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Aumentos na energia: os filhos ingratos da transição energética?

O custo da eletricidade no mercado grossista atingiu valores recorde nos últimos tempos. Nunca se pagou tanto por uma botija de gás. Os sucessivos aumentos no preço dos combustíveis não parecem ter fim à vista. Até quando consumidores vão estar reféns desta teia de preços? Debate em mais um episódio do podcast POD Pensar.

12 abril 2022
Aumento do preço da energia DECO PROTESTE

Suspira a cada fatura da eletricidade, cada vez mais pesada, que lhe chega a casa? Respira fundo um par de vezes antes de entrar na (longa) fila para abastecer o carro antes de mais um aumento nos combustíveis? Nunca pagou tanto por uma botija de gás? Não sabe como vai continuar a pagar? A crise energética que se iniciou em meados de 2021 agravou-se com o atual cenário de guerra na Ucrânia. Mas há uma matriosca mais complexa de explicações para todas estas subidas de preço.

Os aumentos nos custos da energia e dos combustíveis são os filhos ingratos da transição energética? E agora da guerra?

Em mais um episódio do podcast POD Pensar, Aurélio Gomes perguntou a José Eduardo Barroso, responsável pelo módulo de Políticas de Energia e Ambiente, no Curso de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão de Energias Renováveis, do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, e sócio co-fundador da Lasting Values - Consultoria em Gestão e Ambiente, e também a Pedro Silva, analista de mercado da DECO PROTESTE, especialista no setor energético, se aquela é uma forma correta de colocar a questão. Os dois usaram todo o seu saber e engenho para responder o mais claramente possível a uma questão que de simples não tem nada.

O fim da energia barata?

É a consequência inevitável da descarbonização e do plano traçado a nível europeu para fazer o caminho da transição energética. Portugal assumiu compromissos perante a Europa. Mas a que ritmo deve ser feita essa empreitada? Não só do ponto de vista ambiental, mas também de uma perspetiva económica e social?

Para nenhuma destas questões José Eduardo Barroso e Pedro Silva têm respostas liminares ou absolutas. Há demasiadas variáveis. Mas têm posições críticas e propostas para que os consumidores não fiquem, para sempre, reféns da montanha russa dos preços no setor energético.

É certo que a guerra que eclodiu em fevereiro, na Europa, com a invasão da Ucrânia pela Rússia, se revelou um verdadeiro game changer. José Eduardo Barroso e Pedro Silva analisaram à lupa o novo xadrez mundial das trocas energéticas, mas recordam que esta não é a primeira crise da energia na história, e que não, o empenho na descarbonização não vai esmorecer e a transição para um mundo de energias mais limpas vai continuar.

Pedro Silva sublinha mesmo que “as crises energéticas fazem mais pela descarbonização do que se pensa”. Novas soluções, mais “verdes”, acabam sempre por surgir.

Soluções estruturais para o setor energético, precisam-se

Mas, entretanto, faltam soluções emergentes, porém estruturais, para responder ao problema dos consumidores portugueses, que enfrentam aumentos no setor na energia nunca antes vistos.

Pedro Silva critica as medidas temporárias que o Governo tem adotado para fazer face ao aumento dos preços: o Autovoucher (que termina no final de abril), a descida do IVA da eletricidade e do gás natural em doses cirúrgicas ou com uma neutralidade fiscal questionável. “São apenas remendos. Para resolver os problemas de fundo, é preciso adotar soluções estruturais”, defende o especialista.

A DECO PROTESTE vai entregar uma carta aberta ao Parlamento com propostas de fundo para o setor dos combustíveis, da eletricidade e do gás. A saber:

  • menos impostos sobre os combustíveis;
  • IVA da eletricidade e do gás a 6 por cento;
  • liberdade de escolha para os consumidores de gás natural.

Saiba mais e assine a carta aberta

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