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Festas do Povo de Campo Maior 2026: datas, bilhetes e o que ver

Onze anos após a última edição, as Festas do Povo voltam às ruas de Campo Maior de 8 a 16 de agosto, numa explosão de cor de que o País já tinha saudades. Saiba o que vai ver e o que pode fazer para lá das flores.

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22 junho 2026
Vista aérea do Castelo de Campo Maior, no Alentejo

Câmara Municipal de Campo Maior

O burburinho é grande ao ponto de passar a vozes de comando e respostas em alto e bom som. Nesta noite, ninguém dorme. A agitação toma conta das ruas da vila alentejana.

Foram meses a trabalhar até àquele momento, horas a fio. A arame e papel. Os escadotes são poucos para dar vazão aos milhões de flores espalhadas pelas ruas de Campo Maior na noite que antecede as Festas do Povo.

É na noite da Enramação que os segredos saem à rua. Durante meses, tudo é mantido em sigilo. E, na calada da noite, ganham corpo e revelam os temas escolhidos e trabalhados com tanto afinco pelos moradores de cada rua. De manhã, tudo estará à mostra, e a vila acorda jardim.

Celebrar o Património da Humanidade

As Festas do Povo nunca têm data marcada. Ao contrário de tantas outras festividades, não se pode dizer "para o ano, há mais". Dependem da vontade dos campomaiorenses, porque é graças a eles, ao seu tempo e ao seu trabalho, que estas existem.

Não há Festas do Povo há mais de uma década, o que torna esta edição, de 8 a 16 de agosto, tão especial. "As festas voltaram, porque o povo assim o quis", disse João Nabeiro, presidente da Associação das Festas do Povo de Campo Maior.

Os campomaiorenses reagiram sem hesitar, quando lhes foi perguntado se queriam fazer as festas em 2026 e torná-las as maiores de sempre. É a primeira edição após o evento ter recebido a distinção de Património Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2021.

Desde o início do ano que a comunidade se reúne ao serão, ao som das tesouras, da conversa e do ritmo das pandeiretas que quebram o ruído do trabalho quando alguém ensaia uma quadra. São linhas de montagem em que o corte do papel, a preparação do arame e a arte trazida pelas mãos sábias de várias gerações dão forma a um sem-número de flores coloridas. Dedos que torcem arame, que dobram pétalas, que colam laços. O fabrico das flores é maioritariamente feminino, mas há artistas homens a quem cabe as decorações mais elaboradas, como as instaladas à entrada das ruas e que dão o mote aos temas escolhidos.

Antes de serem um espetáculo para os visitantes em Campo Maior, as Festas do Povo são uma das maiores expressões de comunidade de Portugal.

O que esperar das Festas do Povo

Durante nove dias, as ruas de Campo Maior deixam de ser lugar de passagem para se tornarem sala de estar. São criados túneis de flores onde a luz atravessa os papéis coloridos, que proporcionam uma muito desejada sombra contra o calor.

Por baixo montam-se mesas compridas, a comida sai à rua, o vinho serve-se a quem passa, e há espaço para venda de artesanato. A tentação de parar a cada esquina é enorme.

Os visitantes são convidados a petiscar e a ouvir as saias de Campo Maior, cantigas em que são entoadas quadras populares, acompanhadas por pandeiretas, acordeões e castanholas, estas últimas influência da proximidade a Espanha. Pode ouvi-las nas arruadas que correm as vias engalanadas durante os dias do evento.

As festas remontam ao século XIX, quando eram chamadas de Festas em Honra de São João Baptista. O cariz religioso diluiu-se com o tempo, até ganharem a designação de Festas do Povo em 1921.

Vila para lá da festa

Vila desde 1255, Campo Maior tornou-se uma das praças-fortes mais importantes do Alto Alentejo, resistindo a dois cercos, um espanhol (1712) e um francês (1811). Porém, não escapou à tragédia quando, em 1732, um raio atingiu a pólvora que estava armazenada no castelo e destruiu dois terços da vila.

A visita ao Centro Interpretativo da Fortificação Abaluartada e ao Castelo de Campo Maior é uma viagem na história. Passe pelas Portas de Santa Maria, a entrada principal da vila murada e um dos seus monumentos mais icónicos, bem como pela Capela dos Ossos, no Largo Dr. Regala, junto à igreja-matriz. Esta é a segunda maior capela de ossos de Portugal, a seguir à de Évora. Pode ver o Pelourinho nos Paços do Concelho e visitar o Lagar Museu do Palácio Visconde d'Olivã e o Museu Aberto, com a história do concelho.

A cinco quilómetros do centro histórico, encontra a Adega Mayor e o Centro de Ciência do Café, dois espaços ligados à família Nabeiro, que transformou Campo Maior na capital do café. Pode provar vinhos alentejanos premiados e mergulhar no universo do grão que, com as flores de papel, fazem a história desta vila raiana. Uma história que, em agosto, sai à rua.

Sericaia é uma das sobremesas mais emblemáticas do Alentejo (foto: João Ribeiro). 
Sericaia é uma das sobremesas mais emblemáticas do Alentejo (foto: João Ribeiro). 

Informações úteis para a viagem a Campo Maior

Em Campo Maior e nas paragens a menos de 20 minutos, está tudo esgotado. Sugere-se explorar destinos a 30 ou 40 minutos de distância. Em Portalegre, o custo mínimo da viagem a dois, de 7 a 9 de agosto, é de 256 euros. Inclui alojamento em hotel de quatro estrelas com pequeno-almoço. O mesmo fim de semana em Vila Viçosa custa a partir de 410 euros.

Para a semana de 8 a 14 de agosto, em Portalegre, o orçamento mínimo custa 851 euros. A mesma semana em Vila Viçosa dispara a fatura para 999 euros. Os preços foram recolhidos online, a 20 de maio, para as respetivas áreas.

Como chegar

Siga pela A6 e saia em direção a Elvas. De Lisboa também pode ir de comboio até Elvas e depois apanhar um táxi ou um autocarro até Campo Maior.

Bilhetes e dicas

  • Compre o bilhete com antecedência: diário por 8 €; semanal a 15 euros. Crianças até 10 anos não pagam.
  • São 100 ruas decoradas. Por isso, leve calçado confortável.
  • Em agosto, a temperatura ronda 32ºC a 38ºC. Leve roupa fresca, água, chapéu e protetor solar.
  • Se lida mal com o calor, escolha o final do dia ou o início da noite.
  • Se for em grupo, partilhe carro, se possível. Existirão parques oficiais da organização, gratuitos, sinalizados à chegada.

Onde dormir

É esperado cerca de meio milhão de visitantes. Descobrir alojamento não é missão impossível, mas a pesquisa promete ser suada. Se não conseguir em Campo Maior, Elvas, Arronches e Borba, fique em Portalegre ou em Vila Viçosa (45 minutos).

 

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