Workshop online com Rodolfo Tristão no Clube de Vinhos DECO PROTeste
Três vinhos brancos e três tintos, de regiões distintas (Vinho Verde, Dão, Douro, Península de Setúbal e Alentejo), foram as estrelas do primeiro workshop online do Clube de Vinhos DECO PROTeste. Rodolfo Tristão conduziu a viagem sobre a arte de provar vinho.
Todos clássicos de Portugal, os vinhos são apenas o pretexto para aprender tudo sobre a “Arte de provar vinho: olhar, cheirar e provar”. O título da primeira edição do workshop prometia. Com vinho no copo e de copo na mão, foi uma viagem descontraída por castas únicas e emblemáticas da riqueza de cada região de Portugal em prova.
Conhecer o Clube de Vinhos DECO PROTeste
O grupo de participantes contou com consumidores fãs de vinho e profissionais ligados ao turismo, sobretudo enoturismo, em busca de mais experiência e conhecimento. “Preferem falar sem vinho no copo ou só com vinho no copo?”, perguntou Rodolfo Tristão, escanção há mais de 20 anos. É professor na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e colabora com a DECO Proteste no novo Clube de Vinhos, uma vantagem exclusiva para os subscritores do Guia de Vinhos. A resposta adivinha-se fácil. E Rodolfo iniciou o primeiro workshop a desfazer mitos e a desmontar ideias falsas sobre vinho.
Das frases feitas que todos ouvimos até às dicas concretas para a prova e as tendências do momento foi um salto. E sempre de forma descontraída e sem termos demasiados técnicos, como se pretende entre fãs e consumidores de vinho. “Hoje, este é um encontro de amigos com vinhos”, prometeu Rodolfo. O escanção desafia-nos: “É preciso tirar o fato e a gravata ao vinho e descomplicar o processo de escolha, uma ideia que costumo utilizar do meu amigo Cláudio [Martins].”
Como descomplicar a escolha do vinho
Primeiro, acabar de vez com ideias falsas. Para mais tarde poder provar sem preconceitos. “Queres verde ou maduro?”, “Quanto mais álcool, melhor” ou “Branco, Palhete ou Curtimenta não é vinho” são exemplos que ouvimos muitas vezes entre amigos e família.
Na verdade, para se fazer vinho, as uvas têm de estar maduras. Vinho Verde é uma denominação de origem para vinhos certificados de uma parte do noroeste do País, sejam brancos, tintos ou rosados. As suas características (baixo teor alcoólico, acidez fixa elevada e ligeira presença de gás) devem-se às castas usadas, ao clima da região, ao sistema das videiras e ao processo de vinificação.
E o palhete? Sim, é feito da mistura de uvas brancas com tintas. Como bem recordou Rodolfo, “estes vinhos foram aliás a essência de Portugal” durante décadas.
E se for branco, não é vinho? Como? Das adegas de terra batida às cubas de inox, o vinho branco foi o que mais evoluiu com a tecnologia em Portugal. “Normalmente, quanto mais experientes ficamos, mais vinho branco bebemos.” Já os vinhos de curtimenta aliam a frescura de um branco à estrutura de um tinto, mas são vinhos, pois claro.
Código QR obrigatório no vinho a partir de dezembro
Pét-Nat é a abreviatura de Péttilant Naturel, uma tendência de vendas por cá. Muitos exibem um aspeto turvo. Rodolfo Tristão resumiu: “Os vinhos ditos naturais exigem maior intervenção na vinha e a menor possível na adega, com menor quantidade de compostos químicos.” Também argumentam que não têm adição de sulfitos. A prova dos nove para os vinhos começa a partir de 8 de dezembro.
Os vinhos serão obrigados a exibir no rótulo a declaração nutricional e a lista de ingredientes na garrafa ou por via eletrónica (com código QR, por exemplo). Por isso, como salientou Rodolfo, este será um momento crítico para os produtores, em que se acabam os segredos na composição e produção de um vinho.
Dicas para fazer a prova do vinho
Para a prova, todos os pormenores contam: o local, o tipo de copos e a comida. E o facto de estarmos sozinhos ou ter companhia para brindar também conta. Arrancámos assim para a parte mais gostosa do workshop: depois de retirar os vinhos do frio, rolhas aos saltos e copos prontos. À medida que se prova cada um dos seis vinhos, começa a partilha de conselhos para aplicar em qualquer prova com outros vinhos.
