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"Metade das compras em Portugal são feitas em promoção"

Os consumidores portugueses gostam de promoções e os retalhistas gostam que os consumidores apreciem promoções. Mas podemos confiar? Às portas de mais uma Black Friday, refletimos sobre como nasce um desconto no segundo episódio do podcast POD Pensar.

12 novembro 2021
Podcast Pod Pensar com Gustavo Mendes e Susana Pereira

O que é que nasceu primeiro: a promoção ou o consumidor ávido por descontos? Gustavo Mendes, professor de marketing na Porto Business School e diretor de Corporate Marketing no Grupo Primor, acredita que ambos vieram ao mundo ao mesmo tempo e estão intimamente ligados, alimentando-se mutuamente.

"O consumidor português tornou-se um bocadinho viciado" em descontos e os retalhistas não conseguem conquistar consumidores se não fizerem promoções. "É um círculo vicioso", sublinha o académico. "Um procura o desconto e o outro, se não fizer promoções, não atrai o consumidor." Segundo Gustavo Mendes, "metade das compras em Portugal são feitas em promoção".

Fatores que contribuem para a proliferação de megapromoções que se vê atualmente no mercado. "Os 50% de desconto estão a tornar-se banais", constata Gustavo Mendes. Muitas vezes, sem este chamariz, não há forma de captar a atenção do consumidor, porque este já interiorizou a ideia de que as boas compras são feitas em promoção.

Mas, se é verdade que o consumidor gosta de promoções, não é menos verdade que os retalhistas gostam que o consumidor se pele por uma generosa redução de preço. Há marcas com artigos em desconto o ano todo, atesta Susana Pereira, analista de mercado e coordenadora da Equipa de Retalho, Serviços e Suporte da DECO PROTESTE. O que subverte, por completo, a ideia de preço de referência e dificulta a distinção entre preço com e sem redução.

Gustavo Mendes e Susana Pereira sentaram-se à discussão com Aurélio Gomes no segundo episódio do podcast POD Pensar, desta vez sobre promoções. Nas vésperas de mais uma Black Friday, o mote dado pelo moderador foi "Como nasce um desconto?".

 

Comparar preços é essencial

Há uma selva de promoções no mercado. E não é só a Black Friday ou a Cyber Monday. As megarreduções de preço instalaram-se confortavelmente nas prateleiras dos supermercados. Como saber se a promoção é real? É de acreditar num desconto bom de mais para ser verdade? Os consumidores não conseguem resistir à palavra "promoção"?

"Nada há de errado no conceito da promoção", ressalva Susana Pereira. "Desde que a promoção seja verdadeira" e não uma estratégia para ludibriar os consumidores. A responsável lembrou o ponto de viragem marcado por um estudo da DECO PROTESTE sobre a Black Friday, em 2015, que registou vários casos de subida dos preços antes do dia, por forma a simular promoções mais interessantes, mas enganosas para o consumidor. Na altura, concluiu-se que um em cada dez produtos sofreu um aumento de preço antes da Black Friday.

Legalmente, esta manobra enganadora já está vedada aos retalhistas e às marcas, mas o consumidor deve continuar a vigiar os preços como uma águia, aconselha Susana Pereira, instando-o a visitar a página da DECO PROTESTE dedicada à Black Friday, onde pode encontrar informação para fazer compras mais conscientes, bem como comparadores de lojas online e de preços.

Compare preços para fazer compras inteligentes

Para Gustavo Mendes, estes comparadores são uma poderosa arma ao serviço dos consumidores e vão tornar-se cada vez mais comuns. Um sinal dos tempos e de um novo mundo onde os velhos e fiáveis saldos são já quase memória distante. "Os saldos nunca mais voltarão a ser o que eram." 

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