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Doença celíaca: que sintomas devem levantar suspeitas?

Diarreia, dor abdominal e inchaço são alguns sintomas da doença celíaca, desencadeada pela ingestão de glúten, presente em alguns cereais. Mas será o mesmo que intolerância ao glúten? Saiba reconhecer os sinais em adultos e crianças, que exames permitem confirmar o diagnóstico e qual é o único tratamento eficaz.

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30 outubro 2026
Pessoa sentada num sofá amarelo, com as mãos sobre o abdómen e um esgar de sofrimento, numa sala com estantes ao fundo.

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A doença celíaca pode manifestar-se através de sintomas gastrointestinais, mas também por sinais menos evidentes, como cansaço ou anemia, e que variam nos adultos e crianças.

Veja adiante quais são os sintomas e os exames específicos para o diagnóstico e o único tratamento eficaz, que consiste numa dieta rigorosamente isenta de glúten. 

O que é a doença celíaca?

É uma doença autoimune desencadeada pela ingestão de glúten — uma proteína presente em cereais como trigo, centeio e cevada — em pessoas geneticamente predispostas.

Quando um celíaco consome glúten, ocorre uma reação do sistema imunitário que provoca inflamação e lesa a mucosa do intestino delgado, causando sobretudo distúrbios gastrointestinais (como diarreia, obstipação, náuseas, distenção e dor abdominal). 

Ao afetar a camada interna da parede do intestino (mucosa), a doença celíaca reduz a capacidade de absorção de nutrientes e aumenta o risco de desenvolver outras doenças como osteoporose ou linfoma intestinal.  

O tratamento passa por uma alimentação rigorosa sem glúten, sob pena de ter efeitos graves. 

As manifestações clínicas da doença e a sua gravidade variam consoante a idade, o grau de sensibilidade e a quantidade de glúten ingerida. Ainda assim, não se deve confundir a doença celíaca com intolerância ao glúten.

A intolerância ao glúten é a mesma coisa?

Há quem use intolerância ao glúten como sinónimo de doença celíaca, mas está errado.

Como referido, a doença celíaca é uma doença autoimune crónica em que o glúten é totalmente contraindicado.

Mas nem todas as pessoas que apresentam sintomas após consumir glúten têm doença celíaca. 

Existem formas diferentes de sensibilidade ao glúten e ao trigo que não são doença celíaca.

  • Intolerância ou sensibilidade ao glúten: geralmente, os sintomas, como a dor e/ou inchaço abdominal, alterações intestinais, entre outros, começam algumas horas ou dias após a ingestão de glúten.
  • Alergia ao trigo: os sintomas começam minutos a horas após a ingestão de trigo e podem incluir manifestações de alergia grave (anafilaxia) com dificuldade a respirar, tosse, inchaço da boca e língua. Não existe alergia ao glúten.

As pessoas com este tipo de intolerância ou alergia devem evitar os alimentos que lhes provocam distúrbios. Perante alguns sintomas e suspeitas (ver a seguir), o diagnóstico da doença celíaca deve ser confirmado através de exames adequados antes de iniciar uma dieta sem glúten.

Quais são os sintomas da doença celíaca?

A doença celíaca pode manifestar-se em qualquer idade, desde que o glúten já tenha sido introduzido na alimentação.

É habitual surgir entre os 6 e os 24 meses de idade, algum tempo após a introdução de alimentos com glúten na alimentação do bebé (papas, pão, bolachas, entre outros).

Os sintomas diferem frequentemente entre crianças e adultos. Enquanto nos mais novos predominam as queixas gastrointestinais, nos adultos, além dos sintomas descritos nas crianças, podem surgir outros menos fáceis de associar à doença. Nos adultos, esta doença apresenta-se muitas vezes com queixas gastrointestinais passageiras, mas pode desencadear outros problemas e queixas, como pode ver na tabela.

SINTOMAS DA DOENÇA CELÍACA EM CRIANÇAS E ADULTOS
Crianças Adultos
Sintomas gastrointestinais: diarreia crónica ou obstipação; fezes gordurosas, volumosas, pouco consistentes; distensão abdominal; dor abdominal; vómitos; diminuição do apetite Sintomas gastrointestinais: diarreia crónica ou obstipação; fezes gordurosas, volumosas, pouco consistentes; distensão abdominal; dor abdominal; vómitos; diminuição do apetite
Atraso no crescimento; perda ou aumento insuficiente de peso; atraso da primeira menstruação (menarca) Alterações hormonais que podem afetar a fertilidade; abortos recorrentes; menopausa precoce; défices de vitaminas e cálcio; osteoporose prematura
Pequenas bolhas vermelhas na pele (dermatite herpetiforme, por vezes, em crianças); anemia por deficiência de ferro; alterações do esmalte dentário; dores articulares; cansaço crónico; aftas recorrentes na boca Pequenas bolhas vermelhas na pele (dermatite herpetiforme, mais comum nos adultos); anemia por deficiência de ferro; alterações do esmalte dentário; dores articulares; cansaço crónico; aftas recorrentes na boca
Alteração do comportamento (agressividade, alterações do humor); ansiedade; depressão; problemas do sono; dor de cabeça recorrente Alteração do comportamento (agressividade, alterações do humor); ansiedade; depressão; problemas do sono; dor de cabeça recorrente

Que exames são necessários para diagnosticar a doença celíaca?

O diagnóstico baseia-se em análises ao sangue que incluem marcadores genéticos e testes de anticorpos. Após esta fase, é realizada uma endoscopia digestiva alta e uma biópsia do intestino para confirmar o diagnóstico.

