Carros elétricos familiares no frio: qual chega mais longe em autoestrada?
Os automóveis elétricos estão prontos para longas viagens com a família? A ADAC testou 14 carros familiares grandes a velocidade de autoestrada com temperatura exterior de 0 graus. O Tesla Model Y é o campeão da eficiência, e o BYD Sealion 7 a grande desilusão.
Temperatura gelada, velocidade elevada: nos automóveis elétricos, a autonomia "derrete" com condições adversas. Este nível de stresse para o carro elétrico foi investigado há um ano pela ADAC, o maior clube automóvel da Europa e parceiro da DECO PROteste.
O objetivo da operação de inverno 2026 é apurar a evolução técnica dos automóveis elétricos. O Tesla Model Y conquista um verdadeiro marco na relação entre preço e desempenho: a versão com tração integral custa 52 990 euros e consegue uma autonomia em autoestrada de 406 quilómetros.
Autonomia real em autoestrada: a seleção
Foram selecionados automóveis elétricos que prometem ultrapassar 500 quilómetros seguidos, segundo os valores WLTP. Outro fator essencial: os candidatos têm espaço suficiente para serem considerados automóveis de viagem e familiares.
Os participantes por ordem alfabética: Audi A6 Avant e-tron, BMW i5 Touring, BYD Sealion 7, Hyundai Ioniq 5, Kia EV6, Mercedes-Benz EQE SUV, Opel Grandland Electric, Polestar 4, Porsche Macan, Škoda Elroq, Smart #5, Tesla Model Y, Volvo EX90 e Volkswagen ID.7 Tourer.
Todos anunciam uma autonomia WLTP mínima de 500 quilómetros e todos recebem uma nota positiva no "Habitáculo" e "Bagageira". A lista final inclui 14 carros, o que reflete o progresso da oferta.
O teste de autonomia decorreu a partir do laboratório. Os automóveis arrancaram, um após outro, numa viagem simulada de Munique a Berlim, com temperatura exterior de 0 graus Celsius, o equivalente por cá ao roteiro Grândola (Setúbal) a Bragança. Os engenheiros registaram o percurso pela autoestrada em condução real e adaptaram os dados, incluindo subidas, descidas e trânsito realista. Os carros enfrentaram as mesmas condições sem influência de caprichos meteorológicos ou engarrafamentos.
Duas paragens para 500 km no inverno
O teste prevê paragens para carregar de 20 minutos, no máximo. Nenhum conseguiu percorrer os 585 quilómetros a velocidade de autoestrada com frio de inverno sem parar. A maioria dos automóveis familiares precisa de, pelo menos, duas paragens para carregar e concluir a viagem.
Apenas a Audi A6 Avant e-tron e o Smart #5 chegaram ao destino com uma única paragem de carregamento de 20 minutos.
Marcas anunciam, em média, mais 42% de autonomia do que o valor real
Em condições extremas de inverno, os carros testados percorrem, em média, menos 42% da autonomia face à norma WLTP. O problema repete-se com os dados de consumo.
Nalguns casos, a diferença choca pela negativa. A Opel é o pior exemplo, com uma diferença de 50% para o Grandland Electric. A Tesla é a marca menos otimista e que mais se aproxima do valor apurado no teste com o Model Y Premium Long Range AWD.
| Carro elétrico familiar | Autonomia real (km) | Consumo real (kWh/100 km) | Autonomia após 20 minutos a carregar (km) |
|---|---|---|---|
| Audi A6 Avant e-tron Performance | 441 | 23,2 | 300 |
| Tesla Model Y Premium LR AWD | 406 | 22,2 | 194 |
| Polestar 4 LR SM | 369 | 27,2 | 200 |
| Smart #5 Premium | 361 | 28,9 | 264 |
| Volkswagen ID.7 Tourer Pro Urban | 360 | 23,3 | 203 |
| Volvo EX90 Twin Motor AWD | 360 | 31,6 | 175 |
| BMW i5 Touring eDrive40 | 351 | 25,6 | 184 |
| Opel Grandland Electric 97 kWh | 332 | 27,5 | 153 |
| Porsche Macan | 332 | 28,9 | 214 |
| Mercedes-Benz EQE SUV 350+ | 331 | 30 | 185 |
| Hyundai Ioniq 5 84 kWh RWD | 325 | 27,1 | 231 |
| Škoda Elroq 85 | 315 | 25,5 | 167 |
| Kia EV6 GT-Line 84 kWh RWD | 311 | 28,2 | 222 |
| BYD Sealion 7 Excellence AWD | 293 | 35,3 | 161 |
O quadro confronta a autonomia real no inverno em autoestrada com a autonomia anunciada e destaca os consumos medidos. Todas as marcas anunciam uma autonomia muito superior ao valor medido pelo laboratório.
Audi A6 e-tron vai mais longe com frio
O Audi A6 Avant e-tron na versão Performance vence a corrida com frio extremo. Com um consumo de 23,2 kWh, atinge uns impressionantes 441 quilómetros de condução contínua com temperatura exterior fria e velocidade de autoestrada.
Depois de 3 horas e 49 minutos ao volante, a velocidade média de 116 km/h, foi preciso fazer uma pausa para carregar. Na paragem, o Audi carrega energia suficiente para mais 300 quilómetros em apenas 20 minutos. É um valor muito elevado e superior ao de qualquer outro carro do grupo.
