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Carregar carro elétrico na rede pública pode custar até 4 vezes mais do que em casa

A rede pública de carregamento de carros elétricos já chega aos 308 municípios, mas há diferenças significativas em custos, infraestrutura e disponibilidade, aponta a UVE, Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos. As soluções para carregar em condomínio também marcaram a discussão na 14.ª edição do ENVE, Encontro Nacional de Veículos Elétricos.

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23 setembro 2026
ambiente exterior do Encontro Nacional de Veículos Elétricos 2026 no pavilhão multiusos de Guimarães

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A rede pública de carregamento de carros elétricos está disponível nos 308 municípios portugueses, mas a experiência de carregar fora de casa continua a variar bastante, consoante o território e o posto utilizado.

Na 14.ª edição do ENVE, Encontro Nacional de Veículos Elétricos, em Guimarães, a UVE, Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos, apresentou dados críticos sobre a evolução da rede e o desempenho dos municípios. A escolha da cidade para acolher o encontro não foi casual: Guimarães é Capital Verde Europeia em 2026.

Ambiente ao rubro no ENVE, que recebeu 15 mil visitantes a 19 e 20 de setembro, em Guimarães. 
ENVE recebeu 15 mil visitantes a 19 e 20 de setembro, em Guimarães.
Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, e Pedro Faria, presidente do Conselho Diretivo da UVE, abriram a 14.ª edição. 
Ricardo Araújo, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, e Pedro Faria, presidente do Conselho Diretivo da UVE, abriram a 14.ª edição.

Entre os temas que dominaram a atenção do público, destacam-se o carregamento rápido em 82% dos municípios, as diferenças na cobertura, o estado dos postos e os custos de utilização. A UVE aproveitou ainda o evento para explicar as formas de instalar carregamento num condomínio, um fator cada vez mais decisivo.

Rede pública: ter um posto no município não chega

Todos os 308 municípios têm pelo menos um ponto de carregamento. E 82% dos municípios têm carregamento rápido, segundo o Observatório da UVE. Mas persistem diferenças entre territórios, sobretudo entre zonas do litoral e do interior, alerta Bruno Fonseca, membro do conselho diretivo e rosto do Observatório da UVE.

Bruno Fonseca apresentou o retrato da rede: 5,4% dos postos fora de serviço, 9,5% nem comunicam o estado e milhares sem sessões registadas. 
Bruno Fonseca apresentou o retrato da rede: 5,4% dos postos fora de serviço, 9,5% nem comunicam o estado e milhares sem sessões registadas. 

Em Portalegre, muitos municípios ainda não têm carregamento rápido. A existência de um posto também não garante que esteja disponível quando é necessário. De acordo com os dados:

  • 5,4% dos postos fora de serviço;
  • 9,5% não comunicam o seu estado;
  • 6000 estações sem registo de sessões de carregamento durante mais de um mês.

Carregar fora de casa custa quatro vezes mais

O preço é outro problema. Carregar na rede pública custa, em média, 8,57 € para fazer 100 quilómetros.

Carregar em casa com tarifa bi-horária custa apenas um quarto do carregamento na rede pública.

Há carregadores rápidos suficientes na autoestrada?

Nas autoestradas, a infraestrutura está a ganhar capacidade. Os dados apresentados contabilizam 202 tomadas com potência superior a 350 kW e mais de 300 tomadas entre 150 e 350 kW.

A potência média de carregamento dos carros elétricos em circulação situa-se entre 150 e 160 kW.

A evolução da rede permite, assim, encontrar carregadores cada vez mais potentes nas principais vias, mas uma infraestrutura rápida nas autoestradas não elimina as diferenças entre os restantes territórios.

Loulé, Vila Franca de Xira e Guimarães lideram o ranking da rede pública de carregamento

A atualização do ranking dos municípios mostra diferenças significativas na infraestrutura. Loulé (Faro), Vila Franca de Xira (Lisboa) e Guimarães (Braga) lideram a classificação.

Nas últimas posições encontram-se Sabrosa (Vila Real), Alijó (Vila Real) e Gouveia (Guarda). Gouveia, uma das portas de entrada da subida para a Serra da Estrela, está mal servida. A associação defende maior investimento municipal, para dinamizar o turismo de utilizadores de automóveis elétricos.

Na classificação mais recente, Lisboa sobe da 58.ª para a 8.ª posição.

Posto com TPA, em Ansião: pode pagar com cartão bancário sem qualquer contrato. 
Posto com TPA, em Ansião: pode pagar com cartão bancário sem qualquer contrato. 