É importante manter a alimentação habitual até à realização dos exames. Eliminar o glúten antes do diagnóstico pode comprometer os resultados.

COMO DIAGNOSTICAR A DOENÇA CELÍACA
Etapa Objetivo
Anamnese Avaliação da história clínica e dos sintomas
Análises sanguíneas Identificar os marcadores genéticos HLA-DQ2 e HLA-DQ8 e os anticorpos tTG IgA e péptido gliadina desaminada IgG.
Endoscopia digestiva alta com biópsia intestinal Confirmar o diagnóstico.

Como se trata a doença celíaca?

A doença celíaca é uma doença sem cura, cujo tratamento passa por uma alimentação rigorosa sem glúten.

Isto implica excluir da alimentação o trigo, o centeio, a cevada, o malte e o extrato de malte, bem como todos os produtos que contenham estes ingredientes: massas, pão, produtos de pastelaria, bolachas, biscoitos, cereais de pequeno-almoço e batatas fritas de pacote com sabores (por causa dos aditivos). Mas há muitos outros alimentos e bebidas que requerem máxima atenção.

Veja em detalhe o que comer e o que evitar, quando se tem a doença celíaca. 

Nas compras, é essencial verificar os rótulos dos alimentos para ter a certeza de que estão isentos de ingredientes e aditivos que podem representar um risco para os celíacos.

A dieta deve ser seguida de forma rigorosa e sem comprometer o equilíbrio nutricional representado na roda dos alimentos, procurando substituir alguns alimentos por outros do mesmo grupo alimentar.

Dieta sem glúten: faz sentido para quem não é celíaco?

A dieta sem glúten é o único tratamento eficaz para a doença celíaca, mas também se tornou popular entre pessoas que não têm a doença. Há quem elimine esta proteína da alimentação para emagrecer, melhorar a digestão ou prevenir problemas de saúde.

No entanto, retirar o glúten da alimentação sem indicação médica não traz benefícios comprovados para a população em geral. Além disso, excluir determinados cereais pode reduzir o consumo de nutrientes importantes, sobretudo quando não são substituídos por alternativas nutricionalmente equivalentes.

Eliminar o glúten ajuda a emagrecer?

Não existem provas científicas suficientes de que uma dieta sem glúten, por si só, favoreça a perda de peso.

Algumas pessoas que eliminam o glúten referem melhorias digestivas ou perda de peso. Contudo, estes resultados podem estar relacionados com outras alterações alimentares, nomeadamente a redução do consumo de produtos processados, como bolos, bolachas, refeições pré-preparadas e molhos, frequentemente ricos em gordura, açúcar ou sal.

Assim, os eventuais benefícios na perda de peso podem resultar de uma redução indireta no consumo de calorias e de hidratos de carbono simples e não da exclusão do glúten.

Uma dieta sem glúten é mais saudável?

Não necessariamente. Para quem não tem doença celíaca ou outra condição que justifique a exclusão do glúten, não existem benefícios comprovados em eliminar esta proteína da alimentação.

Um estudo científico publicado no British Medical Journal, que acompanhou cerca de 100 mil pessoas durante 24 anos, não encontrou uma associação significativa entre o consumo de glúten e o risco de doença coronária. Pelo contrário, os investigadores observaram que as pessoas que consumiam alimentos com glúten também tendiam a ingerir mais cereais integrais, importantes para a saúde cardiovascular.

Além disso, ainda não se sabe se a dieta sem glúten pode desencadear intolerância a esta proteína, em pessoas que não têm doença celíaca.

Antes de eliminar o glúten da alimentação, sobretudo se existirem sintomas digestivos, é importante procurar aconselhamento médico. A exclusão desta proteína antes da realização dos exames pode dificultar o diagnóstico da doença celíaca.

Questões frequentes sobre a doença celíaca

Esclareça mais dúvidas sobre a doença celíaca.

O glúten só está presente no trigo, no centeio e na cevada?

Não. Pode estar presente em alguns ingredientes e aditivos presentes nos alimentos processados. É, por isso, importante que os celíacos saibam quais são os alimentos com glúten e o tipo de alimentos onde pode estar presente. Ler o rótulo dos alimentos é a forma mais segura de não correr riscos.   

A doença celíaca tem cura?

Não existe até à data cura. O único tratamento eficaz consiste numa dieta rigorosamente isenta de glúten.

Doença celíaca e intolerância ao glúten é a mesma coisa?

Não. A doença celíaca é uma doença autoimune que provoca lesões no intestino delgado quando há ingestão de glúten.

Não se deve confundir com a alergia ao trigo e a sensibilidade ao glúten não celíaca. Algumas pessoas podem ter queixas abdominais após ingerir alguns cereais, mas não terão lesões intestinais características da doença celíaca.

Quais são os primeiros sintomas da doença celíaca?

Não existe um conjunto de sintomas igual para todas as pessoas. Em algumas, pode até passar despercebida.

Nas crianças, são frequentes problemas gastrointestinais, como diarreia, cólicas ou distensão abdominal.

Já nos adultos, podem surgir outros sintomas menos específicos, como alterações hormonais que podem alterar a fertilidade e menopausa precoce, causar osteoporose prematura, entre outros.

Existem apoios para pessoas com doença celíaca?

Em determinadas situações, os doentes celíacos podem beneficiar de apoios e bonificações e enquadrar alguns gastos com produtos sem glúten como despesas de saúde na declaração de IRS.

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