Preço do carapau subiu 16% na última semana
O preço do carapau registou um aumento de 16% em apenas uma semana, para quase 6 euros por quilo. O peixe é, aliás, a categoria de produto cujo preço mais aumentou desde o início do ano. Um pequeno cabaz com um quilo de oito diferentes variedades de peixe pode custar quase 100 euros.
O preço do cabaz de 63 bens alimentares essenciais monitorizado pela DECO PROteste custa, esta semana, 254,22 euros, mais 11 cêntimos (mais 0,04%) face à semana anterior. Esta cesta está já num dos valores mais elevados do ano e custa agora mais 12,39 euros (mais 5,12%) do que na primeira semana de 2026. Há cerca de quatro anos e meio, quando a DECO PROteste iniciou esta monitorização, esta cesta custava menos 66,52 euros (menos 35,44 por cento).
Na última semana, o caparau foi o produto cujo preço mais aumentou, com uma subida de 82 cêntimos por quilo (mais 16%), para 5,88 euros por quilo. O peixe é também a categoria de produto que mais encareceu desde o início do ano. Nos primeiros nove meses do ano, entre 7 de janeiro e 30 de setembro, a subida foi de 10,98 por cento. Um cabaz com um quilo de oito diferentes variedades de peixe, como bacalhau graúdo, dourada, salmão, pescada fresca, carapau, peixe-espada-preto, robalo e perca, custa agora em média, 93,70 euros, mais 9,27 euros do que na primeira semana deste ano.
Como é calculado o preço do cabaz?
Desde janeiro de 2022, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.
Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia.
Carne
- Lombo de porco
- Frango inteiro
- Febras de porco
- Costeletas de porco
- Bife de peru
- Carne de novilho para cozer
- Perna de peru
Peixe
- Bacalhau graúdo
- Dourada
- Salmão
- Pescada fresca
- Carapau
- Peixe-espada-preto
- Robalo
- Perca
Congelados
- Douradinhos de peixe
- Ervilhas ultracongeladas
- Medalhões de pescada
Frutas e legumes
- Laranja
- Maçã gala
- Maçã golden
- Banana
- Tomate
- Couve-flor
- Alface
- Brócolos
- Cenoura
- Batata-vermelha
- Curgete
- Alho
- Cebola
- Couve-coração
Laticínios
- Queijo curado fatiado embalado
- Queijo flamengo fatiado embalado
- Leite UHT meio-gordo
- Manteiga com sal
- Iogurte de aroma (pack de oito)
- Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
- Ovos
Mercearia
- Grão cozido
- Feijão cozido
- Óleo alimentar 100% vegetal
- Azeite virgem extra
- Sal grosso
- Arroz carolino
- Arroz agulha
- Salsichas Frankfurt
- Atum posta em azeite
- Atum posta em óleo
- Açúcar branco
- Massa espirais
- Esparguete
- Polpa de tomate
- Farinha para bolos
- Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
- Flocos de cereais de mel
- Cereais de fibra
- Carcaça tradicional
- Peito de peru fatiado
- Fiambre da perna fatiado
- Bolacha maria
- Pão de forma sem côdea
- Café torrado moído
Quais os produtos que mais aumentaram?
Na última semana, entre 23 e 30 de setembro, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram, além do carapau, os cereais de fibra (mais 10%), o grão cozido (mais 9%) e a bolacha maria (mais 7 por cento).
Se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, as maiores subidas percentuais de preço foram as do arroz carolino (mais 30%), da couve-coração (mais 30%) e da dourada (mais 22 por cento).
Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço destes bens alimentares, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 119%), do bacalhau graúdo (mais 94%) e da couve-coração (mais 91 por cento).
Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?
A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.
Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.
Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano. O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.
Em 2026, e sobretudo nos últimos meses, a instabilidade causada pelo conflito entre os EUA e o Irão, no Médio Oriente, tem provocado disrupções nas cadeias de abastecimento e aumentos nos preços dos combustíveis e da energia. Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis registadas este ano somam-se ainda os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes aumentaram significativamente, o que se tem traduzido em bens alimentares mais caros.
Taxa de inflação sobe 3,6% em setembro
Recorde-se que os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023.
Já em agosto deste ano, a taxa de inflação fixou-se nos 3,3%, impulsionada pelo aumento do preço dos combustíveis. E em setembro, de acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), poderá ter acelerado ainda mais, para os 3,6 por cento. O índice dos produtos energéticos chegou aos 15,4 por cento.
Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.
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