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Setúbal, Palmela e Sesimbra: roteiro de fim de semana com praias, vinhos e história desde 175 euros

Vinhas centenárias, falésias a pique sobre o Atlântico e monumentos com séculos de história: na Península de Setúbal, a natureza e o património vivem lado a lado.

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09 maio 2026
Setúbal

Câmara Municipal de Setúbal

A Península de Setúbal pode bem ser um dos destinos mais completos a menos de uma hora de Lisboa. O verde da serra conjuga-se com o azul do mar numa paisagem inspiradora, as praias desenham-se em pequenos recantos, e as vilas e cidades escondem palácios, conventos e adegas com séculos de história.

Visitar a península não é apenas andar pelo Parque Natural da Arrábida, mas também conhecer as localidades que ali se encontram. A começar por aquela que lhe dá o nome: Setúbal.

História começa no Convento de Jesus

Em Setúbal, vem logo à cabeça o enorme porto localizado no estuário do Sado, um dos principais portos comerciais do País, em conjunto com Sines, Leixões e Lisboa.

Nesta mesma cidade, foi ratificado o Tratado de Tordesilhas, o acordo que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha. O momento teve lugar no Convento de Jesus, em pleno centro histórico. A sugestão é iniciar aqui a viagem por terras sadinas. Desenhado por Diogo Boitaca em 1490, o mesmo arquiteto que trabalhou nos Jerónimos, o Convento de Jesus é um dos primeiros exemplos do estilo manuelino em Portugal.

A igreja é alvo de admiração, com colunas em pedra da Arrábida e os azulejos do século XVI. Encontra no convento mais de 500 obras de arte que compõem o Museu de Setúbal. Procure o retábulo de 14 painéis, da autoria de Jorge Afonso, uma obra inacessível durante duas décadas, quando o convento esteve fechado. O antigo refeitório das freiras foi reabilitado e é hoje um restaurante com esplanada.

Do Convento de Jesus até à Praça do Bocage são cinco minutos a pé. A estátua do poeta setubalense, que também é um dos mais conhecidos escritores portugueses, convida a apreciar o ritmo da vida local, enquanto toma um café.

Antes de deixar Setúbal, passe pelo Mercado do Livramento, instalado num bonito edifício de ferro e azulejo, datado de 1876, e pela Mercearia Confiança de Troino, fundada em 1926, na Praça Machado dos Santos. Se tiver tempo, o Museu do Trabalho Michel Giacometti, numa antiga fábrica de conservas, mantém viva a memória da indústria que moldou a identidade de Setúbal.

Castelo de Palmela guarda dois rios

Seguimos rumo a Palmela e logo surge, ao longe, o imponente castelo. No interior, vestígios que remontam à época romana lembram que esta fortaleza tem uma história de ocupação muito anterior ao castelo medieval que hoje vemos.

Estão aqui as ruínas da Igreja de Santa Maria, que terá sido construída sobre uma mesquita muçulmana, e a Igreja de Santiago, a última classificada como Monumento Nacional.

Se o dia estiver limpo, dedique alguns minutos para apreciar a vista que se estende do Sado ao Tejo. Depois, desça a colina para visitar o centro histórico.

A relação da Península de Setúbal com o vinho começa aqui. Siga rumo a Azeitão, mas não sem antes parar em Fernando Pó, uma aldeia tão pequena que se atravessa num piscar de olhos. Esta é a verdadeira aldeia vinícola: as vinhas cercam as casas, o cheiro das adegas misturase com o das hortas, a autenticidade perdura.

A Península de Setúbal é terra de vinho DOC, como o Moscatel de Setúbal, vinho licoroso que já no século XIX encantava as cortes europeias. É a busca de alguns dos melhores vinhos da região que nos leva a Azeitão.

Entre vinhas e palácios

A Casa-Museu José Maria da Fonseca, em Vila Nogueira de Azeitão, é um bom ponto de partida: combina história, arquitetura e enologia. Fundada em 1834, é uma das empresas mais antigas de vinhos engarrafados de Portugal. A visita inclui a casa-museu, os jardins e as caves onde dormem moscatéis com décadas e onde envelhece o Periquita, tinto que deu fama à marca.

A Quinta da Bacalhôa é outra paragem para quem aprecia vinho e arte. Esta propriedade real foi comprada em 1528 por Brás de Albuquerque, que, sendo admirador do Renascimento, transformou o palácio numa das mais belas quintas do século XVI em Portugal, hoje classificada como monumento nacional. É aqui que está um dos primeiros azulejos datados conhecidos em Portugal, assinado pelo ceramista Francisco de Matos, em 1565.

