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Ensino da língua gestual portuguesa nas escolas: sim ou não?

O ensino da língua gestual portuguesa nas escolas – obrigatório ou como opção – pode ser uma forma de encurtar a distância entre os surdos e os ouvintes? Que barreiras transformam o dia-a-dia das pessoas surdas numa gincana ingrata e sem fim? Debate em mais um episódio do podcast POD Pensar, moderado por Aurélio Gomes.

26 agosto 2022
Língua Gestual Portuguesa nas escolas

Os surdos não oralizados portugueses falam uma língua própria: a língua gestual portuguesa (LGP). “A maioria das pessoas ouvintes não sabe falar essa língua, o que torna a comunicação praticamente impossível. Não entendo porque não ensinam língua gestual nas escolas”, lê-se na petição criada por Ana Caridade, de nove anos e ouvinte, que frequenta o quarto ano de escolaridade e tem um desejo: que o ensino da LGP se torne disciplina obrigatória para os alunos do primeiro ao sexto ano de escolaridade. Para que a quimera se pudesse transformar em realidade, criou uma petição online, que já conta com mais de 11 mil assinaturas e ganhou, por isso, livre trânsito para ser discutida na Assembleia da República.

Foi este o mote para mais um episódio do podcast POD Pensar, intitulado "A minha pátria é a língua gestual portuguesa". Aurélio Gomes conversou com Carla Jesus, representante da Comissão para a Defesa da Língua Gestual Portuguesa, da Federação Portuguesa das Associações de Surdos, que esteve acompanhada da sua tradutora de LGP, Cidália Jesus, e com Carmen Garcia, mãe do Pedro, uma criança surda, enfermeira, autora do famoso blogue A Mãe Imperfeita e cronista do jornal Público.

Sociedade ainda tem de fazer o caminho da inclusão

Por muitos avanços que tenham sido feitos em prol de uma sociedade mais inclusiva, a verdade é que esta mesma sociedade ainda coloca aos ombros das pessoas surdas um esforço contínuo para se adaptarem ao mundo, maioritariamente composto por pessoas ouvintes e falantes, desabafa Carla Jesus. A aprendizagem da LGP, "desde a pré-primária", é uma forma de obrigar a sociedade “ouvinte” a fazer também o seu caminho para se adaptar, e não exigir – ou esperar – sempre o contrário. "Eu sou surda, é essa a minha natureza." 

Carmen Garcia lembra que o filho, apesar de oralizado (está implantado), não deixa de ser surdo profundo. Daí a importância fulcral de aprender LGP. Mas é surdo, "como é moreno". E tanto mais. Dá por si a olhar para o filho a brincar com as outras crianças e já não pensa só na surdez, como ao início, na altura do diagnóstico. "Ele é tanto."

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Este episódio do POD Pensar está disponível com tradução para LGP no YouTube.

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