Na fase visual, pudemos desde logo avaliar a limpidez e a presença ou ausência de sedimentos no vinho. Aprecie sem pressas a lágrima no copo. Há quem lhe chame o “choro do vinho”. Se agitar o copo levemente, irão formar-se lágrimas. “Quanto mais denso for o vinho, mais lenta será a lágrima”, revela Rodolfo. “Por isso, se a lágrima escorrer rapidamente, em princípio, estaremos perante um vinho com um teor de álcool baixo.”
600 aromas no vinho, mais de 900 aromas no café
Antes de provar na boca, a fase do olfato é uma etapa essencial para avaliar se o vinho não tem defeitos. Primários, secundários ou terciários, os aromas entram em ação. Os primeiros “são da própria uva”, os secundários concebidos durante e a após a fermentação e os terciários acontecem na garrafa com rolha. O olfato é uma oportunidade para perceber a idade (se é jovem, evoluído ou muito evoluído) e a intensidade do vinho, que depende da quantidade de aromas.
Vinhos brancos e tintos, Rodolfo destacou quase três dezenas de aromas mais comuns: no branco, podemos sentir lima, limão, laranja, pera, maçã, pêssego, ananás, manteiga, tosta, coco, mar, amêndoa e mel. No tinto, amora, cereja, framboesa, morango, ameixa, pimento, tabaco, canela, chocolate, por exemplo. Em suma, quanto mais complexo for o vinho, mais aromas vai descobrir se o apreciar com tranquilidade. O escanção também alertou para uma dezena de defeitos mais frequentes: verniz, vinagre, rolha, couve, ovo, milho e cavalo, por exemplo.
“A boca é o coração da prova de degustação.” E a forma como salivamos diz-nos muito de imediato sobre o vinho. Na ponta da língua, é possível sentir melhor os açúcares e no meio da língua a acidez ou a adstringência. O sal e o amargor ficam por conta da última parte da língua.
Do Encruzado ao Sercial, outrora Esgana-cão, as castas de Portugal
O curso também serviu para saber mais sobre algumas das principais castas de Portugal, que é um dos países do mundo com mais variedade de castas autóctones. Tímida no aroma, mas muito fresca no sabor, a Encruzado conquistou muitos participantes. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Os subscritores do Guia de Vinhos partilharam impressões e trocaram sugestões de vinhos com o apoio de Rodolfo, sempre focado em vinhos que todos podemos comprar em qualquer loja ou supermercado e provar.
Explicou ainda quais são os vinhos onde poderá valer a pena decantar. Ao contrário do que muitos acreditam, os vinhos mais novos são precisamente os que têm mais a ganhar com esta operação. Nos vinhos mais velhos, o choque de oxigénio exige outros cuidados.
“Se encontrar vinhos antigos na garrafeira ou em casa de amigos, experimentem, arrisquem sem medo. Por vezes, a surpresa é mesmo boa”, recomendou. Nas lojas ou em viagem, Rodolfo encontra muitas vezes vinhos perdidos e esquecidos capazes de fazer história. “A culpa raramente é do vinho. O vinho é o momento”.
O próximo workshop do Clube de Vinhos da DECO PROTeste com a Vinha.pt está marcado para 11 de dezembro com o mesmo tema: Arte de provar vinho | olhar, cheirar e provar. Os workshops para os subscritores do Guia de Vinhos da DECO PROTeste destinam-se a quem deseja aprender e saber mais sobre o mundo dos vinhos. E ainda para desfrutar de cada vinho em toda a sua plenitude.
O único comparador independente de vinhos em Portugal
Encontra os resultados detalhados de todos os vinhos analisados no Guia de Vinhos e no comparador da DECO PROTeste. Os subscritores do Guia de Vinhos têm acesso aos resultados completos dos testes a mais de 300 vinhos, não só de espumantes, mas também de tintos, brancos e rosés. Também podem usar a app DECO Vinhos, disponível para iOS e Android. Os subscritores do Guia de vinhos são membros do Clube de vinhos. Pode encomendar packs de vinhos que se distinguiram nos testes e outros selecionados por Rodolfo Tristão. Se usar o código exibido na página do Clube de Vinhos, não paga portes de envio.
Gostou deste conteúdo? Junte-se à nossa missão!
Subscreva já e faça parte da mudança. Saber é poder!
|
O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTeste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições. |
