Tesla Full Self-Driving (Supervised) impressiona na estrada, mas ainda comete erros
A condução autónoma continua a ser um objetivo tecnológico e os sistemas disponíveis mostram uma evolução significativa. A Testachats, organização de consumidores parceira da DECO PROteste, fez o primeiro teste em estrada do Tesla Full Self-Driving (Supervised) ao volante de um Tesla Model Y, na Bélgica, onde o sistema já está autorizado. Veja as conclusões.
O Tesla Full Self-Driving (Supervised) ou a Condução automatizada total (Supervisionada) da Tesla revelou um desempenho muito avançado. Durante grande parte do percurso, conduziu quase sem intervenção humana, lidando com autoestradas, trânsito urbano, cruzamentos e mudanças de faixa de forma natural. Mas também revelou limitações importantes. O condutor continua a desempenhar um papel indispensável.
- Conduz quase sozinho.
- Ainda comete falhas graves.
- Condutor continua indispensável.
A condução automatizada deu um salto significativo, mas ainda não chegou o momento em que o automóvel substitui completamente quem está ao volante.
Como foi feito o teste em estrada?
O teste decorreu na Bélgica, entre o centro de entregas da Tesla, em Londerzeel, e o centro de Bruxelas, passando Leuven, Kessel-Lo e Tienen, em colaboração com a Testachats, organização de consumidores parceira da DECO PROteste.
Ao contrário de um circuito fechado, o objetivo foi testar o desempenho em condições reais, enfrentando o que qualquer condutor encontra diariamente, como:
- autoestradas com entradas e saídas frequentes;
- zonas urbanas com tráfego intenso;
- cruzamentos complexos;
- congestionamentos;
- diferentes tipos de sinalização vertical e horizontal.
Esta diversidade permitiu avaliar as capacidades do sistema e a forma como reage perante a imprevisibilidade do trânsito real.
O que impressionou durante a experiência?
Durante o percurso, o Tesla Full Self-Driving (Supervised) revelou um nível de maturidade tecnológica difícil de prever há apenas alguns anos.
O sistema entrou e saiu de autoestradas sem dificuldade, escolheu mudanças de faixa de forma adequada, adaptou a velocidade ao trânsito e reconheceu corretamente semáforos, sinais STOP e outros elementos da circulação na maioria dos cenários.
Em ambiente urbano, navegou por cruzamentos, respeitou prioridades na maioria dos casos e integrou-se de forma natural com os outros utilizadores da estrada. O controlo de velocidade adaptativo demonstrou um comportamento muito fluido em filas de trânsito, evitando acelerações ou travagens bruscas.
Outro fator analisado foi a monitorização do condutor. A câmara instalada no habitáculo verificou continuamente se o olhar permanecia na estrada e emitiu avisos sempre que a atenção diminuía, reforçando a segurança.
Durante a semana de testes com o Tesla Model Y, recebemos inúmeros avisos do sistema quando:
- abrimos uma garrafa de água com as duas mãos;
- olhámos para a estrada, mas com a cabeça inclinada noutra direção;
- olhámos de lado para o exterior durante dois a três segundos.
Resumo do que mais impressionou pela positiva
- Gestão eficaz de entradas e saídas de autoestrada.
- Mudanças de faixa seguras.
- Reconhecimento de semáforos e sinais STOP.
- Boa integração com o trânsito.
- Monitorização eficaz da atenção do condutor.
Onde o sistema falha?
Apesar do desempenho global positivo, o FSD(S) é um sistema de assistência à condução e não de condução autónoma, tal como esclarece a Tesla. Algumas falhas foram pouco relevantes, como hesitações na escolha da faixa ou erros ocasionais de navegação.
Contudo, outras merecem mais atenção. Foram registados comportamentos classificados como graves ou muito graves, entre os quais:
- incumprimento de prioridades em certos cruzamentos;
- ultrapassagens pela direita;
- interpretação incorreta de alguns limites de velocidade;
- utilização inadequada de faixas BUS;
- dificuldades em respeitar sinalização horizontal.
Estes episódios foram pouco frequentes, mas demonstram que o sistema tem dificuldade em lidar com toda a complexidade da infraestrutura rodoviária europeia e continua a depender da intervenção do condutor em situações inesperadas.
Porque continua o condutor a ser o elemento mais importante?
O fenómeno é conhecido na investigação como complacência da automação. À medida que um sistema demonstra competência durante longos períodos, os condutores tendem a confiar cada vez mais na tecnologia, reduzindo de modo involuntário o nível de atenção.
Quando o sistema assume grande parte das tarefas de condução, o papel do condutor muda profundamente. Já não precisa de controlar sempre o carro, mas continua a ser totalmente responsável por ele. Na prática, conduzir um automóvel com um sistema deste tipo exige novas competências:
- manter atenção permanente, mesmo sem intervir;
- conservar consciência de tudo o que acontece em redor do veículo;
- estar preparado para assumir de imediato o controlo sempre que o sistema encontra dificuldades.
A condução supervisionada pode revelar-se mais exigente do ponto de vista psicológico do que muitos condutores imaginam. Não basta deixar o carro conduzir. É necessário permanecer constantemente envolvido na tarefa de condução, mesmo quando tudo corre sem problemas.
