Milka está mais caro, mas quantidade diminuiu

Outro detalhe importante que poderá ter escapado a muitos consumidores é que, à semelhança do que a DECO PROteste já tinha detetado também em 2022 e 2023 noutros produtos, há um caso de reduflação num destes chocolates. No início de 2025, a DECO PROteste detetou que a tablete de chocolate de leite da Milka passou de 100 gramas para 90 gramas. Isto significa que, além de este chocolate estar mais caro, o consumidor está, na verdade, a pagar mais por uma menor quantidade de produto.

Reduzir a quantidade de produto nas embalagens mantendo ou aumentando o preço é uma estratégia de várias marcas, sobretudo em períodos de inflação ou de aumento do custo das matérias-primas. A prática não é fraude, desde que a informação que consta do rótulo do produto e da etiqueta do preço esteja correta. No entanto, pode induzir os consumidores em erro.

A DECO PROteste tem defendido a necessidade de maior transparência para que este tipo de práticas se torne mais percetível para os consumidores. A redução da quantidade ou alteração de ingredientes do produto mantendo o preço deve ser claramente comunicada pelas marcas para que os consumidores percebam, de forma transparente, o que estão efetivamente a comprar.  

 

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