Conímbriga: guia completo para visitar as ruínas romanas, museu e Buracas do Casmilo em Condeixa-a-Nova
Escondida sob a terra durante séculos, a antiga cidade de Conímbriga é um dos sítios arqueológicos mais importantes do período romano na Península Ibérica. A visita é o ponto de partida para explorar a história e a natureza da região de Sicó.
Conímbriga acompanha-nos desde os mais tenros anos, em visita de estudo ou passeio de família. Este sítio convida à visita como se fosse a primeira vez. O Museu Nacional de Conímbriga é um espaço arqueológico que fica num planalto às portas de Condeixa-a-Nova, a apenas 16 quilómetros de Coimbra.
No seu apogeu, esta cidade romana ocupava cerca de 22 hectares e terá albergado entre cinco e seis mil habitantes. Hoje, apenas 14% da sua dimensão está a descoberto, mas não deixa de ser um dos maiores sítios arqueológicos romanos de Portugal e da Península Ibérica.
O Museu Nacional de Conímbriga foi um dos monumentos afetados pela tempestade Kristin, no final de janeiro. Não sofreu danos significativos, mas a visita pode apresentar condicionamentos. Antes de se deslocar, contacte o museu.
Percorrer a antiga cidade romana
É difícil ter a real noção do que foi Conímbriga ao chegar ao local. Como qualquer outro sítio arqueológico, somos impactados por rochas e escavações que apenas uma visita detalhada ao museu pode esclarecer.
Quando entra no complexo, vá primeiro percorrer as ruínas para sentir de perto o local. A Casa dos Repuxos, o ex-libris de Conímbriga, está mesmo ali, mas resista à tentação e deixe-a para o final.
Queremos que a visita seja um crescendo. Em alternativa, siga rumo ao setor mais a sul. Desde logo, vai passar pela Casa da Suástica, assim conhecida pelos mosaicos que exibem esse símbolo, e pela Casa dos Esqueletos, onde foram encontrados restos humanos associados a fases tardias de ocupação.
Conímbriga tinha três complexos de banhos públicos, mas as Termas do Sul são as mais monumentais, com a sua palestrae, um espaço de convívio que servia como uma varanda para a paisagem ao redor.
No Império Romano, Conímbriga não era mais do que uma cidade de província. Porém, estava equipada com todas as infraestruturas características da época: casas para a elite, quarteirões de habitações para o povo (conhecidos como insulae), várias termas, um aqueduto, um anfiteatro e o fórum imperial. Deste último, centro nevrálgico da cidade que congregava os poderes político, religioso e judicial, pouco resta, mas a imensidão está assinalada no terreno e pode ser vista no museu.
A menos de 100 metros deste encontra-se a Casa de Cantaber, o maior edifício privado descoberto no local. Com 3300 metros quadrados, as escavações da Casa de Cantaber aconteceram entre 1937 e 1941, e revelaram inúmeros pátios interiores, salas e termas privadas.
Em contraste, e já a caminho da Casa dos Repuxos, está a Insulae do Aqueduto (assim chamada por estar junto do troço final do aqueduto), um complexo de habitações mais modestas, que se crê que pudesse ter até três pisos, sendo o térreo destinado a espaços comerciais e oficinas, conhecidos por tabernae.
Casa dos Repuxos é a joia da coroa
Conímbriga ganha vida na Casa dos Repuxos. Talvez seja o pátio interior – ou peristilo – repleto de vegetação e água a jorrar de dezenas de pequenos repuxos, ou os mosaicos elaborados onde se destacam figuras mitológicas, como a medusa ou o centauro marinho.
A Casa dos Repuxos personifica o nível de vida privilegiado que existia em Conímbriga, pelo menos, até 465 d.C., altura em que a cidade foi invadida e saqueada pelos bárbaros.
Aliás, terá sido da Casa dos Repuxos que saíram várias das pedras utilizadas, entre 270 e 310 d.C., para construir a segunda muralha defensiva que acabaria por ceder à invasão. Na verdade, existiram várias fases de ocupação daquele planalto. A cidade romana corresponde apenas a um quarto de vida nesta história.
No Museu Monográfico de Conímbriga, encontrará muitas centenas de objetos arqueológicos e uma história que abrange dois milénios, desde o final da Idade do Bronze até à Idade Média. No museu, tem uma visão mais detalhada da Conímbriga romana, através de maquetes, esculturas, estuques, mosaicos e pinturas murais.
Condeixa mesmo ali ao lado
Mas, porque está paredes meias com Condeixa-a-Nova, seria imperdoável não fazer uma paragem. Até para poder visitar o POROS – Museu Portugal Romano em Sicó.
