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A ilusão de um mundo "zero covid". O que se segue?

Cada vez mais, parece evidente que o SARS-COV-2 veio para viver entre nós. Mas que quer isso dizer, concretamente? O que é que nos espera? Reflexão sobre o ainda incógnito dia seguinte à covid-19 no novo episódio do podcast POD Pensar.

11 fevereiro 2022
POD Pensar DECO PROTESTE

É possível acreditar num dia seguinte à pandemia? Sim, diz Maria João Amorim, virologista e investigadora principal do Instituto Gulbenkian de Ciência. Tal como houve um dia seguinte à gripe de 1918 ( a chamada “gripe espanhola”) e dias seguintes a outras pandemias na história. Mas o coronavírus responsável pela pandemia que assola o mundo desde dezembro de 2019 não vai desaparecer. Vai permanecer, não como o conhecemos até agora, “mas vai ficar entre nós” e, por isso, é essencial que continue a ser monitorizado, e a sua evolução devidamente acompanhada.

Manuel Carmo Gomes, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, investigador na área da epidemiologia de doenças transmissíveis, e membro da Comissão Técnica de Vacinação da Direção-Geral da Saúde, também acredita que chegará o dia em que a “sociedade poder-se-á esquecer de que o vírus anda entre nós, à semelhança do que acontece, por exemplo, com a varicela, que continua a circular e a infetar pessoas”. O especialista crê que o SARS-COV-2 evoluirá “no sentido de evadir o nosso sistema imunitário, ou seja, fugir aos nossos anticorpos”.

Poderemos estar em face de um panorama semelhante ao que acontece com os outros coronavírus respiratórios, diz Manuel Carmo Gomes, que nos infetam com regularidade a cada dois a cinco anos, sendo responsáveis por cerca de 20% das constipações todos os invernos.

Perante a incerteza que ainda paira em relação ao futuro da pandemia, Susana Santos, responsável pela área da saúde da DECO PROTESTE, sublinha a batalha que foi e tem sido informar a população com rigor, mas de forma a que a mensagem seja clara e geradora de poucos equívocos. Uma tarefa nem sempre fácil. “Há muita informação técnica e é preciso simplificar para que as pessoas percebam o que está em causa.” Ao mesmo tempo, surgiram mitos, notícias falsas e teorias que questionavam a existência ou a gravidade do vírus. Aqui o trabalho é ainda mais exigente: “É muito mais fácil criar um mito do que derrubá-lo”, desabafa a especialista da DECO PROTESTE.

Os três debateram, com Aurélio Gomes, a evolução futura da pandemia em mais um episódio do podcast POD Pensar, Ideias para consumir. Recordaram também os momentos mais marcantes dos dois últimos anos: das primeiras notícias vindas da China, sobre o surgimento o vírus, à colaboração científica inédita que se seguiu para tentar compreender de que vírus se tratava e como combatê-lo, ao aparecimento das vacinas e à luta contra a desinformação.

Desinformação surpreendeu

Os movimentos contestatários da pandemia não tiveram tanta força em Portugal como noutros países, apontou Manuel Carmo Gomes.

“Arriscar-me-ia a dizer que as célebres reuniões do Infarmed, convocadas desde muito cedo, em que estavam presentes todos os partidos políticos, todos os setores sociais, pessoas da hotelaria, do retalho, tiveram um papel importante. Todos puderam constatar o que é que nós sabíamos, o que não sabíamos, podiam fazer perguntas… a umas respondíamos ‘não sei’, a outras respondíamos com todo o detalhe”, afirmou o epidemiologista.

 Ainda assim, o nível de desinformação que circulou apanhou de surpresa os cientistas. “Creio que todos ficámos um pouco surpreendidos. Eu também fiquei.”

Passados dois anos, as dúvidas sobre o vírus que vem trocando as voltas ao mundo desde final de 2019 ainda subsistem. Temos, por isso, desde o primeiro momento, uma secção de informação exclusiva sobre a pandemia para ajudar a esclarecer todas as incertezas. Consulte, use e abuse.

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