Pescada volta a ficar mais cara e já custa quase 12 euros por quilo
A pescada fresca foi o produto cujo preço mais aumentou na última semana. De acordo com os dados da DECO PROteste, o peixe está entre as categorias de produto que mais encareceram desde o início do ano, com variedades como o peixe-espada-preto, a dourada, a perca e o robalo a registarem subidas entre 31% e 21 por cento.
A pescada fresca foi o produto cujo preço mais aumentou na última semana, registando uma subida de 1,65 euros por quilo (mais 16%), para 11,94 euros por quilo. O peixe tem estado entre as categorias de produto cujos preços mais têm aumentado desde o início do ano no cabaz alimentar de 63 bens essenciais monitorizado pela DECO PROteste. Desde a primeira semana do ano, já aumentou, em média, 14,14 por cento.
Desde 7 de janeiro, o peixe-espada-preto, a dourada, a perca e o robalo já viram os seus preços subir entre 31% e 21 por cento. Um quilo de peixe-espada-preto custa agora 12,03 euros, mais 2,86 euros por quilo do que no início do ano. A dourada viu o seu preço subir 2,16 euros por quilo para 9,85 euros por quilo. A perca, por outro lado, custa agora 12,86 euros por quilo, mais 2,45 euros por quilo do que no início do ano. Já um quilo de robalo pode agora custar 10,44 euros, mais 1,78 euros por quilo do que na primeira semana do ano.
O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste, por sua vez, registou na última semana uma ligeira descida de 1,58 euros (menos 0,61%), e custa agora 258,83 euros, ainda assim, um dos valores mais elevados dos últimos quatro anos. Desde o início do ano, esta cesta de bens essenciais já viu o seu preço subir 17 euros (mais 7,03 por cento). Há cerca de quatro anos, a 5 de janeiro de 2022, para comprar exatamente os mesmos produtos, os consumidores gastavam menos 71,13 euros (menos 37,9 por cento).
Se o conflito no Médio Oriente se prolongar, é possível que os preços dos bens alimentares subam ainda mais nos próximos meses. Esta guerra provocou aumentos nos preços dos combustíveis e da energia, e os impactos fazem-se sentir nas cadeias de abastecimento, tal como aconteceu com a crise energética provocada pelo início da guerra na Ucrânia.
Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis somam-se ainda os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, cujos efeitos podem ainda não estar integralmente refletidos nos preços ao consumidor, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes já aumentaram significativamente, o que se tem traduzido em bens alimentares mais caros.
Como é calculado o preço do cabaz?
Desde janeiro de 2022, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.
Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia.
Carne
- Lombo de porco
- Frango inteiro
- Febras de porco
- Costeletas de porco
- Bife de peru
- Carne de novilho para cozer
- Perna de peru
Peixe
- Bacalhau graúdo
- Dourada
- Salmão
- Pescada fresca
- Carapau
- Peixe-espada-preto
- Robalo
- Perca
Congelados
- Douradinhos de peixe
- Ervilhas ultracongeladas
- Medalhões de pescada
Frutas e legumes
- Laranja
- Maçã gala
- Maçã golden
- Banana
- Tomate
- Couve-flor
- Alface
- Brócolos
- Cenoura
- Batata-vermelha
- Curgete
- Alho
- Cebola
- Couve-coração
Laticínios
- Queijo curado fatiado embalado
- Queijo flamengo fatiado embalado
- Leite UHT meio-gordo
- Manteiga com sal
- Iogurte de aroma (pack de oito)
- Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
- Ovos
Mercearia
- Grão cozido
- Feijão cozido
- Óleo alimentar 100% vegetal
- Azeite virgem extra
- Sal grosso
- Arroz carolino
- Arroz agulha
- Salsichas Frankfurt
- Atum posta em azeite
- Atum posta em óleo
- Açúcar branco
- Massa espirais
- Esparguete
- Polpa de tomate
- Farinha para bolos
- Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
- Flocos de cereais de mel
- Cereais de fibra
- Carcaça tradicional
- Peito de peru fatiado
- Fiambre da perna fatiado
- Bolacha maria
- Pão de forma sem côdea
- Café torrado moído
Quais os produtos que mais aumentaram?
Na última semana, entre 13 e 20 de maio, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram, além da pescada fresca, o fiambre da perna extra (mais 12%), o café torrado moído (mais 10%) e a curgete (mais 6 por cento).
Por outro lado, se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, a maior subida percentual de preço verificou-se no peixe-espada-preto (mais 31%), no tomate (mais 31%) e na couve-coração (mais 29 por cento).
Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço deste cabaz, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 128%), da couve-coração (mais 91%) e dos ovos (mais 84 por cento).
Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?
A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.
Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.
Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano.
O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.
Taxa de inflação chega aos 3,3% em abril
Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025, a taxa de inflação fixou-se nos 2,3%, menos do que os 2,4% do ano de 2024. Já em abril de 2026, de acordo com os dados do INE, a taxa de inflação acelerou para 3,3%, mais 0,6 pontos percentuais face a março.
Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.
|
O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTeste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições. |
