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Diabetes: como melhorar a qualidade de vida

13 novembro 2020
medidor de níveis de diabetes numa mão com taça de cereais e fruta ao fundo

A atividade física regular e uma alimentação rica em vegetais e pobre em açúcar melhora a qualidade de vida de quem já sofre de diabetes.

A diabetes mellitus, doença caracterizada pelo elevado nível de glicose no sangue, afeta 10% da população portuguesa entre os 25 e os 74 anos e sobretudo os homens e os grupos etários com mais idade (23,8% dos indivíduos entre os 65 e os 74 anos), segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, referentes a 2018. A forma mais comum da doença é a diabetes tipo 2, situação em que o pâncreas tem dificuldade em produzir insulina, a hormona que ajuda o organismo a regular o açúcar no sangue, ou as células do corpo não reagem à insulina. Com diabetes, a glicose continua no organismo, mas não é utilizada como fonte de energia.

Por regra, a diabetes tipo 2 revelava-se após os 45 anos. Contudo, a alteração dos hábitos de vida, em particular a redução da atividade física e a alimentação menos saudável, tem levado a que atinja adolescentes e jovens adultos, especialmente os obesos e inativos. Tratando-se de uma doença clinicamente silenciosa (que na maioria dos casos não apresenta sintomas), a diabetes tipo 2 é diagnosticada com frequência em exames de rotina ou no decurso de uma hospitalização.

A diabetes tipo 1 corresponde a 5-10% de todos os casos de diabetes e é, em regra, mais comum na infância e na adolescência. As investigações científicas apontam que a maioria das vezes resulta de uma reação autoimune, desencadeada por fatores genéticos ou ambientais (vírus), em que o sistema imunitário ataca as células que produzem insulina. Em algumas situações, não é possível comprovar cientificamente a existência do processo imunológico; nestes casos, a doença denomina-se diabetes tipo 1 idiopática (de causa desconhecida). Na diabetes tipo 1, o organismo não produz a hormona, pelo que os doentes dependem de injeções de insulina para sobreviver.

Como se diagnostica a diabetes?

Segundo a Direção-Geral da Saúde, é diabético quem apresentar uma das seguintes situações:

  • 126 ou mais miligramas de glicemia por decilitro de sangue em jejum;
  • a partir de 200 miligramas por decilitro em qualquer ocasião;
  • valores de hemoglobina glicada (HbA1c) superiores a 6,5%.

Se tiver entre 110 e 126 miligramas de glicemia por decilitro de sangue em jejum, ou entre 140 e 200 miligramas por decilitro duas horas após a ingestão de açúcar, apresenta um risco aumentado para diabetes.

O diagnóstico da diabetes numa pessoa assintomática não deve ser realizado na base de um único valor anormal de glicemia de jejum ou de hemoglobina glicada, devendo ser confirmado numa segunda análise, após uma a duas semanas.

Viver com a diabetes e prevenir a doença

Tanto no caso dos diabéticos tipo 1 como nos de tipo 2, é possível reduzir os danos provocados pela doença:

  • faça uma alimentação equilibrada e variada. Reduza o consumo de açúcares. Inclua cinco porções de legumes e fruta na dieta diária;
  • pratique atividade física diariamente, como uma caminhada de 30 minutos. Esta melhora a circulação e ajuda a controlar o peso e o nível de açúcar no sangue;
  • se necessário, tome a medicação (comprimidos ou insulina) de acordo com as orientações do médico ou enfermeiro;
  • não fume e limite o consumo de álcool;
  • não descure as consultas de vigilância para observação dos órgãos mais sensíveis, como os olhos, o rim, o coração e o pé.

Se ainda não é diabético, o melhor é jogar à defesa:

  • mantenha um peso saudável, com um índice de massa corporal entre 18,5 e 25, valor que resulta da divisão do peso pela altura ao quadrado;
  • pratique exercício físico e siga uma dieta equilibrada, pobre em gordura e açúcares;
  • deixe de fumar;
  • vigie a tensão arterial e consulte o médico de família, pelo menos, uma vez por ano.

Diabetes na gravidez

A diabetes gestacional é uma intolerância aos hidratos de carbono (açúcares) diagnosticada ou detetada pela primeira vez no decurso da gravidez. Esta situação clínica exige à grávida cuidados especiais e acompanhamento médico. Mas, com autodisciplina e determinação, é possível controlar uma condição que costuma surgir no terceiro trimestre de gravidez e tende a desaparecer depois do parto.

Como é feito o diagnóstico da diabetes nas grávidas?

Estima-se que uma em cada 20 grávidas possa sofrer deste problema. A doença surge quando o organismo não produz a quantidade suficiente de insulina para atender às exigências da gravidez e, apesar de poder afetar qualquer mulher, existem fatores de risco que obrigam a olhar para a grávida com atenção redobrada: por exemplo, idade superior a 35 anos, diabetes em familiares próximos, peso excessivo ou índice de massa corporal acima de 30, diabetes gestacional em gravidezes anteriores, história de fetos grandes e, pelo menos, dois abortos.

O diagnóstico da diabetes gestacional envolve duas etapas distintas:

  • glicemia em jejum, na primeira consulta de vigilância pré-natal;
  • prova de tolerância à glicose oral (PTGO), às 24-28 semanas de gestação. 

A glicemia em jejum, feita no início da gravidez, mede a quantidade de glicose (açúcar) no sangue logo na primeira consulta de acompanhamento da gravidez. Valores aumentados, em geral, significam que a mulher já sofria de diabetes tipo 1 ou 2 antes da conceção e deve ter acompanhamento especial imediato.

A diabetes gestacional pode ocorrer em qualquer fase da gravidez, mas é mais frequente no terceiro trimestre, a partir da 24.ª semana de gestação, altura em que geralmente é feita a prova de tolerância à glicose oral (PTGO). Este exame permite classificar as grávidas, caso a prova esteja alterada, como sendo possuidoras de diabetes mellitus ou de diminuição da tolerância à glicose, de acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde. Não se deve efetuar a PTGO em grávidas a quem tenha sido anteriormente diagnosticada diabetes gestacional ou provável diabetes prévia.

Riscos da diabetes na gravidez

Quando não controlada, a doença pode ter complicações tanto para a mãe como para o bebé. Há, por exemplo, risco de descolamento da placenta e parto prematuro. A grávida pode sofrer de hipertensão e pré-eclampsia. Existe maior probabilidade de morte do feto, bem como de anomalias congénitas. Por outro lado, a possibilidade de o bebé ficar demasiado grande, comum nestes casos, pode obrigar a um parto antecipado ou a programar uma cesariana. Após o nascimento, o recém-nascido deve ser vigiado nas primeiras semanas, pelo risco de défice de açúcar e cálcio e do aparecimento de icterícia.

Todas as mulheres a quem foi diagnosticada uma diabetes gestacional devem, seis a oito semanas após o parto, realizar uma prova de tolerância à glicose oral (PTGO). Na maioria dos casos, os valores voltam ao normal, mas estas mulheres estão em maior risco de desenvolver diabetes, pelo que devem fazer vigilância de saúde regular, com rastreios anuais de glicemia, e adotar medidas preventivas, como dieta e exercício físico. Têm também maior risco de sofrerem do problema numa futura gravidez (a probabilidade de recorrência da doença varia entre 30 e 50 por cento). Por este motivo, recomenda-se às mulheres com antecedentes de diabetes gestacional a ida a uma consulta pré-concecional antes de voltarem a engravidar.

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