Ocupando um antigo palácio do século XIX, em pleno Parque Verde da Ribeira de Bruscos, este museu é o lugar onde a visita a Conímbriga ganha mais contexto. É aqui que percebemos como a presença romana moldou a região de Sicó.
Em 1200 metros quadrados de área de exposição interativa, percorremos 11 salas que nos conduzem pela história da romanização, desde a chegada dos romanos à Península Ibérica até às marcas que reconhecemos. São explorados temas como a língua, o comércio, o quotidiano, o lazer e o legado que moldou o território.
E vá até ao centro histórico ver o Pelourinho e visitar a Igreja Matriz. Mesmo ao lado está o Palácio dos Figueiredos, um bonito exemplar da arquitetura civil barroca. Com uma bonita fachada, é um lembrete de como a nobreza rural prosperou na zona. Hoje, alberga as instalações da câmara municipal.
É pela cidade que surge a oportunidade de se deliciar com a cozinha do Baixo Mondego. Os pratos à base de caça, o cabrito assado e a doçaria conventual trazem conforto. Procure os restaurantes mais tradicionais e as pastelarias mais antigas, que defendem a simplicidade dos ingredientes e o respeito pela tradição.
Sicó e Buracas do Casmilo, o apelo da paisagem
Porque terão os romanos valorizado tanto Conímbriga e a região de Sicó? Quando caminhamos por Conímbriga, a paisagem não impressiona à primeira vista pela grandiosidade, mas sim pela forma como se deixa ler. O território abre-se em campos agrícolas, intercalados por pequenas elevações e manchas de vegetação que denunciam a longa convivência entre o ser humano e a terra.
Mas esta é uma zona de transição entre a planície fértil do Baixo Mondego e os relevos calcários do maciço de Sicó, e é aqui que a paisagem começa a ganhar mais forma. O território mais rude é marcado por formações geológicas, algares e grutas.
As mais conhecidas são as Buracas do Casmilo, grandes aberturas naturais no Maciço Calcário de Sicó, formadas ao longo de milhares de anos pela ação contínua da água sobre a rocha.
Não são grutas interiores, mas algares a céu aberto. Chamam a atenção pela escala e pela forma. Passam por aqui vários trilhos, a pé ou de bicicleta, que permitem que nos aproximemos destas cavidades naturais e as observemos de diferentes ângulos. O silêncio da natureza, misturado com o som do vento, e a amplitude da paisagem intensificam a experiência.
História e natureza de mãos dadas em Conímbriga
Depois destes caminhos, o regresso a Conímbriga faz-se com um olhar mais apurado. A antiga cidade romana deixa de ser apenas uma ruína para integrar um território mais amplo e antigo, moldado pela natureza e pela presença humana.
Diz-se que existem várias Conímbrigas: a pré e a pós-romana. Mas é esta que vemos hoje, a romana, que nos conquista com pedras dispostas em geometria, colunas que continuam erguidas e mosaicos delicados, pisados milhares de vezes e lentamente esbatidos pela chuva.
É esta Conímbriga que desperta a imaginação e nos leva a viajar até uma época que muitos conhecemos da escola, mas que acaba sempre por se revelar surpreendentemente nova.
Informações úteis para visitar Conímbriga
Em Condeixa-a-Nova, o custo mínimo da viagem a dois, de 10 a 12 de abril, é de 184 euros. Inclui alojamento em hotel de quatro estrelas com pequeno-almoço. Os preços foram recolhidos online, a 4 de fevereiro.
O museu está livre de barreiras arquitetónicas, pelo que permite a entrada a quem tem mobilidade reduzida. O mesmo não acontece na zona das ruínas, que ainda não reúne as condições necessárias para estes visitantes.
Quando visitar as ruínas
As melhores alturas para visitar Conímbriga são a primavera (abril a junho) e o outono (setembro e outubro), quando o clima é ameno. O verão pode ser muito quente, o que dificulta a visita ao ar livre.
Como chegar
Vá de carro pela A1 (saída para Condeixa) ou pelas estradas nacionais. Há estacionamento no local. O comboio é uma alternativa até Coimbra, tendo depois de optar por um autocarro ou táxi até Condeixa-a-Nova e às ruínas.
Horário e bilhetes
O Museu Nacional de Conímbriga pode apresentar condicionamentos, decorrentes da depressão Kristin. Contacte o museu para obter informação atualizada. Está aberto todos os dias, das 10:00 às 18 horas. O bilhete custa 10 euros.
O que vestir
Para visitar as ruínas e fazer os trilhos das Buracas de Casmilo, leve calçado confortável e adequado a caminhadas em terreno irregular.
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