Consulta do viajante: online é boa e mais barata que as presenciais
A consulta do viajante é recomendada antes de partir para certos destinos. A DECO PROteste testou 23 serviços privados, incluindo consultas online, e concluiu que estas podem custar até três vezes menos, sem comprometer a qualidade dos cuidados prestados. De 2025 para 2026, o preço da generalidade das consultas do viajante subiu, em média, 6,4 por cento.
A DECO PROteste realizou um estudo sobre consultas do viajante privadas. Colaboradores da organização de defesa dos consumidores realizaram anonimamente, ou seja, sem se identificarem como tal, 23 consultas do viajante, presenciais e online, em clínicas e hospitais privados. Uma das principais conclusões do estudo é que as consultas online podem custar três vezes menos do que as presenciais, sem perder em qualidade.
A consulta do viajante é imprescindível sempre que a viagem inclua países em desenvolvimento ou com clima tropical, como Caraíbas, Peru, Tailândia, Indonésia, Angola, Quénia, etc. O mesmo acontece em viagens de longa duração ou em condições adversas, como altitudes elevadas ou temperaturas extremas. Pessoas com determinadas doenças crónicas (por exemplo, diabetes e insuficiência cardíaca) ou que pertençam a grupos de risco, como grávidas, crianças e idosos, devem também recorrer a este serviço, para prevenir complicações de saúde.
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) disponibiliza a consulta do viajante e centros de vacinação internacional um pouco por todo o País, incluindo Açores e Madeira. Pode também encontrar a consulta do viajante em clínicas e hospitais privados. Caso procure uma solução mais cómoda, existem clínicas que disponibilizam a consulta do viajante online. Conheça a seguir os resultados do estudo da DECO PROteste.
Qual é a melhor consulta do viajante privada?
Para a experiência geral, é importante a informação transmitida no ato da marcação ou a pontualidade do médico. No entanto, o parâmetro mais relevante na avaliação destas consultas é, sem dúvida, a consulta em si. Conta para esta análise, por exemplo, a atenção dada à história clínica do viajante.
É importante também a recolha de informações gerais sobre a viagem. Cada deslocação tem riscos diferenciados associados ao destino, à altura do ano, à duração, ao tipo de atividades (mergulho, por exemplo) e às condições de alojamento. A avaliação prévia e personalizada permite ao profissional identificar riscos sanitários específicos (por exemplo, malária em zonas rurais, riscos associados ao consumo de água ou alimentos contaminados) e avaliar a necessidade de vacinação preventiva ou tratamento com medicamentos para doenças como a febre tifoide, a hepatite A ou a malária.
A DECO PROteste concluiu que, em geral, as consultas do viajante de entidades privadas, sejam online ou presenciais, são realizadas com elevado grau de conhecimento no aconselhamento acerca de vacinas, tratamento das principais doenças tropicais e profilaxia da malária. Tal como pode verificar no quadro abaixo, este parâmetro foi exemplarmente cumprido em todas. As avaliações correspondem às visitas feitas anonimamente pelos colaboradores da organização de defesa de consumidores, em 2025. Já os preços foram atualizados telefonicamente, em junho de 2026. Estes contactos permitiram também verificar que a clínica Joaquim Chaves de Entrecampos (Lisboa) deixou de disponibilizar consultas do viajante – o preço indicado no quadro é da clínica de Miraflores (concelho de Oeiras) do mesmo grupo.
| Local | Qualidade Global | Resultados | ||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Consulta do viajante | Preço por consulta (€) | Marcação da consulta | Pontualidade | Recolha de dados sobre o tipo de viagem | História clínica do viajante | Vacinação e profilaxia da malária | Informação sobre prevenção e riscos | Informações complementares | ||
| Consulta do Viajante Online | Online | ![]() |
50 | ![]() |
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| CODOVI | Online | ![]() |
37 | ![]() |
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| Samar Clinic | Online | ![]() |
45 | ![]() |
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| Trofa Saúde Boa Nova | Alijó | ![]() |
90 | ![]() |
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| Doutor em Casa | Online | ![]() |
60 | ![]() |
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| Hospital de Santa Maria – Porto | Porto | ![]() |
100 | ![]() |
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| Affidea Setúbal | Setúbal | ![]() |
65 | ![]() |
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| Hospital Fernando Pessoa | Gondomar | ![]() |
90 | ![]() |
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| Hospital CUF Porto | Porto | ![]() |
125 | ![]() |
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| AlmadaCare | Almada | ![]() |
80 | ![]() |
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| Hospital da Luz Arrábida | Vila Nova de Gaia | ![]() |
90 | ![]() |
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| Blueberry Clinic | Loures | ![]() |
90 | ![]() |
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| Hospital da Luz | Lisboa | ![]() |
110 | ![]() |
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| Clínica São João de Deus | Lisboa | ![]() |
60 | ![]() |
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| Instituto de Higiene e Medicina Tropical | Lisboa | ![]() |
75 | ![]() |
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| Hospital Lusíadas Porto | Porto | ![]() |
92 | ![]() |
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| Clínica CUF Almada | Caparica | ![]() |
125 | ![]() |
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| Netdoc | Online | ![]() |
39 | ![]() |
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| Dr.Online | Online | ![]() |
39 | ![]() |
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| Clínica Médica do Porto | Porto | ![]() |
60 | ![]() |
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| Clínica Feminis | Lisboa | ![]() |
60 | ![]() |
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| Joaquim Chaves Saúde – Clínica de Entrecampos | Lisboa | ![]() |
90* | ![]() |
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| Clínica Espregueira – Estádio do Dragão | Porto | ![]() |
80 | ![]() |
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O estudo permitiu chegar às seguintes conclusões acerca dos preços:
- as consultas online apresentam um custo médio mais baixo (51,43 euros) em comparação com as presenciais (85,13 euros);
- fazer a consulta do viajante online possibilita uma poupança média de cerca de 34 euros;
- a consulta mais barata é realizada online, por 37 euros (CODOVI), enquanto as mais caras são presenciais na Clínica CUF Almada e no Hospital CUF Porto, por 125 euros; assim, se optar por pela primeira, que pode ser realizada em qualquer zona do País, poupa 88 euros e ainda fica ligeiramente mais bem servido;
- a maior disparidade de preços encontra-se entre as consultas presenciais em Lisboa, que vão desde 45 a 110 euros.
