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Crédito para estudantes: como funciona e o que comparar?

Um crédito para estudantes pode financiar despesas relacionadas com a formação, como propinas, alojamento ou material escolar. Saiba como funcionam estes empréstimos, quanto pedir e quais os custos e condições que deve comparar antes de contratar.

Especialista:
09 outubro 2026
credito formação

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Um crédito para estudantes é um empréstimo destinado a financiar despesas relacionadas com estudos ou formação, como propinas, alojamento ou material escolar.

As condições de financiamento, incluindo montante, prazo, juros e carência, variam consoante a proposta. Antes de escolher, é importante perceber quanto precisa realmente de pedir e quanto vai acabar por pagar.

Saiba o que deve comparar e quais as características do crédito que podem fazer diferença no custo final.

Como funciona o crédito para estudantes?

Regra geral, os produtos de crédito para estudantes têm designações que permitem distingui-los dos restantes. Formação ou educação são as mais comuns, mas expressões como ensino ou vida académica também são possíveis de encontrar.

Conheça, a seguir, algumas das principais características destes produtos.

Que despesas pode financiar?

O tipo de despesas que é possível financiar não é igual em todas as propostas.

Há créditos que permitem apenas financiar os custos diretos com a formação, ou seja, as propinas ou a taxa de frequência.

Outros permitem financiar também despesas relacionadas, como alojamento, equipamento informático, livros ou até viagens.

Quanto dinheiro pode pedir?

Os montantes variam entre 1000 e 75 mil euros.

O montante máximo do crédito na mesma instituição pode variar em função do tipo de formação a financiar (licenciatura ou doutoramento, por exemplo) ou se a mesma vai ser frequentada em Portugal ou no estrangeiro, sendo disponibilizados valores superiores no segundo caso.

Também o curso em si pode fazer variar este limite, existindo em algumas instituições mais financiamento disponível no caso de cursos na área de medicina ou aeronáutica, por exemplo.

Qual é o prazo de pagamento?

Os prazos de reembolso vão desde os três meses até aos 10 anos, na maioria das instituições.

Que taxa de juro pode ter?

A taxa fixa é a que predomina, o que poderá ser considerado um fator de estabilidade para um produto deste tipo.

Mas também há crédito para estudantes com taxa variável e taxa mista.

Como é considerado um crédito com finalidade específica, a taxa de juro é, regra geral, mais vantajosa do que num crédito pessoal sem finalidade. A TAEG máxima é definida trimestralmente pelo Banco de Portugal – no último trimestre de 2026, é de 8,2 por cento. Não aceite uma proposta cuja TAEG ultrapasse o limite máximo.

Que custos estão associados ao crédito?

Estão associadas ao crédito para estudantes despesas como comissões iniciais do banco, imposto do selo associado ao contrato, eventuais comissões de manutenção da conta à ordem associada e o seguro de vida exigido.

Algumas propostas podem prever isenção de determinadas comissões iniciais.

Para que serve o período de carência?

Neste tipo de crédito é possível solicitar um período de carência até ao término do curso, em que apenas são suportados os juros.

A amortização do capital em dívida ocorre apenas quando terminar o período inicial definido.

Esta possibilidade pode ser uma ajuda quando o estudante não tem ainda rendimentos ou são mais reduzidos. Contudo, a carência não elimina a dívida de capital: o reembolso começa posteriormente, de acordo com o plano previsto no contrato. O ideal é poder amortizar capital desde a primeira prestação.

O que é a entrega faseada do capital?

Existe ainda a possibilidade de solicitar a libertação faseada do capital contratado, em que o montante do empréstimo vai sendo entregue ao longo do tempo.

Regra geral, as entregas de dinheiro acontecem à medida que vão sendo apresentados comprovativos das despesas realizadas, como propinas.

Também pode ser definida inicialmente a periodicidade de disponibilização das tranches (por exemplo, no início de cada ano letivo).

Nesta modalidade, normalmente, apenas são aplicados juros ao capital libertado e não amortizado a cada momento. Como a taxa de juro não é aplicada ao valor total do empréstimo, é possível poupar no encargo com os juros.

O que deve comparar antes de pedir um crédito para estudantes?

Uma prestação mais baixa ou uma redução no spread podem não ser suficientes para fazer com que uma determinada proposta seja a mais vantajosa do mercado.

A TAEG é um dos principais indicadores para comparar propostas, porque considera não apenas a taxa de juro, mas também determinados encargos associados ao crédito, como as comissões iniciais e encargos com contas à ordem ou seguros.

