Cabaz alimentar volta às subidas: brócolos e tomate com aumentos de preço acima de 10% numa semana
O preço do cabaz alimentar voltou às subidas depois de na última semana ter atingido o valor mais baixo desde o início de março. Os brócolos e o tomate lideram os aumentos percentuais de preço, com subidas acima dos 10 por cento. Veja quanto custa agora o cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste.
O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste voltou a subir. Entre 1 e 8 de julho, o aumento chegou aos 3,08 euros (mais 1,21%), com o conjunto de 63 bens alimentares essenciais a custar agora 256,71 euros. Na primeira semana de 2026, era possível comprar exatamente os mesmos bens alimentares por menos 14,89 euros (menos 6,16 por cento). Já há cerca de quatro anos e meio, quando a DECO PROteste iniciou esta monitorização, esta cesta custava menos 69,01 euros (menos 36,77 por cento).
Na última semana, os brócolos e o tomate foram os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente, com estes hortofrutícolas a registarem subidas acima dos 10 por cento. Nos brócolos, a subida de preço chegou aos 40 cêntimos por quilo (mais 13%), para 3,35 euros. Já o tomate está 24 cêntimos por quilo (mais 12%) mais caro, e custa agora 2,29 euros.
Nos últimos meses, a instabilidade causada pelo conflito entre os EUA e o Irão, no Médio Oriente, tem provocado disrupções nas cadeias de abastecimento e aumentos nos preços dos combustíveis e da energia.
Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis nos últimos meses somam-se ainda os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, cujos efeitos podem ainda não estar integralmente refletidos nos preços ao consumidor, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes aumentaram significativamente, o que se tem traduzido em bens alimentares mais caros.
Como é calculado o preço do cabaz?
Desde janeiro de 2022, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.
Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia.
Carne
- Lombo de porco
- Frango inteiro
- Febras de porco
- Costeletas de porco
- Bife de peru
- Carne de novilho para cozer
- Perna de peru
Peixe
- Bacalhau graúdo
- Dourada
- Salmão
- Pescada fresca
- Carapau
- Peixe-espada-preto
- Robalo
- Perca
Congelados
- Douradinhos de peixe
- Ervilhas ultracongeladas
- Medalhões de pescada
Frutas e legumes
- Laranja
- Maçã gala
- Maçã golden
- Banana
- Tomate
- Couve-flor
- Alface
- Brócolos
- Cenoura
- Batata-vermelha
- Curgete
- Alho
- Cebola
- Couve-coração
Laticínios
- Queijo curado fatiado embalado
- Queijo flamengo fatiado embalado
- Leite UHT meio-gordo
- Manteiga com sal
- Iogurte de aroma (pack de oito)
- Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
- Ovos
Mercearia
- Grão cozido
- Feijão cozido
- Óleo alimentar 100% vegetal
- Azeite virgem extra
- Sal grosso
- Arroz carolino
- Arroz agulha
- Salsichas Frankfurt
- Atum posta em azeite
- Atum posta em óleo
- Açúcar branco
- Massa espirais
- Esparguete
- Polpa de tomate
- Farinha para bolos
- Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
- Flocos de cereais de mel
- Cereais de fibra
- Carcaça tradicional
- Peito de peru fatiado
- Fiambre da perna fatiado
- Bolacha maria
- Pão de forma sem côdea
- Café torrado moído
Quais os produtos que mais aumentaram?
Na última semana, entre 1 e 8 de julho, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram, além dos brócolos e do tomate, a farinha para bolos (mais 9%), a polpa de tomate (mais 9%) e o pão de forma sem côdea (mais 8 por cento).
Se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, as maiores subidas percentuais de preço foram as do arroz carolino (mais 28%), do peixe-espada-preto (mais 26%) e da dourada (mais 23 por cento).
Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço destes bens alimentares, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 127%), dos ovos (mais 84%) e da couve-coração (mais 77 por cento).
Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?
A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.
Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.
Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano.
O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.
Taxa de inflação abranda para 3,2% em junho
Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025, a taxa de inflação fixou-se nos 2,3%, menos do que os 2,4% do ano de 2024. Em maio de 2026, de acordo com os dados do INE, a taxa de inflação fixou-se nos 3,3 pontos percentuais. Mas, em junho, de acordo com as estimativas do INE, terá abrandado para 3,2 pontos percentuais.
Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.
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