Rota dos Templários: o que visitar em três dias por Tomar, Ourém, Dornes, Sertã, Abrantes e Almourol
Tomar é o ponto de partida e Almourol o destino. Durante três dias, descubra a marca que os templários deixaram na região do Médio Tejo. Dos conventos aos castelos, a história resiste ao tempo.
Gualdim Pais talvez desperte a memória dos livros da escola. Figura incontornável da História, foi o emblemático mestre da Ordem do Templo no Reino de Portugal.
O seu legado, à frente dos templários, está impresso em vários pontos do País contemporâneo, mas tem a maior expressão em Tomar, cidade que fundou e tornou sede da ordem. É o ponto de partida do roteiro de três dias.
Dia 1: da Charola ao tijolo mudéjar
Ao chegar a Tomar, somos logo atraídos para o Convento de Cristo, um monumento que, com o castelo ao lado, foi classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 1983.
Gualdim Pais mandou construir aquela fortaleza, bem como a Charola, no século XII, esta última inspirada na Igreja do Santo Sepulcro de Jerusalém, que servia de oratório e de posto de vigia militar. Ao entrar no templo, estará no coração do Convento de Cristo. Segundo uma tradição, os cavaleiros-monges assistiriam aqui à missa montados nos seus cavalos. Hoje, neste espaço circular, de teto alto, o bater dos cascos é substituído pelo eco das vozes e dos passos dos visitantes.
Depois da extinção da Ordem do Templo, no século XIV, seis governações deixaram marca no Convento de Cristo. Resultado: oito claustros, a sacristia de estilo maneirista e a icónica Janela do Capítulo. Para ter uma visão única desta janela manuelina, vá ao Grande Dormitório e procure a pequena cela voltada para ela. Depois da visita, desça pela Mata dos Sete Montes em direção ao centro histórico.
Já no centro, passe pela Levada de Tomar, onde está o Centro Interpretativo Tomar Templário, pela Casa dos Cubos e pela Igreja de São João Baptista. Não deixe a cidade sem ir à Igreja de Santa Maria do Olival, onde encontra o túmulo de Gualdim Pais.
Ourém é a próxima paragem. Apesar de estar em território templário, o Castelo de Ourém não é de origem templária, mas integrou a sua linha defensiva. Foi para aqui que D. Afonso, quarto conde de Ourém, trouxe o tijolo mudéjar e o estilo renascentista italiano. Suba à vila medieval por calçadas de pedra e visite o Paço dos Condes e a cripta da Colegiada, um exemplar único da arquitetura gótica.
Dia 2: miradouros sobre o Zêzere e o Tejo
Saia cedo, rumo ao vale do Zêzere. Fixada numa pequena península que se projeta no rio, Dornes é uma aldeia templária, eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal.
A torre foi construída por Gualdim Pais e é um dos poucos exemplares pentagonais em Portugal. Ao lado está a Igreja de Nossa Senhora do Pranto. A aldeia é pequena. Uma hora é suficiente para visitar estas duas estruturas e passear pelas ruas de calçada. Daqui, faça 30 quilómetros até chegar a Sertã, onde o pinhal substitui a albufeira.
A ligação aos templários durou menos de uma década, mas deixou uma marca tão profunda que o símbolo da ordem está representado no brasão do município.
O Castelo da Sertã foi doado por D. Afonso Henriques à Ordem dos Templários em 1165, permanecendo na sua posse durante nove anos.
A 10 minutos de carro está a Capela de Nossa Senhora dos Remédios, que se acredita ter sido construída sobre um antigo mosteiro templário. Procure a cruz templária gravada na porta lateral da igreja e a réplica da espada de D. Nuno Álvares Pereira no portal.
Para terminar o dia, vá até Abrantes e suba à torre de menagem do castelo. Situada no centro da Praça de Armas, esta oferece uma vista panorâmica, de 360 graus, tornando-se um miradouro privilegiado sobre o Tejo e toda a região da Lezíria.
Apesar de não ter pertencido à Ordem do Templo, Abrantes integrava a linha defensiva do Tejo, em conjunto com os castelos templários. No interior, estão o Palácio dos Governadores, a Igreja de Santa Maria do Castelo, onde se encontra o Museu D. Lopo de Almeida e o Panteão dos Almeidas.
Dia 3: pedra e água de Vila Nova da Barquinha ao Castelo de Almourol
Esta última paragem ocupa-lhe apenas meio dia e é a chave que fecha o roteiro. Em Vila Nova da Barquinha, visite o Centro de Interpretação Templário de Almourol, e perceba quem foram estes cavaleiros e o seu papel. O bilhete dá acesso ao Castelo de Almourol e ao pequeno barco que leva até à ilha no meio do Tejo.
No pórtico principal do castelo, encontre a inscrição sobre a importância desta fortaleza na defesa templária. Procure a cruz dos templários, que se encontra na janela da torre voltada a nascente. Já na torre de menagem, há uma exposição que explica o monumento e as lendas que o rodeiam.
Almourol, bem como as restantes localidades por onde passou, é uma História que resistiu no tempo, muito para lá da ordem que lhe deu origem. O nome de Gualdim Pais pode passar despercebido nos dias de hoje, mas ficou o território que ele desenhou.
Informações úteis para a viagem pelo Médio Tejo
Em Abrantes, o custo mínimo da viagem a dois, de 7 a 10 de agosto, é de 295 euros. Inclui alojamento em hotel de quatro estrelas com pequeno-almoço, em Abrantes. O mesmo período de três noites que inclui o fim de semana custa a partir de 444 euros, em Tomar.
Para a semana de 8 a 14 de agosto, em Abrantes, o orçamento mínimo é de 606 euros. A mesma semana, em Tomar, dispara a fatura para 1020 euros. Os preços foram recolhidos online, a 18 de junho, para as respetivas áreas.
Como fazer este roteiro
O carro é essencial. As distâncias entre as localidades não são longas, mas o veículo dá-lhe a liberdade de que precisa. Pode usar Tomar como base, dado que é o centro do roteiro, ou passar a noite no último lugar visitado de cada dia.
Ir no verão
Prepare-se para o calor, caso faça o roteiro no verão: a temperatura pode ultrapassar os 35°C. Leve roupa fresca, mantenha-se hidratado e considere começar os dias bem cedo e fazer pausas para almoço mais prolongadas.
Visitar os castelos
Para visitar o Convento de Cristo, reserve, pelo menos, duas horas. Como o bilhete tem um preço elevado, aproveite o programa do Estado que permite visitar gratuitamente museus, monumentos e palácios durante 52 dias por ano.
Em Ourém, a visita ao castelo e ao Paço dos Condes exige marcação prévia. Já Almourol é o mais imprevisível, pois o acesso é feito de barco e os horários variam com a estação. O bilhete inclui a travessia e a entrada no centro de interpretação.
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