Mazda CX-6e: a Mazda arriscou no SUV elétrico. Acertou?
O Mazda CX-6e reforça a ofensiva elétrica da marca japonesa com uma proposta familiar, espaço generoso e uma autonomia anunciada até 484 quilómetros. No primeiro teste, destaca-se pela qualidade do habitáculo e pelo conforto acústico. Conheça os detalhes que dividem opiniões na utilização.
O novo SUV elétrico da Mazda convence pela qualidade do habitáculo, pelo espaço e silêncio a bordo, mas ainda deixa dúvidas ao nível da ergonomia e alguns assistentes de condução intrusivos.
- Até 484 km de autonomia WLTP com bateria de 78 kWh.
- Carregamento rápido de 10 a 80% em 24 minutos.
- Preço de lançamento desde 41 543 euros.
O que revela o primeiro ensaio ao Mazda CX-6e?
O Mazda CX-6e é o terceiro automóvel elétrico da marca japonesa e resulta da colaboração entre a Mazda e a chinesa Changan, que também está na origem da berlina Mazda 6e.
Combina uma bateria de 78 kWh com um motor elétrico de 258 cavalos. A gama inclui duas versões (Takumi e Takumi Plus) que diferem sobretudo no equipamento e nas jantes.
Habitáculo bom e espaçoso
O interior é um ponto forte do CX-6e. Os materiais transmitem uma sensação de qualidade, as superfícies são macias e o espaço disponível é generoso. Na segunda fila, não falta conforto para passageiros.
No tabliê, o ecrã tátil de 26,45 polegadas apresenta conteúdos para o condutor e para o passageiro da frente. Impressiona, mas não garante uma utilização simples. Alguns comandos encontram-se escondidos em menus, obrigando a percorrer vários níveis para aceder a funções que deveriam estar mais acessíveis.
A ausência de um painel de instrumentos convencional atrás do volante exige adaptação. O head-up display de série, que projeta informação no para-brisas, assume parte desse papel. Mas a informação sobre algumas funções, como o modo de condução selecionado, nem sempre é fácil de consultar.
O capô esconde um compartimento alcatifado de 83 litros.
Suspensão firme contrasta com o silêncio a bordo
Na estrada, o CX-6e privilegia uma condução tranquila. Os 258 cv são suficientes para uma utilização quotidiana, mas a resposta do acelerador não transmite a sensação de aceleração intensa que se associa a alguns automóveis elétricos.
A direção merece uma apreciação positiva, pela utilização fácil e pela resposta adequada aos movimentos do volante. O comportamento é sereno, sem uma orientação desportiva. A suspensão, porém, é demasiado firme. As irregularidades do piso fazem-se sentir no habitáculo. Em contrapartida, o conforto acústico é muito bom, mesmo em velocidades mais elevadas.
Assistentes de condução demasiado intrusivos
Alguns sistemas de apoio revelaram-se muito interventivos. O alerta de atenção do condutor e o sistema de manutenção na faixa de rodagem emitiram alertas com demasiada frequência.
A situação é agravada pela complexidade dos menus. Algumas funções podem ser associadas a atalhos no volante, mas outras exigem uma navegação pouco intuitiva pelo ecrã central.
A visibilidade também merece atenção, sobretudo para quem pondera escolher os retrovisores exteriores digitais da versão mais equipada. Teste a adaptação ao sistema, dado que a imagem passa a ser apresentada em ecrãs no interior do automóvel, em vez de ser observada diretamente nos espelhos convencionais.
Qual é a autonomia e quanto demora a carregar?
O Mazda CX-6e utiliza uma bateria de 78 kWh e anuncia uma autonomia máxima de 484 quilómetros no ciclo WLTP. Este valor corresponde à versão Takumi, com jantes de 19 polegadas.
Na Takumi Plus, com jantes de 21 polegadas, a autonomia anunciada desce para 468 quilómetros. São valores razoáveis, mas comparado com os carros elétricos mais recentes, como o Mercedes-Benz GLC ou o BMW iX3, não é um avanço significativo.
O consumo combinado homologado situa-se entre 18,9 e 19,4 kWh/100 km, consoante a versão. No primeiro ensaio, o computador de bordo indicou valores entre 17 e 18 kWh/100 km. São resultados promissores, mas têm de ser confirmados no teste em condições de utilização mais abrangentes.
No carregamento rápido em corrente contínua, pode carregar a bateria de 10% para 80% em cerca de 24 minutos, segundo o fabricante. Para carregar em casa ou em postos de corrente alternada, o SUV dispõe de um carregador de bordo de 11 kW.
Quanto custa o Mazda CX-6e em Portugal?
O Mazda CX-6e está disponível em Portugal nas versões Takumi e Takumi Plus. Na campanha de lançamento, o preço começa em 41 543 euros.
A versão Takumi Plus custa 44 543 euros. Acrescenta jantes de 21 polegadas, retrovisores exteriores digitais e um retrovisor interior digital, que pode funcionar como ecrã.
A avaliação da DECO PROteste
O primeiro contacto com o Mazda CX-6e revela um SUV elétrico com argumentos importantes para quem procura espaço, qualidade interior e uma condução silenciosa. A autonomia anunciada, a potência de carregamento rápido e a bomba de calor de série também contribuem para a utilização em viagens.
Contudo, não convence em todos os aspetos. A suspensão firme prejudica o conforto em pisos irregulares, enquanto a organização de alguns menus e a intervenção frequente dos assistentes de condução podem tornar a utilização quotidiana menos intuitiva.
Com preço promocional desde 41 543 euros, o Mazda CX-6e entra na guerra dos SUV elétricos. Para um SUV familiar totalmente elétrico do segmento médio, é um preço bastante razoável. Por exemplo, o Volkswagen Tiguan híbrido plug-in está disponível numa faixa de preços semelhante, mas pertence a um segmento inferior e continua a recorrer a um motor de combustão.
Ainda assim, a Qualidade Global atribuída pela DECO PROteste só pode ser apurada depois de concluir a avaliação, que combina medições laboratoriais com testes de estrada. Assim que os resultados do teste estiverem disponíveis, o comparador de carros elétricos será atualizado.
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