A condução autónoma está realmente mais próxima?
O Full Self-Driving (Supervised) da Tesla demonstra progressos reais rumo à condução autónoma. O Tesla Model Y equipado com o sistema enfrentou percursos complexos, navegou em autoestrada e lidou com muitos cenários urbanos com elevado nível de competência. É um dos sistemas de condução supervisionada mais avançados disponíveis.
Um ponto forte é o robusto mecanismo de monitorização da atenção do condutor. Durante os testes, a câmara no habitáculo detetou de forma fiável os momentos em que desviámos o olhar da estrada ou quando as mãos não permaneciam suficientemente próximas do volante, emitindo avisos atempados e adequados. Reforça a segurança e aumenta a confiança do utilizador.
Contudo, há aspetos importantes a melhorar: o sistema interpretou incorretamente limites de velocidade locais, revelou indecisão em mudanças de faixa mais complexas e teve dificuldades em cenários complexos. A tecnologia é muito competente, mas ainda não é infalível, sobretudo no contexto da condução europeia, com regras muito específicas e complexas.
Ainda assim, o FSD(S) é um excelente passo intermédio rumo a uma condução totalmente autónoma. Cada quilómetro com o sistema e, em especial, cada momento em que o condutor é obrigado a intervir gera dados valiosos. A Tesla utiliza este volume de informação para aperfeiçoar os seus modelos de inteligência artificial e de aprendizagem automática, melhorando a capacidade do veículo para lidar com situações cada vez mais complexas com uma intervenção humana cada vez menor.
Como ativar o Full Self-Driving (Supervised)
Para ativar o Full Self-Driving (Supervised), no Tesla Model Y, é necessário visualizar um vídeo de segurança com seis minutos de duração, reproduzido no ecrã do carro. Explica o funcionamento do sistema, as capacidades e as suas limitações, sublinhando que é um sistema de assistência à condução supervisionado e que o condutor deve manter-se atento em todos os momentos. Depois de ver o vídeo, é-lhe pedido que responda a duas perguntas para confirmar que compreendeu estas responsabilidades e a necessidade de supervisão ativa.
Concluído o processo, o FSD(S) fica disponível no automóvel. Pode ativá-lo através dos comandos do Autopilot, normalmente premindo duas vezes para baixo a haste à direita da coluna de direção.
O ecrã indica quando o FSD(S) está ativo através da apresentação de uma faixa colorida. O sistema só funciona quando estão reunidas as condições, como boa visibilidade das câmaras, cinto de segurança posto, tipo de estrada compatível e deteção contínua da atenção do condutor pelo sistema de monitorização.
Para desativar o sistema FSD(S) durante a condução, pode:
- premir o pedal do travão, o que o desativa de imediato;
- exercer uma força contínua ou mais firme sobre o volante para sobrepor o controlo do FSD(S) e retomar a condução manual;
- utilizar o comando do Autopilot ou o ecrã tátil para desligar.
Como é que a Tesla classifica a atenção do condutor
A Tesla utiliza um "sistema de penalizações" para incentivar a utilização responsável das funcionalidades de assistência à condução supervisionada. Monitoriza se o condutor mantém um nível de atenção adequado.
Se detetar falta de atenção (por exemplo, o condutor ignorar os avisos para manter as mãos no volante ou os olhos na estrada), é registada uma penalização. Cada novo episódio de desatenção soma uma nova falta. Após um certo número de penalizações (por exemplo, cinco), a Tesla suspende temporariamente o acesso às funções FSD(S) ou Autopilot.
Normalmente, a suspensão mantém-se durante o resto da viagem em curso. Em casos mais graves ou de utilização indevida repetida, a Tesla pode restringir o acesso às funcionalidades do FSD(S) por um período mais longo ou suspendê-lo totalmente.
Questões frequentes sobre Full Self-Driving (Supervised) da Tesla
Esclareça dúvidas comuns sobre o sistema de apoio à condução mais avançado da Tesla.
Quando pode chegar a Portugal?
O Tesla Full Self-Driving (Supervised) está a ser disponibilizado de forma gradual em vários mercados europeus (Países Baixos, Bélgica e Dinamarca), sempre dependente das autorizações das autoridades competentes.
Até ao momento, não existe qualquer calendário oficialmente anunciado para disponibilizar esta tecnologia em Portugal. A chegada depende da evolução do processo de aprovação regulamentar e da expansão progressiva do sistema na Europa.
O Tesla Full Self-Driving (Supervised) funciona em todas as estradas europeias?
Não. A disponibilização do sistema depende da aprovação das autoridades de cada país e pode variar entre mercados.
O sistema pode ser atualizado remotamente?
Sim. Tal como outros sistemas da Tesla, o Full Self-Driving (Supervised) recebe atualizações de software que introduzem melhorias ou novas funcionalidades.
Porque é que as regras europeias diferem das dos Estados Unidos?
A utilização destes sistemas depende do enquadramento legal e regulamentar de cada mercado. Na Europa, a autorização segue regras específicas e pode variar entre países.
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