A maioria das unidades de saúde analisadas não alteraram os preços de 2025 para 2026. Das que o fizeram, algumas aumentaram dois ou três euros, mas também houve quem passasse de 88 para 125 euros (Hospital CUF Porto) e de 103 para 125 euros (Clínica CUF Almada). Daí que o preço médio seja agora 6,4% superior ao do ano passado.
As consultas online continuam bastante mais baratas, mas registaram um maior aumento percentual (7,5%) do que as presenciais (6,2 por cento).
Informação nunca é demais
Apesar de na generalidade das consultas avaliadas terem sido transmitidas, de forma satisfatória, as informações essenciais para os viajantes, há espaço para melhoria.
Há informações complementares que podem proporcionar ao utente uma sensação acrescida de segurança e autonomia durante a viagem, especialmente se for de longa duração ou em zonas com acesso limitado a cuidados médicos.
Por isso, o estudo da DECO PROteste valorizou também os serviços que prestaram informação sobre:
- os sistemas de saúde locais (hospitais, clínicas, farmácias, linhas de apoio, etc.);
- a importância de contratar um seguro de saúde ou de viagem com cobertura para assistência médica;
- o registo na app Registo Viajante, promovida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Nesta aplicação para telemóvel pode registar as suas viagens internacionais, facilitando a ação das autoridades portuguesas em situações de emergência com cidadãos nacionais no estrangeiro.
A inclusão destas informações traduz uma abordagem mais abrangente e preventiva, pelo que a DECO PROteste recomenda que estes aspetos sejam padronizados e parte integrante das consultas. Infelizmente, muitos serviços falharam na transmissão destas informações.
Como foi feito o estudo?
A DECO PROteste utilizou a técnica de cliente-mistério, em que colaboradores da organização efetivamente marcaram e utilizaram o serviço. Os colaboradores, jovens adultos, apresentaram-se como estando a planear uma viagem solitária, de mochila às costas, por vários países do Sudoeste Asiático, incluindo zonas rurais e urbanas.
Durante a consulta, seguiram um guião elaborado pela DECO PROteste com base neste cenário. Posteriormente, foram avaliados critérios como a clareza da informação fornecida e a adequação das recomendações (vacinas, medicamentos, etc.). Os resultados desta avaliação devem ser encarados como uma "fotografia do momento", ou seja, representam uma análise pontual do atendimento que foi prestado aos viajantes.
Foram realizadas 23 consultas do viajante, sete online e 16 presenciais: oito no distrito do Porto, cinco em Lisboa e três na região de Setúbal. Tinha sido agendada mais uma consulta online, mas esta acabou por não se realizar, por falta de comparência do médico, não tendo sido incluída no estudo.
Para que serve a consulta do viajante?
A consulta do viajante existe para minimizar os riscos com a saúde durante deslocações para fora do País. Nestas consultas é fornecida informação destinada a promover comportamentos preventivos no local de destino. Por exemplo, quanto à alimentação, à proteção contra insetos, ao vestuário, etc. Se necessário, são também administradas vacinas e/ou prescritos medicamentos com vista a reduzir o risco de doença durante a estada, ou até após o regresso.
Trata-se também de um importante meio de proteger a saúde pública. Ao regressar com uma doença erradicada ou sem histórico em Portugal, mesmo que sem sintomas, poderá propagar a mesma pelo seu círculo de contactos e, daí, para a comunidade.
Como marcar consulta do viajante pelo SNS?
Pode consultar no portal do SNS a lista dos serviços existentes. Verifique os contactos do serviço que pretende utilizar e faça a marcação, por e-mail, preferencialmente, ou por telefone.
Se preferir fazer a consulta num serviço privado, contacte as unidades de saúde mais próximas de si para saber se oferecem o serviço, ou procure na internet sites que ofereçam a consulta do viajante online.
Quanto custa a consulta do viajante no SNS?
As consultas do viajante no SNS são gratuitas. No privado, os preços diferem muito.
Conte ainda, se necessário, com o valor das vacinas, cobrado à parte tanto no privado como no SNS, e dos medicamentos.
Se tem um seguro de saúde, verifique se tem a cobertura de consulta do viajante (pode estar integrada na medicina online). Compare preços e veja se consegue poupar.
Seguros de viagem podem também oferecer esta consulta; informe-se antes de subscrever. Muitas vezes, o seguro de viagem não é abordado nas consultas do viajante, mas pode ser importante na deslocação para certos destinos.
Quando marcar a consulta?
A consulta do viajante deve ser realizada quatro a oito semanas antes da viagem. No SNS, o tempo de espera pela consulta pode chegar a dois meses. Para evitar contratempos, agende com bastante antecedência.
Seja no SNS ou em clínicas e hospitais privados, incluindo online, o mais seguro é marcar a consulta assim que tenha a data da sua viagem confirmada.
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