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Visibilidade nos carros está pior: conheça os modelos com melhor e pior visão panorâmica

Automóveis citadinos e utilitários destacam-se pela melhor visão exterior, SUVs falham na segurança. Não compre carro sem ver a lista completa de modelos com melhor e pior visão panorâmica no estudo da ADAC.

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27 março 2026
Hyundai i10 na estrada

O progresso nas tecnologias de segurança automóvel é notável nos últimos anos, mas a visibilidade para o exterior tem vindo a piorar em muitos automóveis. A investigação da ADAC, o maior clube automóvel da Europa e parceiro da DECO PROteste, é baseada em mais de 430 automóveis testados entre 2019 e 2025. 

Alertas pedem leitura completa da classificação

  • Visibilidade em redor do automóvel cada vez mais limitada.
  • Grandes diferenças na visibilidade panorâmica entre carros.
  • Pilar dianteiro, o chamado pilar A, da carroçaria demasiado largo oculta outros utilizadores da estrada.
  • Má visibilidade aumenta o risco de acidentes ao virar de direção.
Hyundai i10 e Mini Cooper garantem a melhor vista panorâmica para o condutor. 
Hyundai i10 e Mini Cooper garantem a melhor vista panorâmica para o condutor. 
Um pilar A demasiado largo pode “esconder” outros utilizadores da estrada. 
Um pilar A demasiado largo “esconde” outros utilizadores da estrada. Ilustração: Isabel Espírito Santo.

Ter uma boa visibilidade à volta do automóvel é um fator decisivo para a segurança rodoviária. Em cruzamentos e entroncamentos, uma visibilidade limitada pode provocar acidentes e situações perigosas.

Apesar da evolução da segurança automóvel e do aumento de sistemas de apoio na condução, a visibilidade direta a partir de muitos automóveis de passageiros piorou nos últimos cinco anos. Um estudo de 2019 da ADAC já denunciava limitações significativas na visibilidade panorâmica de muitos carros modernos, sobretudo modelos maiores e mais pesados. Na avaliação mais recente, a tendência continua.

Motivos principais: pilar A muito largo, para-brisas mais inclinado, linha de cintura elevada, frente de carroçaria volumosa e capô longo. O novo estudo confirma esta degradação e destaca as consequências para a segurança devido às condições de visibilidade reduzidas.

Mais de 430 automóveis testados de 2019 a 2025 são a base da avaliação

Nos testes a automóveis, as condições de visibilidade são registadas e avaliadas segundo um método padronizado. Uma máquina fotográfica instalada num boneco de referência reproduz a perspetiva do condutor.

Em seguida, um software específico cria uma imagem panorâmica completa de 360 graus. Todos os obstáculos relevantes no campo de visão são apontados e avaliados de forma automática.

A visibilidade para a frente é avaliada com base nas áreas ocultadas pelo pilar dianteiro. Os especialistas registam de forma autónoma as restrições provocadas pelo pilar A à esquerda e à direita. O pilar esquerdo tem maior peso na avaliação global.

Cinco carros com melhor visibilidade panorâmica

MARCA E MODELO AVALIAÇÃO
Mini Cooper Boa
Hyundai i10 Satisfatória
Audi Q8
Satisfatória
Subaru Outback Satisfatória 
Audi A6 Avant Satisfatória

O Mini Cooper garante uma boa visibilidade global graças às grandes superfícies envidraçadas e ao para-brisas bastante vertical e posicionado mais à frente. No banco do condutor há uma visão clara para a frente, mas é necessário inclinar-se para ver semáforos muito altos.

Ao virar, os pilares A largos podem limitar a visão sobre outros utilizadores da estrada. A frente do carro é apenas parcialmente visível, mas a ponta dos faróis serve de referência. Os obstáculos baixos perto do carro continuam a ser fáceis de identificar.

No Hyundai i10, destaca-se a boa visão do trânsito. Nas manobras e ao estacionar ou sair de estacionamento, é fácil avaliar as dimensões da carroçaria. As limitações surgem nos obstáculos baixos invisíveis nas áreas mais perto do carro. Os sensores de estacionamento atrás de série e a câmara de marcha-atrás opcional ajudam a compensar estas falhas.

Cinco carros com pior visibilidade panorâmica

MARCA E MODELO AVALIAÇÃO
Mercedes-Benz EQT Insuficiente
Porsche Cayenne Insuficiente
Renault Kangoo
Insuficiente
Dacia Jogger Insuficiente 
BMW Série 7 Insuficiente

Os piores resultados devem-se a elementos de conceção que prejudicam a visão para o exterior. Exemplos concretos: linhas de cintura muito elevadas e conceitos de carroçaria do tipo van com pilar A duplo e reforço vertical adicional.

Design e conceção do Renault Kangoo comprometem visibilidade. 
Design e conceção do Renault Kangoo comprometem visibilidade.
Pilar enorme atrás e encostos de cabeça não rebatíveis penalizam Porsche Cayenne. 
Pilar enorme atrás e encostos de cabeça não rebatíveis penalizam Porsche Cayenne.  

