Hantavírus: o que é, quais os sintomas e como tratar?
A infeção por hantavírus em humanos é causada pelo contacto com roedores infetados ou com a sua urina, fezes ou saliva e pode provocar sintomas semelhantes aos da gripe e evoluir para doença grave. Contudo, os casos de transmissão entre pessoas são raros. Esclareça as principais dúvidas sobre o hantavírus.
Neste artigo
- O que é o hantavírus e como se transmite?
- Quais os sintomas provocados por hantavírus?
- Há algum autoteste para confirmar uma infeção por este vírus?
- Há pessoas mais vulneráveis a uma infeção por hantavírus?
- Como se trata uma infeção por hantavírus?
- Como prevenir o contágio com hantavírus?
- Há destinos para onde as viagens sejam desaconselhadas por causa do hantavírus?
O surto de hantavírus num navio de cruzeiro que viajava desde a Argentina já causou três mortes. A confirmação de vários casos de contágio entre passageiros está a causar alarme internacional e levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a recomendar 42 dias de quarentena a todos os que tenham saído do navio. No entanto, apesar da letalidade da infeção por hantavírus, a OMS assegura que o risco de propagação à população global é “baixo” e que este surto não é o início de uma pandemia.
Saiba que vírus é este, como se transmite, quais os sintomas da infeção e ainda se é seguro continuar a viajar.
Voltar ao topoO que é o hantavírus e como se transmite?
Os hantavírus são um grupo de vírus zoonóticos (que podem ser transmitidos entre animais e humanos), pertencentes à família Hantaviridae, que afetam, sobretudo, determinados roedores.
Em humanos, estes vírus podem causar doença grave. Regra geral, os humanos são infetados por hantavírus através do contacto com roedores infetados ou com a urina, as fezes ou a saliva de roedores infetados. A transmissão destes vírus entre pessoas é rara, mas pode acontecer na sequência de um contacto próximo e prolongado com uma pessoa infetada.
Voltar ao topoQuais os sintomas provocados por hantavírus?
A infeção por hantavírus pode provocar um conjunto de doenças, incluindo formas graves e potencialmente fatais.
Nas Américas, os hantavírus podem causar síndrome pulmonar por hantavírus (SPH), uma doença respiratória grave, com uma taxa de letalidade que pode atingir os 50 por cento. Contudo, no caso do vírus Andes, tipo de hantavírus encontrado na América do Sul, a transmissão entre pessoas através de contacto próximo é limitada. Na Europa e na Ásia, por outro lado, os hantavírus causam febre hemorrágica com síndrome renal.
Nos seres humanos infetados com hantavírus, os sintomas surgem habitualmente entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus. No caso de síndrome pulmonar por hantavírus, os sintomas iniciais são:
- febre, semelhante à da gripe;
- dores musculares nas coxas, na anca e nas costas;
- e fadiga.
Já após quatro a dez dias, os sintomas são:
- tosse;
- extrema falta de ar;
- ou acumulação de líquido nos pulmões.
A doença tem a particularidade de poder evoluir rapidamente, com sintomas como tosse, dificuldade respiratória, acumulação de líquido nos pulmões e choque.
Voltar ao topoHá algum autoteste para confirmar uma infeção por este vírus?
Não. Atualmente, não existem autotestes para confirmar a infeção por hantavírus.
O diagnóstico precoce da infeção por hantavírus pode ser difícil de fazer, uma vez que os sintomas iniciais são comuns a outras doenças febris ou respiratórias, como a gripe, a covid-19, a pneumonia viral ou a sépsis. Por isso, para diagnosticar uma infeção por hantavírus é preciso ter em conta a história clínica do paciente, nomeadamente se houve exposição a roedores, assim como os riscos ocupacionais e ambientais, o histórico de viagens e o contacto com casos conhecidos em áreas onde os hantavírus estão presentes.
Já para confirmar laboratorialmente a doença, são necessários testes serológicos para detetar anticorpos específicos contra hantavírus (IgM ou aumento dos níveis de IgG) e métodos moleculares, como a RT-PCR, utilizados na fase aguda da doença, quando o RNA viral ainda pode ser detetado no sangue.
Voltar ao topoHá pessoas mais vulneráveis a uma infeção por hantavírus?
Qualquer pessoa pode contrair um hantavírus, embora a probabilidade de isso acontecer seja muito reduzida. Há, no entanto, grupos que apresentam maior risco de infeção, nomeadamente:
- pessoas que trabalham em zonas florestais, vivem próximas de florestas ou de campos agrícolas e agricultores;
- pessoas que entrem em espaços onde existam ou tenham existido muitos ratos ou ratazanas, como casas antigas, celeiros ou casas desocupadas durante longos períodos;
- pessoas que criam ratos como animais de companhia ou que contactam frequentemente com ratos selvagens ou domésticos;
- profissionais com contacto frequente com ratos, ratazanas ou com a sua urina e fezes.
Como se trata uma infeção por hantavírus?
Atualmente, não existe qualquer tratamento antiviral específico autorizado para tratar infeções por hantavírus nem vacinas. O tratamento é de suporte e centra-se na monitorização clínica rigorosa e no tratamento das complicações respiratórias, cardíacas e renais causadas pela infeção por hantavírus.
A deteção precoce, assim como o acesso rápido a cuidados intensivos, quando clinicamente indicados, melhoram o prognóstico, nomeadamente nos doentes com síndrome pulmonar por hantavírus.
Voltar ao topoComo prevenir o contágio com hantavírus?
Em Portugal, o risco de contágio é muito baixo. Por isso, não há motivo para alarme nem medidas preventivas implementadas ao nível nacional que tenha de seguir.
Já em países em que o vírus tem sido detetado, como a Argentina, o Chile, o Uruguai e o Paraguai, ou outros do continente americano, os residentes ou viajantes devem:
- evitar o contacto com roedores ou com a urina, a saliva ou as fezes de roedores;
- limpar espaços potencialmente contaminados com excrementos de roedores;
- evitar acumulação de lixo nas áreas domésticas;
- usar armadilhas para roedores e remover possíveis locais de nidificação (áreas escolhidas pelos animais para construir ninhos e/ou criar crias).
Há destinos para onde as viagens sejam desaconselhadas por causa do hantavírus?
Não. As viagens são seguras, com as devidas precauções ou medidas preventivas habitualmente necessárias para viajar para países asiáticos, africanos ou sul-americanos, como a realização de uma consulta do viajante. Voltar ao topo|
O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTeste, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições. |