Parque Natural da Arrábida: montanha desce ao mar

Ao entrar no Parque Natural da Arrábida, a paisagem muda. A vegetação adensa-se, a estrada serpenteia e o olhar é atraído para o azul-turquesa do mar.

A serra da Arrábida formou-se há cerca de sete milhões de anos. A Unesco atribuiu-lhe, no ano passado, o estatuto de Reserva da Bioesfera.

Escondido entre árvores na vertente sul da serra virada para o mar, encontramos o Convento da Arrábida. Antes da sua construção, em 1542, os primeiros frades arrábidos viviam em celas escavadas nas rochas. A austeridade transpôs-se para o interior do convento, onde pequenos quartos, despojados de conforto, ainda existem, apesar de desabitados hoje. A vista, porém, continua e justifica o porquê da escolha do lugar. Propriedade da Fundação Oriente, as visitas são feitas mediante marcação, e em dias específicos.

Dali, desça até ao Portinho da Arrábida, uma das praias mais conhecidas da região. A pequena enseada protegida pela serra brilha com os tons verde e azul da água, e é o local ideal para uma refeição. O acesso pode ser condicionado, em especial se for na época alta.

Nas proximidades, o Forte de Santa Maria da Arrábida, construído em tempos para proteger o portinho e o convento dos ataques de piratas, alberga hoje o Museu Oceanográfico, onde a biologia marinha da região está em destaque.

Sesimbra, vila piscatória protegida pelo tempo

Se é amante do mergulho, Sesimbra é um dos principais destinos desta atividade. Além do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha, uma das áreas com maior biodiversidade marinha no País, pode apreciar os vestígios de vários naufrágios, além de grutas e formações rochosas submarinas extraordinárias.

Em Sesimbra, o castelo oferece uma vista panorâmica sobre a baía e a serra. 

Cá em baixo, junto à praia, está a Fortaleza de Santiago, casa do Museu Marítimo de Sesimbra, onde pode ver uma coleção que celebra a relação da vila com o mar, desde a pesca do atum aos corais ou instrumentos de navegação.

Cabo Espichel, onde a terra e a viagem acabam

O cabo Espichel indica o final. As falésias caem a pique, e a paisagem deixa ver a imensidão do oceano.

É o limite sudoeste da Península de Setúbal, e a marcá-lo estão o Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel e o histórico Farol do Cabo Espichel. A norte, os trilhos levam a pegadas de dinossauros gravadas na rocha junto ao mar.

A Península de Setúbal é um território que se recusa a ser apenas uma coisa. É terra de mar e marinheiros, de montanha, de vinho e história, de ciência e fé. Cada paragem acrescenta uma descoberta, e, quanto mais se conhece, mais vontade fica de passar mais tempo por aqui.

Informações úteis para a viagem à Península de Setúbal

Em Palmela, o custo mínimo da viagem a dois, de 22 a 24 de maio, é de 175 euros. Inclui alojamento em hotel de quatro estrelas com pequeno-almoço. Se preferir Setúbal, o mesmo fim de semana custa a partir de 186 euros. Em Sesimbra, o orçamento mínimo dispara para 245 euros. Os preços foram recolhidos online, a 30 de março, para as respetivas áreas num raio de três quilómetros.

Quando visitar

A Península de Setúbal pode ser visitada todo o ano, mas os meses de primavera e outono oferecem melhor temperatura e menos multidões. Para fazer praia no verão, prepare-se para as enchentes na Arrábida. Vá cedo. O inverno é ideal para explorar vilas, vinhas e património.

Circular na Serra da Arrábida

Durante o verão, o estacionamento é limitado e a estrada pode ter acessos restritos. Planeie a visita com antecedência e vá de transporte público quando possível. Os autocarros da Carris Metropolitana fazem as ligações entre Setúbal, Azeitão e algumas praias, e existem circuitos especiais que ligam o centro de Setúbal às Praia da Figueirinha e de Galapos. A bicicleta é uma ótima opção.

Fins de semana gastronómicos

Para experimentar os sabores de Palmela, até ao final do ano, pode contar com vários fins de semana gastronómicos, que permitem saborear iguarias como a sopa caramela (maio), a fruta (julho), o vinho (agosto e setembro), o coelho à moda de Palmela (outubro) e o Moscatel de Setúbal (novembro e dezembro).

 

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