Cabaz alimentar volta a ficar mais caro com o preço de alguns produtos a subir entre 16% e 10% numa semana
O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste voltou a ficar mais caro. Só na última semana, alguns produtos viram o seu preço aumentar entre 16% e 10 por cento. Veja quais os produtos que mais encareceram na última semana.
O cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste ficou mais caro na última semana. Entre 12 e 19 de agosto, esta cesta de 63 bens alimentares essenciais viu o seu preço subir 1,48 euros (mais 0,59%), para 253,55 euros. Este aumento no preço do cabaz alimentar é explicado, sobretudo, por subidas no preço de produtos como o atum posta em óleo vegetal ou a farinha para bolos. Em apenas uma semana, registaram aumentos de preço de 16% e 10%, respetivamente. No atum posta em óleo vegetal, a subida foi de 22 cêntimos, para 1,59 euros. Já na farinha para bolos, o aumento chegou aos 17 cêntimos por embalagem, para 1,83 euros.
Na primeira semana de 2026, era possível comprar exatamente o mesmo cabaz alimentar por menos 11,73 euros (menos 4,85 por cento). Já há cerca de quatro anos e meio, quando a DECO PROteste iniciou esta monitorização, esta cesta custava menos 65,85 euros (menos 35,08 por cento).
Como é calculado o preço do cabaz?
Desde janeiro de 2022, a DECO PROteste tem acompanhado a evolução dos preços dos bens alimentares essenciais, analisando, todas as quartas-feiras, o custo total de um cabaz, com base nos preços recolhidos no dia anterior nos principais supermercados com loja online.
Começa-se por calcular o preço médio por produto em todas as lojas online do simulador, em que se encontra disponível. Depois, somando o preço médio de todos os produtos, obtém-se o custo do cabaz para um determinado dia.
Carne
- Lombo de porco
- Frango inteiro
- Febras de porco
- Costeletas de porco
- Bife de peru
- Carne de novilho para cozer
- Perna de peru
Peixe
- Bacalhau graúdo
- Dourada
- Salmão
- Pescada fresca
- Carapau
- Peixe-espada-preto
- Robalo
- Perca
Congelados
- Douradinhos de peixe
- Ervilhas ultracongeladas
- Medalhões de pescada
Frutas e legumes
- Laranja
- Maçã gala
- Maçã golden
- Banana
- Tomate
- Couve-flor
- Alface
- Brócolos
- Cenoura
- Batata-vermelha
- Curgete
- Alho
- Cebola
- Couve-coração
Laticínios
- Queijo curado fatiado embalado
- Queijo flamengo fatiado embalado
- Leite UHT meio-gordo
- Manteiga com sal
- Iogurte de aroma (pack de oito)
- Iogurte líquido de morango (pack de quatro)
- Ovos
Mercearia
- Grão cozido
- Feijão cozido
- Óleo alimentar 100% vegetal
- Azeite virgem extra
- Sal grosso
- Arroz carolino
- Arroz agulha
- Salsichas Frankfurt
- Atum posta em azeite
- Atum posta em óleo
- Açúcar branco
- Massa espirais
- Esparguete
- Polpa de tomate
- Farinha para bolos
- Cereais de trigo, arroz e aveia integrais
- Flocos de cereais de mel
- Cereais de fibra
- Carcaça tradicional
- Peito de peru fatiado
- Fiambre da perna fatiado
- Bolacha maria
- Pão de forma sem côdea
- Café torrado moído
Quais os produtos que mais aumentaram?
Na última semana, entre 12 e 19 de agosto, os produtos cujo preço mais aumentou percentualmente foram, além do atum posta em óleo vegetal e da farinha para bolos, o feijão-manteiga (mais 10%), o café torrado moído (mais 9%) e os cereais integrais (mais 8 por cento).
Se compararmos os preços atuais com os da primeira semana do ano, a 7 de janeiro de 2026, as maiores subidas percentuais de preço foram as da couve-coração (mais 32%), do arroz carolino (mais 30%) e da dourada (mais 30 por cento).
Já desde 5 de janeiro de 2022, quando a DECO PROteste iniciou a monitorização do preço destes bens alimentares, os maiores aumentos percentuais foram os da carne de novilho para cozer (mais 119%), da couve-coração (mais 95%) e do bacalhau graúdo (mais 85 por cento).
Porque aumentaram os preços dos alimentos nos últimos quatro anos?
A invasão da Rússia à Ucrânia, de onde eram provenientes grande parte dos cereais consumidos na União Europeia (e em Portugal) veio pressionar, em 2022, o setor agroalimentar, que estava há já vários meses a braços com as consequências da pandemia de covid-19 e da seca vivida em Portugal. A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente dos fertilizantes e da energia, necessários à produção agroalimentar, refletiu-se, por isso, num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor de produtos como a carne, os hortofrutícolas, os cereais de pequeno-almoço ou o óleo vegetal.
Esta subida de preços levou o Governo a adotar, em abril de 2023, a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos. E, se inicialmente a medida até ajudou a controlar a subida dos preços, poucos meses depois o impacto deixou de se fazer sentir na carteira dos consumidores, com o preço do cabaz alimentar novamente a disparar.
Já em 2024, e após a reposição deste imposto, os preços de alguns produtos continuaram a subir, como foi o caso do azeite virgem extra, que atingiu o seu preço mais elevado em abril desse ano. O ano de 2025, por outro lado, foi marcado, sobretudo, por subidas nos preços dos ovos, do café torrado moído ou até do chocolate.
Em 2026, e sobretudo nos últimos meses, a instabilidade causada pelo conflito entre os EUA e o Irão, no Médio Oriente, tem provocado disrupções nas cadeias de abastecimento e aumentos nos preços dos combustíveis e da energia. Ao impacto das subidas de preços nos combustíveis registadas este ano somam-se ainda os prejuízos causados pelas tempestades de janeiro e fevereiro no País, assim como uma subida nos preços dos fertilizantes usados na agricultura. Alguns dos maiores produtores de fertilizantes agrícolas, e de matérias-primas para fertilizantes, estão localizados no Médio Oriente. Com grande parte destas mercadorias expedida por via marítima através do estreito de Ormuz, os preços dos fertilizantes aumentaram significativamente, o que se tem traduzido em bens alimentares mais caros.
Taxa de inflação abranda para 3% em julho
Recorde-se que os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor contribuíram para o aumento da taxa de inflação para níveis históricos em 2022 e 2023. No entanto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2025, a taxa de inflação começou a descer e fixou-se nos 2,3%, menos do que os 2,4% do ano de 2024. Em julho deste ano, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, a taxa de inflação desacelerou dos 3,2% de junho para 3 por cento.
Para poupar nas compras semanais, pesquise os supermercados mais baratos e compare o índice diário das várias cadeias de distribuição para o mesmo cabaz de produtos, no simulador da DECO PROteste, disponível na plataforma Saber Poupar, em www.saberpoupar.pt. Pode pesquisar por distrito ou concelho e até selecionar o tipo de alimentos que costuma comprar.
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