Renault Twingo E-Tech: o carro elétrico ideal para a cidade?
No Renault Twingo, a marca aposta no design retro. Mas o pequeno carro elétrico pretende ser mais do que simpático: quer ser prático e adequado ao dia-a-dia. Consegue? O primeiro ensaio responde. Custa a partir de 19 490 euros.
Carros novos com carisma são uma espécie em vias de extinção. Quase todos os automóveis recentes tentam seduzir com uma imagem desportiva e são apresentados dessa forma. O novo Renault Twingo muda as regras do jogo.
- Design retro inspirado no Twingo original.
- Conceito interior versátil.
- Preço abaixo de 20 mil euros.
O Renault Twingo já era diferente quando foi apresentado em 1992: um pequeno automóvel urbano sem qualquer pretensão desportiva. Conquistava pela aparência simpática. Para alguns era apenas um segundo carro prático; para outros (o meu caso), o primeiro automóvel depois de tirar a carta de condução. Todos gostavam do Twingo.
Novo Renault Twingo apenas elétrico
A quarta geração do citadino francês chega com motorização 100% elétrica e carroçaria de cinco portas. É uma das poucas propostas do género. Os principais rivais do Twingo são Citroën ë-C3, Dacia Spring, Fiat Grande Panda, Hyundai Inster e Leapmotor T03.
Foi desenhado em França, desenvolvido na China e produzido na fábrica da Renault em Novo Mesto, na Eslovénia. O maior argumento de venda é o preço: menos de 20 mil euros.
Interior prático e muito versátil
Ao contrário do modelo original, a nova geração do Renault Twingo tem cinco portas. A descontração que a marca pretende transmitir começa nas cores exteriores. Além do preto, cinzento e branco, pode encomendá-lo em amarelo, vermelho ou verde. Dianteira e traseira, com grupos óticos marcantes, mantêm a aparência simpática.
As cinco portas e os 3,79 metros de comprimento dão-lhe um perfil mais adulto. O Twingo dos anos 90 tinha apenas 3,43 metros.
A Renault manteve o elemento mais prático do Twingo original: o banco traseiro deslizante. Pode deslocar os bancos traseiros individualmente até 17 centímetros, o que permite adaptar o espaço às necessidades. Se os empurrar totalmente para a frente, a bagageira passa de 205 para 305 litros.
Com dois adultos na fila traseira, os bancos podem ser deslocados para trás para aumentar o espaço de pernas. Quatro ocupantes e bagagem exigem um equilíbrio entre conforto e capacidade.
O encosto do banco do passageiro dianteiro também pode ser rebatido, criando uma superfície de carga estreita com dois metros de comprimento, ideal para uma estante ou uma prancha de surf.
Além disso, há um compartimento de 50 litros sob o piso da bagageira para o cabo de carregamento, o kit de primeiros socorros e o triângulo de sinalização.
Desempenho, autonomia e consumo do Twingo elétrico
A potência de 82 cv. é suficiente. Os números indicam uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 12,1 segundos e uma velocidade máxima de 130 km/h, mas nunca transmite falta de potência. Tal deve-se ao peso reduzido de 1275 quilos.
Durante acelerações fortes em asfalto seco, as rodas dianteiras perderam aderência várias vezes, sugerindo que a escolha dos pneus privilegiou a eficiência, em detrimento da tração.
Durante o ensaio, com temperaturas em torno de 17°C, o consumo indicado pelo computador de bordo situou-se entre 11,2 e 11,7 kWh/100 km, abaixo dos 12,2 kWh/100 km do ciclo WLTP.
A bateria foi dimensionada para ser compacta e económica. A autonomia homologada WLTP é de 263 quilómetros. Este valor poderá ser inferior em função do estilo de condução e das condições exteriores.
A suspensão privilegia o conforto. Apenas buracos mais profundos e juntas pronunciadas conseguem perturbar esse equilíbrio.
A direção responde bem, e a manobrabilidade é excelente. Com 9,90 metros de diâmetro de viragem, o Twingo é muito ágil em cidade.
Equipamento das versões Evolution e Techno
No interior, o Twingo tornou-se totalmente digital. Está disponível em duas versões: Evolution, desde 19 490 euros, e Techno, desde 21 090 euros.
A primeira inclui de série:
- painel de instrumentos digital de 7 polegadas;
- ecrã tátil central de 10,1 polegadas;
- bancos traseiros independentes deslizantes e rebatíveis;
- compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto.
A navegação e o controlo por voz da Renault estão disponíveis apenas na versão Techno.
Uma pessoa com 1,80 metros de altura encontra espaço suficiente, e o banco do condutor tem regulação em altura.
A qualidade de construção é adequada. Embora não existam materiais macios ou revestimentos almofadados, os designers trabalharam os plásticos de forma a evitar uma aparência demasiado económica.
O suplemento de 1600 euros para a versão Techno é muito recomendável. Inclui quase tudo o que um condutor pode desejar:
- vidros traseiros e óculo traseiro escurecidos;
- 4 modos de travagem regenerativa, incluindo função one-pedal;
- acabamentos na cor da carroçaria;
- sistema de som de melhor qualidade (Arkamys Auditorium com 6 altifalantes);
- câmara traseira.
Em viagens mais longas, destaca-se o Google integrado, que inclui navegação, planeamento de carregamentos e pré-condicionamento da bateria.
A versão Techno inclui ainda:
- cruise control adaptativo;
- ar condicionado automático;
- espelhos retrovisores exteriores com desembaciamento, ajuste elétrico e rebatimento automático;
- acendimento automático dos faróis com comutação automática dos máximos/médios.
Carregamento com contenção de custos
Ao contrário da versão mais acessível do Renault 5 E-Tech, o Twingo aceita carregamento rápido de série. Ainda assim, não impressiona:
- carregamento AC: até 11 kW;
- carregamento DC: até 50 kW.
Para a utilização típica como segundo carro da família ou para deslocações diárias, estes valores são suficientes.
O Renault Twingo é uma proposta muito atrativa no segmento dos pequenos elétricos, sobretudo na versão Techno. Ao contrário do Twingo original, o novo não deverá contar, na fase inicial, com uma versão de teto de abrir em lona.
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