Notícias

Crédito para estudantes: conheça as propostas mais baratas

Entre 14 propostas, a DECO PROteste identificou os dois créditos para estudantes mais vantajosos. Num financiamento de 10 mil euros a pagar em quatro anos, é possível poupar mais de 400 euros face à média do mercado. Descubra que instituições apresentam as melhores condições para financiar estudos ou formação.

Especialista:
07 outubro 2026
Jovem rapariga sentada em escadas com computador portátil e mochila ao lado

4See/Ricardo Lopes

Recorrer a crédito para financiar um curso superior ou formação profissional pode ser uma solução quando as poupanças ou o rendimento disponível não chegam para suportar despesas como propinas, alojamento, material escolar ou equipamentos.

Existem produtos específicos com este objetivo, cujas condições são, à partida, mais favoráveis do que as de um crédito pessoal sem finalidade específica.

A DECO PROteste analisou crédito para estudantes de 11 instituições e identificou os mais baratos.

Como foram comparadas as propostas de crédito para estudantes?

A DECO PROteste analisou a oferta de 17 instituições de crédito a operar em Portugal e encontrou produtos para financiar estudos ou formação em 11 dessas instituições.

Foi considerado um cenário de financiamento de 10 mil euros, a ser amortizado em quatro anos, com a totalidade do capital disponibilizada logo no início e amortização desde a primeira prestação.

Foram consideradas todas as propostas de crédito para estudantes de cada instituição, sejam de taxa variável, mista ou fixa, num total de 14.

A análise foi feita na perspetiva de um consumidor que não é cliente do banco e sem a contratação de outros produtos para obter uma bonificação da taxa de juro.

Foi calculada a prestação mensal, a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) e o montante total imputado ao consumidor (MTIC) de cada proposta, o que permitiu fazer a comparação entre as mesmas e chegar às Escolhas Acertadas.

Apesar de a TAEG máxima definida pelo Banco de Portugal para o crédito para educação, no último trimestre de 2026, ser de 8,2%, o estudo da DECO PROteste inclui propostas acima desse patamar. Tal acontece porque os dados foram retirados dos preçários divulgados pelos bancos, que não contemplam negociação comercial. Na prática, quando é apresentada uma proposta personalizada ao cliente, as instituições acabam por ajustar os valores de modo a cumprir o limite legal, seja através da redução da taxa de juro ou das comissões aplicáveis.

Quais são as Escolhas Acertadas de crédito para estudantes?

Neste cenário, o Crédito Formação do Activobank e do Santander são as Escolhas Acertadas da DECO PROteste.

As duas propostas apresentam uma taxa de juro nominal de 5%, não cobram comissão inicial e têm uma TAEG de 6,3 por cento.

Estes produtos permitem uma poupança mensal de 6,29 euros face à média do mercado. Ao longo dos quatro anos, a diferença representa quase 429 euros.

Os resultados completos do estudo podem ser consultados na tabela abaixo.

Server Error

Activobank Crédito Formação

TAEG 6,3%

TIPO DE TAXA Fixa

PRESTAÇÃO MENSAL 231,10 €

Santander Crédito Formação

TAEG 6,3%

TIPO DE TAXA Fixa

PRESTAÇÃO MENSAL 231,10 €

Como funciona o crédito para estudantes?

Regra geral, os produtos de crédito para estudantes têm designações que permitem distingui-los dos restantes. Formação ou educação são as mais comuns, mas expressões como ensino ou vida académica também são possíveis de encontrar.

Conheça, a seguir, algumas das principais características destes produtos.

Tipo de despesa

O tipo de despesas que é possível financiar não é igual em todas as propostas.

Há créditos que permitem apenas financiar os custos diretos com a formação, ou seja, as propinas ou a taxa de frequência.

Outros permitem financiar também despesas relacionadas, como alojamento, equipamento informático, livros ou até viagens.

Valor do empréstimo

Os montantes variam entre 1000 e 75 mil euros.

O montante máximo do crédito na mesma instituição poder variar em função do tipo de formação a financiar (licenciatura ou doutoramento, por exemplo) ou se a mesma vai ser frequentada em Portugal ou no estrangeiro, sendo disponibilizados valores superiores no segundo caso.

Também o curso em si pode fazer variar este limite, existindo em algumas instituições mais financiamento disponível no caso de cursos na área de medicina ou aeronáutica, por exemplo.

Prazo de pagamento

Os prazos de reembolso vão desde os três meses até aos 10 anos, na maioria das instituições.

Taxa de juro

A taxa fixa é a que predomina, o que poderá ser considerado um fator de estabilidade para um produto deste tipo.

Mas também há crédito para estudantes com taxa variável e taxa mista.

