Peixe e carne com aumentos de preço acima de 13% e 6% desde a primeira semana do ano
O preço do cabaz alimentar com 63 bens essenciais monitorizado pela DECO PROteste já aumentou mais de 18 euros desde o início do ano. O peixe e a carne estão entre as categorias de produto que mais encareceram, com subidas percentuais de preço de 13,21% e 6,78%, respetivamente.
O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste registou uma ligeira descida de 1,48 euros (menos 0,57%) na última semana, e custa agora 260,41 euros, um dos preços mais elevados dos últimos quatro anos. Desde o início do ano, esta cesta de bens essenciais já viu o seu preço subir 18,58 euros (mais 7,68 por cento). Há cerca de quatro anos, a 5 de janeiro de 2022, para comprar exatamente os mesmos produtos, os consumidores gastavam menos 72,71 euros (menos 38,74 por cento).
Desde a primeira semana do ano, os preços do peixe, das frutas e legumes e da carne já aumentaram 13,21%, 7,52% e 6,78%, respetivamente. Uma cesta com um quilo de oito diferentes variedades de peixe, como robalo, dourada ou carapau, pode agora custar 95,59 euros, mais 11,16 euros do que na primeira semana do ano. Para comprar um quilo de 14 diferentes frutas e legumes, como maçã gala, banana, alface, batata-vermelha ou tomate, é preciso gastar 30,65 euros, mais 2,14 euros do que no início do ano. Já para comprar pelo menos um quilo de sete diferentes variedades de carne, como bife de peru, carne de novilho para cozer e frango inteiro, os consumidores têm agora de gastar 48,04 euros, mais 3,05 euros do que a 7 de janeiro deste ano.
Se o conflito no Médio Oriente continuar, é possível que os preços dos bens alimentares subam ainda mais nos próximos meses. Esta guerra já provocou aumentos nos preços dos combustíveis e da energia, e os impactos já se fizeram sentir nas cadeias de abastecimento, tal como aconteceu com a crise energética provocada pelo início da guerra na Ucrânia.
Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis somam-se ainda os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, cujos efeitos podem ainda não estar integralmente refletidos nos preços ao consumidor, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, se o conflito na região se prolongar, os preços destes produtos podem vir a aumentar significativamente, o que resultará em bens alimentares mais caros.
Como é calculado o preço do cabaz?
Desde janeiro de 2022, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.
Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia.
Carne
- Lombo de porco
- Frango inteiro
- Febras de porco
- Costeletas de porco
- Bife de peru
- Carne de novilho para cozer
- Perna de peru
Peixe
- Bacalhau graúdo
- Dourada
- Salmão
- Pescada fresca
- Carapau
- Peixe-espada-preto
- Robalo
- Perca
Congelados
- Douradinhos de peixe
- Ervilhas ultracongeladas
- Medalhões de pescada
Frutas e legumes
- Laranja
- Maçã gala
- Maçã golden
- Banana
- Tomate
- Couve-flor
- Alface
- Brócolos
- Cenoura
- Batata-vermelha
- Curgete
- Alho
- Cebola
- Couve-coração
Laticínios
- Queijo curado fatiado embalado
- Queijo flamengo fatiado embalado
- Leite UHT meio-gordo
- Manteiga com sal
- Iogurte de aroma (pack de oito)
- Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
- Ovos
Mercearia
- Grão cozido
- Feijão cozido
- Óleo alimentar 100% vegetal
- Azeite virgem extra
- Sal grosso
- Arroz carolino
- Arroz agulha
- Salsichas Frankfurt
- Atum posta em azeite
- Atum posta em óleo
- Açúcar branco
- Massa espirais
- Esparguete
- Polpa de tomate
- Farinha para bolos
- Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
- Flocos de cereais de mel
- Cereais de fibra
- Carcaça tradicional
- Peito de peru fatiado
- Fiambre da perna fatiado
- Bolacha maria
- Pão de forma sem côdea
- Café torrado moído
Quais os produtos que mais aumentaram?
Na última semana, entre 6 e 13 de maio, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram a massa em espirais (mais 9%), a perca (mais 7%) e o atum posta em azeite (mais 6 por cento).
Por outro lado, se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, a maior subida percentual de preço verificou-se no tomate (mais 42%), na couve-coração (mais 33%) e na dourada (mais 30 por cento).
Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço deste cabaz, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 126%), da couve-coração (mais 97%) e dos ovos (mais 84 por cento).
Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?
A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.
Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.
Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano.
O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.
Taxa de inflação chega aos 3,3% em abril
Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025, a taxa de inflação fixou-se nos 2,3%, menos do que os 2,4% do ano de 2024. Já em abril de 2026, de acordo com os dados do INE, a taxa de inflação acelerou para 3,3%, mais 0,6 pontos percentuais face a março.
Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.
|
O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTeste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições. |