O BMW i5 Touring eDrive40 percorre menos 90 quilómetros de uma só vez, consome mais 2,4 kWh por 100 quilómetros e, na paragem, carrega apenas energia para 184 quilómetros, ou seja, menos 116 quilómetros do que o Audi A6 Avant e-tron.
Smart #5: carrega muito bem, consome muito
No Smart #5, vale a pena olhar com atenção para a capacidade de carregamento. A potência máxima indicada pelo fabricante é de até 400 kW, e o tempo de carregamento rápido (10% a 80%) de 18 minutos.
Ponto negativo: o apetite do Smart por carregamento é limitado pelo posto. A maioria dos postos em autoestrada não disponibiliza mais de 300 kW.
Ponto muito positivo: o carregamento de 10% a 80% demorou 17 minutos e 16 segundos, dentro do prometido pelo fabricante. Recuperou autonomia para 264 quilómetros. O consumo, contudo, não satisfaz: 28,9 kWh é bastante elevado.
Tesla Model Y: o carro mais eficiente
Apesar da tração integral, o Tesla Model Y consome apenas 22,2 kWh de eletricidade por 100 quilómetros. No carregamento e no tamanho da bateria, o Model Y não acompanha o Audi A6 Avant e-tron e o seu avançado sistema de 800 volts.
Na prática, bastaria uma paragem de carregamento ligeiramente mais longa (25 a 30 minutos) para o Tesla Model Y chegar ao destino. Para mais sete automóveis, a segunda paragem de carregamento não teria de durar os 20 minutos completos para concluir o percurso.
BYD Sealion 7 consome 35,3 kWh por cada 100 km
O último lugar é ocupado pelo BYD Sealion 7 AWD Excellence. Com tração integral, não percorre 300 quilómetros com uma carga de bateria.
Em autoestrada, o consumo atinge uns impressionantes 35,3 kWh por 100 quilómetros. A tração integral não é a única explicação. Ainda há uma margem de otimização no sistema das baterias em condições de frio.
O Volvo EX90 também abusa: consome 31,6 kWh aos 100 quilómetros. O tamanho e a aerodinâmica do EX90 não perdoam. O modelo sueco deve à enorme bateria de 107 kWh o facto de conseguir percorrer 360 quilómetros com uma carga.
400 e 800 volts em confronto
Não foi avaliada apenas a autonomia máxima, mas também a rapidez de carregamento e o consumo em autoestrada a baixas temperaturas, um cenário muito exigente para carros elétricos.
A autonomia com 20 minutos de carregamento situa-se, no grupo de teste, entre 150 e 300 quilómetros. Destacam-se sobretudo os veículos com sistema de 800 volts (Audi A6 com 300 quilómetros ou Smart #5 com 264 quilómetros).
O Smart poderia ter obtido um resultado melhor se contasse com a potência máxima de carregamento nos postos. O Tesla também poderia, nos Superchargers da marca, atingir pontualmente potências até 250 kW.
A Volkswagen demonstra a eficácia do carregamento com uma tensão de 400 volts: os engenheiros de Wolfsburg conseguem extrair o máximo desempenho do sistema. O ID.7 Tourer Pro é o único carro com sistema de 400 volts que consegue carregar energia suficiente para mais de 200 quilómetros em 20 minutos.
Os fabricantes como a BMW ou a Mercedes-Benz, cuja próxima geração de baterias com 800 volts está a chegar (Mercedes-Benz GLC, BMW iX3 Neue Klasse, Volvo EX60), vão recuperar terreno rapidamente.
SUV ou carrinha para a família?
Quem precisa de espaço dispõe de muitos SUV grandes com propulsão elétrica. Além da Mercedes, a Smart, BYD, Hyundai, Opel, Porsche, Škoda e Volvo entram em cena com SUV de conceção mais clássica.
Já Kia, Tesla e Polestar apostam numa espécie de SUV coupé, muitas vezes designado "crossover". Por sua vez, Audi, BMW e Volkswagen, com a A6, i5 e ID.7, focam-se em carrinhas clássicas com motorização elétrica.
O SUV, devido à altura elevada, apresenta uma maior resistência aerodinâmica, o que se manifesta em autoestrada. BYD Sealion 7, Mercedes-Benz EQE SUV e Volvo EX90 pagam a pior aerodinâmica com consumos de pelo menos 30 kWh aos 100 quilómetros.
Mais barato, mais autonomia?
O automóvel mais caro deste grupo é o Volvo EX90 AWD, que custa 97 180 euros. O Volkswagen ID.7 Tourer, por 61 789 euros e com uma bateria mais pequena, iguala a autonomia do gigante sueco.
O carro mais acessível é o Škoda Elroq (43 344 euros), que consegue viajar pouco mais de 300 quilómetros. O Tesla Model Y garante a melhor relação entre preço e desempenho: 52 990 euros para a versão com tração integral e autonomia em autoestrada de 406 quilómetros.
A nota da Tesla poderia ser melhor se estivesse disponível um carro de teste com tração traseira. Custa menos 3000 euros e teria alcançado uma autonomia superior
Todos os carros do estudo têm bomba de calor. Já faz parte do equipamento de série de muitos automóveis elétricos. Um baixo consumo de eletricidade não é apenas positivo para a autonomia. Também representa custos mais reduzidos.
Para viajar de forma económica, dê prioridade ao consumo. Os custos de eletricidade no BYD são 60% mais elevados do que no Tesla mais eficiente para a mesma distância.
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