Como é considerado um crédito com finalidade específica, a taxa de juro é mais vantajosa do que num crédito pessoal sem finalidade. A TAEG máxima é definida trimestralmente pelo Banco de Portugal – no último trimestre de 2026, é de 8,2 por cento. Não aceite uma proposta cuja TAEG ultrapasse o limite máximo.

Custos do crédito

Estão associadas ao crédito para estudantes despesas como comissões iniciais do banco, imposto do selo associado ao contrato, eventuais comissões de manutenção da conta à ordem associada e o seguro de vida exigido.

Algumas instituições isentam os clientes das comissões iniciais, como é o caso das Escolhas Acertadas (Activo Bank e Santander).

Período de carência

Neste tipo de crédito é possível solicitar um período de carência até ao término do curso, em que apenas são suportados os juros.

A amortização do capital em dívida ocorre apenas quando terminar o período inicial definido.

Esta possibilidade pode ser uma ajuda quando o estudante não tem ainda rendimentos ou são mais reduzidos. Contudo, o capital terá de ser pago, na totalidade, no final do contrato, o que poderá ser um desafio acrescido. O ideal é poder amortizar capital desde a primeira prestação.

Entrega faseada do capital

Existe ainda a possibilidade de solicitar a libertação faseada do capital contratado, em que o montante do empréstimo vai sendo entregue ao longo do tempo.

Regra geral, as entregas de dinheiro acontecem à medida que vão sendo apresentados comprovativos das despesas realizadas, como propinas.

Também pode ser definida inicialmente a periodicidade de disponibilização das tranches (por exemplo, no início de cada ano letivo).

Nesta modalidade, normalmente, apenas são aplicados juros ao capital libertado e não amortizado a cada momento. Como a taxa de juro não é aplicada ao valor total do empréstimo, é possível poupar no encargo com os juros.

O que ter em conta ao pedir um crédito para estudantes?

Uma prestação mais baixa ou uma redução no spread podem não ser suficientes para fazer com que uma determinada proposta seja a mais vantajosa do mercado.

Quais são os indicadores mais fiáveis do custo do empréstimo?

A TAEG é um dos principais indicadores para comparar propostas, porque considera não apenas a taxa de juro, mas também determinados encargos associados ao crédito, como as comissões iniciais e encargos com contas à ordem ou seguros.

Já o MTIC permite saber em quanto lhe ficará o empréstimo até ao final do contrato. Por exemplo, se pedir uma simulação para empréstimo de 10 mil euros a pagar em quatro anos e o MTIC apresentado for de 11 500 euros, significa que irá terá um encargo total com o financiamento de 1500 euros.

Tome nota: no quarto trimestre de 2026, a TAEG máxima aplicável ao crédito para educação é de 8,2%.

Como calcular o valor a pedir?

  1. Faça um orçamento completo das despesas (propinas, taxa de matrícula, livros, material escolar, computador ou outros equipamentos, alojamento, deslocações, alimentação, etc.).
  2. Identifique os custos que não conseguirá assegurar com fundos próprios.
  3. Some esses custos. Deverá ser esse o valor do crédito.

O crédito deve financiar uma necessidade concreta. Quanto maior for o capital utilizado, maiores serão os encargos a suportar.

O que acontece se reprovar ou desistir do curso?

Em caso de abandono do curso, o dinheiro que já utilizou continua a ser devido. Assim, mesmo já não frequentando o curso, terá de pagar o empréstimo na totalidade.

Nas modalidades em que o financiamento é disponibilizado por tranches, a entrega de uma parte do dinheiro poderá estar condicionada ao aproveitamento académico. Uma reprovação pode, nesta situação, impedir o acesso a novas parcelas do crédito.

Antes de contratar o crédito, esclareça o que acontece se reprovar, interromper ou mudar de curso.

O que é o crédito para estudantes do ensino superior com garantia mútua?

Para conceder um crédito, geralmente, as instituições solicitam algum tipo de garantia que possa ser utilizada em caso de incumprimento do contrato.

Os estudantes do ensino superior podem optar, nas instituições que o disponibilizam, pelo crédito com garantia mútua, em que o Estado garante o cumprimento do contrato perante o banco. Tal possibilita, por exemplo, que estudantes com mais baixos recursos possam financiar os estudos.

Em 2026, esta modalidade permite financiar entre 1000 e 5000 euros por ano letivo, podendo atingir 30 mil euros em cursos de seis anos, desde que sejam cumpridas as condições relativas à progressão académica.

Está previsto um período de carência de capital pela duração da formação acrescido de dois anos. No total, o prazo de amortização não pode exceder os 10 anos.

As condições também são mais vantajosas, pois o crédito beneficia de um spread máximo de 1,25% e isenção de comissões iniciais e de amortização antecipada.

Optar pela garantia mútua não significa deixar de ser responsável pela dívida. O estudante continua a ser obrigado a pagar o capital, os juros e restantes encargos contratualmente previstos.

Server Error

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROteste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.

Temas que lhe podem interessar