Preço do cabaz alimentar subiu mais de 13 euros nos primeiros nove meses do ano
O preço do cabaz alimentar aumentou 13,74 euros nos primeiros nove meses de 2026. O arroz carolino, a dourada e a couve-coração foram os alimentos que mais encareceram, com subidas entre os 26% e os 30 por cento.
O preço do cabaz de 63 bens alimentares essenciais monitorizado pela DECO PROteste aumentou 1,34 euros (mais 0,53%) na última semana, e custa agora 255,56 euros. Esta cesta já viu o seu preço subir 13,74 euros (mais 5,68%) nos primeiros nove meses do ano e está agora já num dos valores mais elevados desde que a DECO PROteste iniciou esta monitorização. A 5 de janeiro de 2022, esta cesta custava menos 67,86 euros (menos 36,15 por cento).
Nos primeiros nove meses do ano, entre 7 de janeiro e 7 de outubro, os produtos cujo preço mais aumentou foram o arroz carolino, a dourada e a couve-coração, com subidas percentuais entre os 26% e os 30 por cento. O preço do arroz carolino subiu 41 cêntimos (mais 30%) em nove meses, para 1,79 euros. A dourada registou um aumento de 2,04 euros por quilo (mais 26%) e passou a custar 9,74 euros. A couve-coração, por sua vez, encareceu 38 cêntimos por quilo (mais 26%) e custa já 1,85 euros por quilo.
Como é calculado o preço do cabaz?
Desde janeiro de 2022, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.
Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia.
Carne
- Lombo de porco
- Frango inteiro
- Febras de porco
- Costeletas de porco
- Bife de peru
- Carne de novilho para cozer
- Perna de peru
Peixe
- Bacalhau graúdo
- Dourada
- Salmão
- Pescada fresca
- Carapau
- Peixe-espada-preto
- Robalo
- Perca
Congelados
- Douradinhos de peixe
- Ervilhas ultracongeladas
- Medalhões de pescada
Frutas e legumes
- Laranja
- Maçã gala
- Maçã golden
- Banana
- Tomate
- Couve-flor
- Alface
- Brócolos
- Cenoura
- Batata-vermelha
- Curgete
- Alho
- Cebola
- Couve-coração
Laticínios
- Queijo curado fatiado embalado
- Queijo flamengo fatiado embalado
- Leite UHT meio-gordo
- Manteiga com sal
- Iogurte de aroma (pack de oito)
- Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
- Ovos
Mercearia
- Grão cozido
- Feijão cozido
- Óleo alimentar 100% vegetal
- Azeite virgem extra
- Sal grosso
- Arroz carolino
- Arroz agulha
- Salsichas Frankfurt
- Atum posta em azeite
- Atum posta em óleo
- Açúcar branco
- Massa espirais
- Esparguete
- Polpa de tomate
- Farinha para bolos
- Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
- Flocos de cereais de mel
- Cereais de fibra
- Carcaça tradicional
- Peito de peru fatiado
- Fiambre da perna fatiado
- Bolacha maria
- Pão de forma sem côdea
- Café torrado moído
Quais os produtos que mais aumentaram?
Na última semana, entre 30 de setembro e 7 de outubro, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram os cereais integrais (mais 29%), as ervilhas ultracongeladas (mais 11%) e a polpa de tomate (mais 10 por cento).
Se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, as maiores subidas percentuais de preço foram, além do arroz carolino, da dourada e da couve-coração, as do bacalhau graúdo (mais 21%), do peixe-espada-preto (mais 21%) e do tomate (mais 20 por cento).
Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço destes bens alimentares, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 110%), do bacalhau graúdo (mais 96%) e da couve-coração (mais 86 por cento).
Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?
A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.
Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.
Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano. O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.
Em 2026, e sobretudo nos últimos meses, a instabilidade causada pelo conflito entre os EUA e o Irão, no Médio Oriente, tem provocado disrupções nas cadeias de abastecimento e aumentos nos preços dos combustíveis e da energia. Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis registadas este ano somam-se ainda os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes aumentaram significativamente, o que se tem traduzido em bens alimentares mais caros.
Taxa de inflação sobe para 3,6% em setembro
Recorde-se que os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023.
Já em agosto deste ano, a taxa de inflação fixou-se nos 3,3%, impulsionada pelo aumento do preço dos combustíveis. E em setembro, de acordo com a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), poderá ter acelerado ainda mais, para os 3,6 por cento. O índice dos produtos energéticos chegou aos 15,4 por cento.
Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.
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