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Preço do cabaz alimentar desce 2,27 euros depois de três semanas consecutivas a aumentar

O cabaz alimentar ficou 2,27 euros mais barato na última semana, depois de três semanas consecutivas a registar subidas de preço. Os 63 bens alimentares essenciais monitorizados pela DECO PROteste custam agora 253,99 euros.

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21 outubro 2026
cabaz alimentar

iStock

Depois de três semanas consecutivas a registar subidas, o preço do cabaz de 63 bens alimentares essenciais monitorizado pela DECO PROteste desceu 2,27 euros (menos 0,89%), para 253,99 euros. O cabaz alimentar já não estava abaixo dos 254 euros desde agosto. Mas apesar da descida da última semana, este ano, esta cesta já viu o seu preço subir 12,16 euros (mais 5,03 por cento). Já se compararmos com 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou esta monitorização, esta cesta aumentou 66,29 euros (mais 35,32 por cento).

Como é calculado o preço do cabaz?

A DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais desde janeiro de 2022, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.

Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que esse produto se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo total do cabaz para um determinado dia. 

Veja a lista de 63 produtos que compõem o cabaz de bens essenciais

Carne

  • Lombo de porco
  • Frango inteiro
  • Febras de porco
  • Costeletas de porco
  • Bife de peru
  • Carne de novilho para cozer
  • Perna de peru

Peixe

  • Bacalhau graúdo
  • Dourada
  • Salmão
  • Pescada fresca
  • Carapau
  • Peixe-espada-preto
  • Robalo
  • Perca

Congelados

  • Douradinhos de peixe
  • Ervilhas ultracongeladas
  • Medalhões de pescada

Frutas e legumes

  • Laranja
  • Maçã gala
  • Maçã golden
  • Banana
  • Tomate
  • Couve-flor
  • Alface
  • Brócolos
  • Cenoura
  • Batata-vermelha
  • Curgete
  • Alho
  • Cebola
  • Couve-coração

Laticínios

  • Queijo curado fatiado embalado
  • Queijo flamengo fatiado embalado
  • Leite UHT meio-gordo
  • Manteiga com sal
  • Iogurte de aroma (pack de oito)
  • Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
  • Ovos

Mercearia

  • Grão cozido
  • Feijão cozido
  • Óleo alimentar 100% vegetal
  • Azeite virgem extra
  • Sal grosso
  • Arroz carolino
  • Arroz agulha
  • Salsichas Frankfurt
  • Atum posta em azeite
  • Atum posta em óleo
  • Açúcar branco
  • Massa espirais
  • Esparguete
  • Polpa de tomate
  • Farinha para bolos
  • Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
  • Flocos de cereais de mel
  • Cereais de fibra
  • Carcaça tradicional
  • Peito de peru fatiado
  • Fiambre da perna fatiado
  • Bolacha maria
  • Pão de forma sem côdea
  • Café torrado moído

Quais os produtos que mais aumentaram? 

Na última semana, entre 14 e 21 de outubro, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram o atum posta em óleo vegetal (mais 15%), as salsichas frankfurt (mais 12%) e o tomate (mais 10 cento).

Se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, as maiores subidas percentuais de preço foram as do tomate (mais 30%), do arroz carolino (mais 30%) e do bacalhau graúdo (mais 27 por cento).

Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço destes bens alimentares, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 119%), do bacalhau graúdo (mais 106%) e da couve-coração (mais 85 por cento).

Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?

A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.

Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.

Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano. O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.

Em 2026, a instabilidade causada pelo conflito entre os EUA e o Irão, no Médio Oriente, tem provocado disrupções nas cadeias de abastecimento e aumentos nos preços dos combustíveis e da energia. Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis registadas este ano somam-se ainda os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes aumentaram significativamente, o que se tem traduzido em bens alimentares mais caros.

Taxa de inflação sobe para 3,6% em setembro

Recorde-se que os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023.

Já em agosto deste ano, a taxa de inflação fixou-se nos 3,3%, impulsionada pelo aumento do preço dos combustíveis. E em setembro, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), acelerou ainda mais, para os 3,6 por cento. O índice dos produtos energéticos chegou aos 15,3 por cento.

Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.

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