Dicas

Cuidados para idosos em casa durante a covid-19

Para os seniores que estão em casa, pode ser complicado manter os cuidados habituais, por exemplo, ao nível da saúde e alimentação. Saiba como contornar dificuldades e obter ajuda.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida e Nuno Dias
  • Texto
  • Fátima Ramos
30 abril 2020
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida e Nuno Dias
  • Texto
  • Fátima Ramos
isolamentos idosos

iStock

Os idosos são mais propensos a desenvolver complicações graves quando infetados pelo novo coronavírus. Não se pode eliminar por completo o risco de contrair a doença, mas é possível limitá-lo.

As regras de confinamento para a população geral serão levantadas de forma progressiva, segundo o Governo. Contudo, os mais velhos, em particular os que têm problemas de saúde, como bronquite crónica, enfisema, insuficiência cardíaca ou diabetes, sendo um grupo de maior risco, deverão continuar a merecer uma proteção especial. A primeira regra é manter-se em casa o mais possível e seguir com rigor as regras que se aplicam a toda a gente, como lavar frequentemente as mãos, adotar as medidas de higiene e etiqueta respiratória e evitar o contacto próximo com outras pessoas, em particular, se suspeitar que podem estar infetadas. A limpeza da casa a preceito é outra medida geral a não esquecer.

No caso dos seniores, é necessária particular atenção à saúde. Muitos sofrem de vários problemas e têm necessidade de tomar diversos medicamentos. Para que as situações não se agravem, é indispensável que continuem a tomá-los de acordo com a prescrição médica. Se possível, tenha em casa fármacos para várias semanas. As receitas com validade de seis meses que terminem o prazo durante o estado de emergência são renovadas automaticamente. Passado este período mais exigente, peça a prescrição ao médico por telefone ou e-mail.

O controlo de parâmetros de saúde, como a tensão arterial, o nível de açúcar no sangue ou a função pulmonar, se recomendados, não devem ser descurados. Fale com o médico sobre a melhor forma de o fazer no domicílio.

Se é fumador, tente deixar de fumar. Os fumadores são mais propensos a contrair a infeção pelo novo coronavírus, entre outros problemas de saúde.

Em casa, mas não isolado

Estar em casa, protegido, não significa ficar desligado do mundo. Fale pelo telefone ou através das redes sociais com amigos e familiares. Se sentir alguma debilidade, cansaço, mal-estar ou dor, não hesite em falar com alguém próximo e/ou ligar para os serviços de saúde.

Mantenha a lista de contactos de familiares, cuidadores, médicos, da farmácia e do centro de saúde num local acessível (por exemplo, na porta do frigorífico). Faça de um vizinho da sua confiança um ponto de apoio: peça-lhe para guardar a sua chave, dê respetivo contacto aos seus familiares próximos e vice-versa, para que possa servir de elo de ligação, em caso de necessidade. O ideal é ter também contactos regulares do exterior, de forma a assegurar um acompanhamento tão próximo quanto possível. Pode ser um familiar, amigo, um grupo de voluntariado ou o serviços de apoio domiciliário, por exemplo.

Passar o dia ver notícias sobre a pandemia pode ser perturbador. Mantenha-se a par da situação, em particular, das medidas a tomar, mas evite estar constantemente a ler ou ver notícia sobre o assunto, sobretudo, se isso o incomoda. Não dê atenção às informações duvidosas que correm nas redes sociais, sobretudo, se publicitarem vacinas, tratamentos e produtos para prevenir a covid-19: por enquanto, não há nenhum com eficácia e segurança comprovadas. Apague este género de mensagens e, principalmente, não as partilhe.

Mexa-se e não se esqueça das refeições

A atividade física e a alimentação são dois pilares da saúde. Permanecer na habitação pode levar a algum descuido em ambas. Tente mexer-se, nem que seja andando pela casa: além de realizar as tarefas domésticas, sugerimos que se levante várias vezes, respire fundo, estique os braços e pernas, rode os pés e o pescoço, dê uma volta à divisão e vá à janela e à varanda, aproveitando para apanhar ar e sol.

O exercício da mente é também fundamental para cultivar a saúde mental e a memória. Além de ler e conversar com outras pessoas, é útil fazer puzzles, palavras cruzadas e jogos de memória, de linguagem ou de números.

Ao nível alimentar, as regras são as mesmas de sempre: realizar, no mínimo, cinco refeições diárias (pequeno-almoço, lanche da manhã, almoço, merenda da tarde e jantar) e ingerir dois a dois litros e meio de líquidos (privilegiando a água), mesmo sem sensação de sede. A sopa é uma boa forma de consumir legumes e leguminosas, fornecedores de vitaminas, minerais e fibras, entre outros. Recomenda-se ao almoço e ao jantar. É importante incluir produtos de origem animal na dieta, alternado o consumo de carne e peixe. Caso tenha falta de apetite para o segundo prato, pode juntá-los à sopa. Se tiver dificuldade em mastigar, triture. Os alimentos mais suaves, como o peixe e alguns legumes, e os purés, inclusive de fruta, são soluções para quem os dentes já ajudam pouco. Não esqueça, igualmente, o leite e derivados.

Melhorar cores, aromas, texturas e sabor da comida pode estimular o apetite. Aposte num cardápio variado e colorido. Os alimentos devem ser fonte de saúde, mas também de prazer. Mastigar bem melhora as secreções digestivas e a perceção do sabor.

Peça ajuda sempre que precisar

Para evitar ir a locais públicos com muita gente, faça compras online, verifique se os supermercados, farmácias e outros serviços da zona entregam em casa ou peça a um familiar ou amigo para o ajudar nesta tarefa – quem vai de fora deve cumprir à risca as normas de segurança, incluindo usar máscara e lavar as mãos. Algumas juntas de freguesia também prestam apoio nesta área. Algumas providenciam mesmo, se necessário, refeições quentes e cuidados de higiene, entre outros.

Se estiver demasiado triste, ansioso e “sem energia” para fazer seja o que for, recorra ao SNS24 (808 24 24 24). Além das recomendações relativas à saúde física, esta linha tem um serviço de apoio psicológico, a funcionar 24 horas por dia.

Caso se sinta de alguma forma ameaçado ou for alvo de tentativas de burla, seja pelo telefone, meios eletrónicos ou à porta de casa, avise as autoridades policiais. Nunca é demais lembrar que não deve abrir a porta a quem não conheça, sobretudo, se disserem vão da parte de alguma instituição, como bancos, Finanças, empresa de fornecimento de eletricidade ou Segurança Social. Em caso de dúvida, não abra a porta e ligue para o serviço de que o “visitante” se diz representante.

Para esclarecimentos sobre apoios sociais e outros direitos, por exemplo, na área da saúde, habitação e segurança social, pode recorrer à linha do cidadão idoso (800 20 35 31) todos os dias úteis, entre as 9h30h e as 17h30. A chamada é gratuita.

Por fim, mas não menos importante: quando tiver de sair de casa, use uma máscara cirúrgica. De acordo com a Direção-Geral da Saúde, as pessoas com mais de 65 anos, com doenças crónicas e estados de imunossupressão (defesas do organismo debilitadas) devem proteger-se com este tipo de máscara. 

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