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Tomate já custa mais de 3 euros por quilo

O preço do tomate aumentou 64 cêntimos na última semana e ultrapassou pela primeira vez este ano os 3 euros por quilo. O cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste também voltou a atingir um novo máximo histórico e nunca esteve tão caro.

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02 abril 2026
cabaz alimentar

iStock

O preço do tomate registou uma subida de 64 cêntimos (mais 24%) na última semana e ultrapassou pela primeira vez este ano os 3 euros por quilo. Custa agora 3,24 euros. Com este aumento, o tomate é já o produto do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste cujo preço mais aumentou desde o início do ano. Desde 7 de janeiro, já viu o seu preço subir 1,05 euros por quilo (48 por cento).

No seu conjunto, o cabaz de 63 bens alimentares monitorizado pela DECO PROteste desde janeiro de 2022 também nunca tinha estado tão caro e continua a bater recordes de preço todas as semanas. Na última semana, voltou a ficar mais caro 60 cêntimos (mais 0,24%) e custa agora 254,99 euros. Desde o início do ano, a subida foi já de 13,17 euros (mais 5,45 por cento). Há cerca de quatro anos, a 5 de janeiro de 2022, para comprar exatamente os mesmos produtos, os consumidores gastavam menos 67,29 euros (menos 35,85 por cento).

Com o conflito no Médio Oriente, é possível que os preços dos bens alimentares possam vir a subir ainda mais nos próximos meses. Esta guerra já provocou aumentos nos preços dos combustíveis e da energia, e os impactos podem fazer-se sentir nas cadeias de abastecimento, tal como aconteceu com a crise energética provocada pelo início da guerra na Ucrânia. 

Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis poderão ainda somar-se os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, cujos efeitos podem ainda não estar integralmente refletidos nos preços ao consumidor, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, se o conflito na região se prolongar, os preços destes produtos podem vir a aumentar significativamente, o que resultará em bens alimentares mais caros.

Como é calculado o preço do cabaz?

Nos últimos quatro anos, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.

Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simuladorem que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia. 

Veja a lista de 63 produtos que compõem o cabaz de bens essenciais

Carne

  • Lombo de porco
  • Frango inteiro
  • Febras de porco
  • Costeletas de porco
  • Bife de peru
  • Carne de novilho para cozer
  • Perna de peru

Peixe

  • Bacalhau graúdo
  • Dourada
  • Salmão
  • Pescada fresca
  • Carapau
  • Peixe-espada-preto
  • Robalo
  • Perca

Congelados

  • Douradinhos de peixe
  • Ervilhas ultracongeladas
  • Medalhões de pescada

Frutas e legumes

  • Laranja
  • Maçã gala
  • Maçã golden
  • Banana
  • Tomate
  • Couve-flor
  • Alface
  • Brócolos
  • Cenoura
  • Batata-vermelha
  • Curgete
  • Alho
  • Cebola
  • Couve-coração

Laticínios

  • Queijo curado fatiado embalado
  • Queijo flamengo fatiado embalado
  • Leite UHT meio-gordo
  • Manteiga com sal
  • Iogurte de aroma (pack de oito)
  • Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
  • Ovos

Mercearia

  • Grão cozido
  • Feijão cozido
  • Óleo alimentar 100% vegetal
  • Azeite virgem extra
  • Sal grosso
  • Arroz carolino
  • Arroz agulha
  • Salsichas Frankfurt
  • Atum posta em azeite
  • Atum posta em óleo
  • Açúcar branco
  • Massa espirais
  • Esparguete
  • Polpa de tomate
  • Farinha para bolos
  • Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
  • Flocos de cereais de mel
  • Cereais de fibra
  • Carcaça tradicional
  • Peito de peru fatiado
  • Fiambre da perna fatiado
  • Bolacha maria
  • Pão de forma sem côdea
  • Café torrado moído

Quais os produtos que mais aumentaram? 

Na última semana, entre 25 de março e 1 de abril, além do tomate, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram o carapau (mais 29%), a couve-flor (mais 17%) e os brócolos (mais 16 por cento).

Por outro lado, se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, a maior subida percentual de preço verificou-se, além do tomate, em produtos como a curgete (mais 43%), a couve-coração (mais 42%) e a dourada (mais 23 por cento).

Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço deste cabaz, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 124%), da couve-coração (mais 109%) e dos ovos (mais 84 por cento).

Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?

A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal em 2022.

Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.

Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano.

O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.

Taxa de inflação volta a subir em março

Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025, a taxa de inflação fixou-se nos 2,3%, menos do que os 2,4% do ano de 2024. Já em março de 2026, de acordo com as estimativas do INE, deverá ter acelerado para 2,7%, mais 0,6 pontos percentuais face a fevereiro.

Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.

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