Já o MTIC permite saber em quanto lhe ficará o empréstimo até ao final do contrato. Por exemplo, se pedir uma simulação para empréstimo de 10 mil euros a pagar em quatro anos e o MTIC apresentado for de 11 500 euros, significa que terá um encargo total com o financiamento de 1500 euros.

Tome nota: confirme sempre a TAEG máxima aplicável ao crédito para educação nas taxas em vigor do Banco de Portugal.

Como calcular quanto precisa de pedir?

  1. Faça um orçamento completo das despesas (propinas, taxa de matrícula, livros, material escolar, computador ou outros equipamentos, alojamento, deslocações, alimentação, etc.).
  2. Identifique os custos que não conseguirá assegurar com fundos próprios.
  3. Some esses custos. Deverá ser esse o valor do crédito.

O crédito deve financiar uma necessidade concreta. Quanto maior for o capital utilizado, maiores serão os encargos a suportar.

O que acontece se reprovar ou desistir do curso?

Se abandonar ou interromper o curso, o capital já utilizado não deixa de ser devido.

Nas modalidades em que o financiamento é disponibilizado por tranches, a entrega de uma parte do dinheiro poderá estar condicionada ao aproveitamento académico. Uma reprovação pode, nesta situação, impedir o acesso a novas parcelas do crédito.

Antes de contratar o crédito, esclareça o que acontece se reprovar, interromper ou mudar de curso.

O que é o crédito para estudantes do ensino superior com garantia mútua?

Para conceder um crédito, geralmente, as instituições solicitam algum tipo de garantia que possa ser utilizada em caso de incumprimento do contrato.

Os estudantes do ensino superior podem optar, nas instituições que o disponibilizam, pelo crédito com garantia mútua, em que o Estado garante o cumprimento do contrato perante o banco. Tal possibilita, por exemplo, que estudantes com mais baixos recursos possam financiar os estudos.

Em 2026, esta modalidade permite financiar entre 1000 e 5000 euros por ano letivo, podendo atingir 30 mil euros em cursos de seis anos, desde que sejam cumpridas as condições relativas à progressão académica.

Está previsto um período de carência de capital pela duração da formação acrescido de dois anos. No total, o prazo de amortização não pode exceder os 10 anos.

A modalidade prevê ainda condições específicas, incluindo um spread máximo de 1,25% e isenção de comissões iniciais e de amortização antecipada.

Optar pela garantia mútua não significa deixar de ser responsável pela dívida. O estudante continua a ser obrigado a pagar o capital, os juros e restantes encargos contratualmente previstos.

Questões frequentes (FAQ)

Encontre esclarecimentos para algumas das dúvidas mais frequentes sobre crédito para estudantes.

Qualquer pessoa pode pedir um crédito para estudantes?

Não. Cada crédito tem critérios próprios de acesso, que podem depender do tipo de formação, do curso, da instituição de ensino e das condições definidas pelo banco. Por isso, antes de contratar, é importante confirmar se reúne os requisitos exigidos para o crédito pretendido.

É possível contratar um crédito para estudantes sem ter rendimentos próprios?

Não é impossível. Os bancos costumam exigir a comprovação da capacidade de pagamento. Quando o estudante não tem rendimentos, é frequente ser necessário apresentar um fiador (por exemplo, um dos pais ou outro familiar) ou recorrer a soluções como a garantia pública, quando disponíveis.

É possível ter mais do que um crédito para estudantes ao mesmo tempo?

Sim. Contudo, a aprovação de um novo financiamento depende da análise feita pela instituição financeira, que irá avaliar o nível de endividamento e a capacidade de reembolso do cliente. Ter um crédito em curso pode dificultar a obtenção de outro. A DECO PROteste recomenda que não deve ser contratado um novo empréstimo quando a taxa de esforço seja superior a 35 por cento. Para calcular este valor comece por dividir o montante total das prestações de todos os créditos que já tem pelo rendimento líquido mensal do seu agregado familiar; depois multiplique o resultado por 100.

O crédito para estudantes pode ser contratado para estudar no estrangeiro?

Sim. Muitos créditos para estudantes destinam-se tanto a cursos em Portugal como no estrangeiro, incluindo licenciaturas, mestrados ou doutoramentos. Além das propinas, o financiamento pode abranger despesas associadas, como material de estudo, alojamento ou deslocações, dependendo das condições de cada banco. Poderão até estar previstos montantes mais elevados de financiamento.

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