Ter mais tomadas instaladas não garante melhor classificação

O número absoluto de tomadas não é suficiente para apurar a posição de um município. A UVE considera, entre outros indicadores, o número de carregadores por mil habitantes, a percentagem de postos na via pública, a distribuição pelas freguesias, a utilização efetiva dos postos e a proporção de carregadores rápidos.

O Porto é um exemplo flagrante. Apesar de ter mais de 500 tomadas públicas, surge na 73.ª posição do ranking. A UVE aponta a falta de abertura de alguns municípios ao investimento dos operadores como um fator que pode limitar a expansão.

E quem vive em condomínio? Há várias formas de carregar em casa

Para quem vive em apartamento, o acesso a carregamento passa muitas vezes pela garagem do condomínio.

A lei portuguesa permite a instalação de pontos de carregamento, desde que sejam cumpridos alguns procedimentos. No caso de uma instalação em parte comum do prédio, o condómino tem de comunicar por escrito ao condomínio a intenção de instalar o ponto de carregamento com 30 dias de antecedência.

O condomínio pode, contudo, opor-se nas situações previstas, nomeadamente quando já exista uma solução que assegure o mesmo serviço ou quando a instalação possa criar riscos efetivos para a segurança ou prejudicar elementos do edifício ou a circulação.

Outra questão é saber como levar a eletricidade ao lugar de estacionamento e como pagar a energia. Segundo Telmo Azevedo, na sessão de esclarecimento, existem várias soluções técnicas.

Ligar o carregador diretamente à fração

Uma possibilidade é levar um cabo desde o quadro elétrico da habitação até ao lugar de estacionamento.

A energia é a da própria fração e o condómino mantém o contrato de eletricidade. Pode escolher o tarifário que melhor se adapta aos seus carregamentos, incluindo a tarifa bi-horária.

Também pode instalar um sistema de gestão dinâmica da potência, que reduz ou interrompe temporariamente o carregamento quando o consumo da habitação aumenta.

O percurso do cabo pode, contudo, ser mais complexo para apartamentos em pisos elevados. Podem ser utilizadas condutas técnicas, escadas ou soluções exteriores, desde que cumpridos os requisitos.

Os cabos particulares não podem passar pelo interior dos elevadores.

Utilizar a instalação elétrica das partes comuns

Outra via consiste em alimentar o carregador através do quadro elétrico das partes comuns. Neste caso, é necessário resolver uma questão prática: como medir e imputar ao utilizador a eletricidade consumida pelo carro?

Uma solução é instalar um contador junto da wallbox. O consumo pode depois ser contabilizado e cobrado ao respetivo condómino, de acordo com o modelo definido.

Esta opção evita a criação de um novo contrato de eletricidade, mas torna mais importante gerir a potência disponível quando aumenta o número de veículos elétricos.

Gerir a potência entre vários carros

Um condomínio não precisa de ter potência suficiente para que todos os veículos carreguem em simultâneo à potência máxima.

Um sistema de gestão dinâmica pode distribuir a potência disponível pelos carros ligados à rede.

Por exemplo, se existirem 20 kVA disponíveis para carregamento, o sistema pode repartir essa capacidade entre os veículos, ajustando automaticamente a potência de cada carregador e evitando sobrecargas.

Esta solução pode permitir a mais condóminos o acesso a carregamento sem ter de dimensionar a instalação para a soma da potência máxima de todos os carregadores.

DPC: carregar em casa com um cartão de mobilidade elétrica

Outra possibilidade destacada no ENVE é o DPC, Detentor de Ponto de Carregamento.

O carregador está ligado à instalação elétrica do condomínio, mas o utilizador paga o carregamento através do seu cartão de mobilidade elétrica, como num posto público.

Este modelo interessa a quem utiliza um carro de empresa: se a empresa fornecer um cartão de mobilidade elétrica, pode utilizá-lo no carregador em casa, sendo o custo pago pela empresa.

O enquadramento desta solução está sujeito a alterações. Deve ser confirmado no momento da instalação.

Criar novo ramal

Há ainda a possibilidade de fazer uma nova ligação à rede elétrica exclusiva para o carregamento. É uma solução complexa e mais cara. Pode implicar novo contador, novo CPE, contrato de eletricidade e potência contratada. Tem, contudo, a vantagem de permitir dimensionar a instalação para uma potência superior e recorrer a soluções de carregamento mais potentes.

 

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