No Mercedes-Benz EQT, a visibilidade é insuficiente. Uma das razões é o banco traseiro mais alto do que nas versões com motor de combustão, o que limita a visibilidade para trás. Objetos baixos ou crianças atrás do carro podem ser detetados demasiado tarde ou não ser vistos.

O Porsche Cayenne também recebe nota insuficiente. O vidro traseiro vertical permite perceber o final do carro, mas a visibilidade para a frente é limitada: a extremidade dianteira do capô longo fica fora do campo de visão. A posição de condução elevada contribui, por sua vez, para uma visão razoável do trânsito.

Ângulo morto provocado pelo pilar dianteiro

A maioria dos acidentes acontece em arruamentos dentro das localidades, mas muitos continuam a ocorrer fora das localidades em cruzamentos, entroncamentos ou manobras de viragem com vítimas mortais e feridos graves.

Um dos principais fatores é não ver utilizadores da estrada com prioridade. Ciclistas e motociclistas estão em risco. Poucos carros conseguem uma classificação aceitável neste critério.

Bom resultado para Kia Picanto, mau para Volkswagen ID.3 nos pilares da frente

O Kia Picanto figura entre os melhores. A visibilidade geral do tráfego é adequada, sobretudo graças à altura do banco e às superfícies de vidro grandes. A medição de visibilidade panorâmica confirma uma boa visão para o exterior, ainda que os pilares A, por razões construtivas, não permitam resultados de topo.

No Renault Espace, a visibilidade panorâmica é média. Uma vantagem são os pilares A divididos em duas partes, que permitem uma visão boa para a frente, especialmente ao virar.

Pelo contrário, o Volkswagen ID.3 obtém um resultado insuficiente na avaliação ao nível do pilar dianteiro. O maior problema na zona frontal do campo de visão está na construção do pilar: além do pilar A principal, a barra de reforço adicional aumenta de forma significativa a área de ocultação.

O Toyota Prius também recebe uma classificação insuficiente. A principal razão é o para-brisas muito inclinado e otimizado aerodinamicamente, que aproxima o pilar A do condutor. 

Câmaras não entram na avaliação

A visibilidade direta a partir do carro é um fator de segurança crucial e independente de sistemas eletrónicos. Tem de funcionar sempre, sem depender do tamanho do ecrã, do ângulo da câmara, do software, da sujidade da lente ou de o sistema estar ou não ativado.

As câmaras podem ajudar em manobras ou estacionamento (câmara de marcha-atrás e visão de 360°, por exemplo). No entanto, não substituem a perceção direta do trânsito. Durante a condução, orientar-se através de imagens de câmara exigiria desviar repetidamente o olhar para ecrãs.

Os sistemas de câmara diferem muito entre automóveis em número, ângulo de visão, forma de apresentação no ecrã e lógica de ativação. É difícil comparar diferentes carros de forma objetiva com base nesses sistemas.

Conselhos para consumidores

  • Teste a visibilidade panorâmica antes de comprar um automóvel e compare diferentes modelos. Não confie na experiência de outros condutores, nem nas promessas das marcas. Veja e controle por si mesmo.
  • A perceção da visibilidade não depende apenas do carro. Também depende de fatores individuais, como a altura do utilizador e a posição de condução preferida.
  • Na escolha do carro, teste se é fácil fixar e regular uma posição de condução correta ao nível da ergonomia e com boa visibilidade.
  • Durante a condução, as limitações críticas de visibilidade podem ser reduzidas ou minimizadas com movimentos ativos do tronco e da cabeça, permitindo “ver para além” das zonas ocultas. Esta perceção ativa é muito importante ao virar, ao entrar em cruzamentos e ao iniciar a marcha.

Exigências aos fabricantes de automóveis

  • Os construtores de automóveis devem garantir ao condutor a maior visibilidade possível sem zonas ocultas, protegendo condutores, passageiros e outros utilizadores da estrada.
  • Os requisitos mínimos atuais não são suficientes para responder às exigências reais de segurança no trânsito.
  • A visibilidade direta à volta do carro deve voltar a ser um objetivo relevante de segurança no desenvolvimento de automóveis. A qualidade da visibilidade não pode continuar a ser secundária, nem sacrificada.
  • O desenho dos pilares dianteiros deve focar-se mais na minimização das áreas ocultas no campo de visão principal do condutor.
  • Os sistemas de apoio à condução e câmaras ajudam a compensar lacunas de visibilidade e podem aumentar a segurança, sobretudo a baixa velocidade e em situações de trânsito complexas.
  • O objetivo deve ser garantir uma boa visibilidade através do design do carro e complementá-la com tecnologia. Só assim será possível contribuir de forma duradoura para o aumento da segurança ativa, sobretudo na proteção de utilizadores da estrada mais vulneráveis.

 

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