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"Cada família tem a sua própria taxa de inflação"

A economia pós (ou ainda da?) pandemia e a guerra na Ucrânia estão a levar a um aumento generalizado nos preços, sobretudo, na energia e nos alimentos. Ou seja: nos bens essenciais. Mas a dor da fatura não é sentida por todos os consumidores da mesma forma. Debate obrigatório em mais um episódio do podcast POD Pensar com Aurélio Gomes. 

27 abril 2022
POD Pensar DECO PROTESTE Inflação Susana Peralta

Ainda mal refeitos do vendaval económico e social provocado por mais de dois anos de pandemia, eis que um velho-novo léxico entrou na vida dos portugueses: inflação (a “filha” inesperada das pressões inflacionistas provocadas pelos sucessivos confinamentos no mundo e da paragem da atividade industrial), aumento – sobretudo, do custo dos bens essenciais (energia, alimentação) – frágil crescimento económico e taxas de juro a subir.

Não será difícil de prever que a escalada de preços vai deteriorar o nível de vida dos portugueses. Qual o risco de provocar tensões sociais e políticas?

A guerra na Ucrânia veio lembrar à Europa como é frágil e imprevisível o equilíbrio de forças – políticas e económicas – no velho continente.

Com que políticas enfrentar (mais) esta crise? O que é que ainda sobra dos manuais de Economia para acalmar a tempestade mais-que-perfeita que parece adivinhar-se?

Foi o que Aurélio Gomes perguntou a Susana Peralta, professora de Economia na Nova SBE, School of Business and Economics, Bruno Faria Lopes, jornalista de Economia na revista Sábado e colunista do Jornal de Negócios, e ainda a Vítor Machado, responsável técnico da área de produtos e serviços da DECO PROTESTE, em mais um episódio do podcast POD Pensar.

Aumento de preços não é sentido por todos da mesma forma

É a principal conclusão do relatório “Despesas essenciais e rendimentos das famílias: efeitos assimétricos da inflação”, publicado recentemente por Susana Peralta, com Bruno P. Carvalho e Mariana Esteves. O relatório faz parte do projeto “Portugal, Balanço Social”, uma parceria com a Fundação La Caixa.

A economista destacou os números mais preocupantes. Em Portugal, o peso da despesa em alimentação na despesa total é de quase 25% para as famílias mais pobres; nas mais ricas, fica abaixo de 10 por cento. “São famílias que não têm almofada para absorver a inflação, contrariamente às famílias mais ricas, que conseguem poupar”, sublinhou.

Daí que Vítor Machado reforce que, apesar de haver uma taxa de inflação definida pelo INE, a verdade é que “cada família tem a sua própria taxa de inflação, em função dos seus rendimentos”.

A escalada dos preços “invisíveis”

Bruno Faria Lopes fez um roteiro completo pelos “bastidores” da inflação mais visível – aquilo a que chama de subida dos preços “invisíveis” –, com exemplos concretos. Trata-se da escalada de preços das matérias-primas que entram em tudo o que os consumidores compram. Uma espiral que trará não a austeridade das políticas decretadas pelo Governo, à semelhança do que aconteceu na altura da intervenção da troika, mas antes a da “economia real”.

Quanto deste aumento de custos passará para os consumidores, é o que Bruno Faria Lopes pergunta e pôs à discussão neste episódio do POD Pensar.

Custo de cabaz de alimentos aumenta

A DECO PROTESTE tem estado a monitorizar o preço de um cabaz de bens alimentares essenciais. Em apenas uma semana, entre 6 e 13 de abril, o cabaz aumentou quase 7 euros, ultrapassando os 200 euros.

O peixe (11%) e a carne (17%) são as categorias que mais contribuíram para essa variação, nota Vítor Machado.

Para enfrentar a subida generalizada de preços com que estamos confrontados, consulte a página que a DECO PROTESTE desenvolveu para ajudar os consumidores nesta fase e fique a par dos conteúdos e das ferramentas mais úteis para fintar, o melhor possível, o regresso da palavra maldita, a inflação.

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