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O que é e como prevenir o coronavírus

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto pelo novo coronavírus como "emergência internacional de saúde pública". Em Portugal, há três hospitais de prevenção e as linhas SNS24 e de apoio médico foram reforçadas.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
31 janeiro 2020 Em atualização
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
rapariga asiática com máscara a proteger de vírus

iStock

A Organização Mundial da Saúde, que está a acompanhar a evolução do surto pelo novo coronavírus (2019-nCoV) em permanência, declarou a situação como "emergência internacional de saúde pública". Esta entidade indica que todos os países devem adotar medidas para contenção, deteção precoce, isolamento e gestão dos casos. 

Em Portugal, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), estão ativos "os dispositivos de saúde pública devido ao coronavírus proveniente da China", estando em alerta os hospitais de São João, no Porto, de Dona Estefânia e Curry Cabral, em Lisboa. Foi também reforçado o Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24), através do número 808 24 24 24, e a linha de apoio médico, como normalmente acontece em situações desta natureza.

O reforço das linhas telefónicas visa facilitar a informação e a triagem e "evitar que, em caso de eventual contágio, as pessoas encham os centros de saúde e as urgências dos hospitais", explica a DGS. Para já, não há registo de infeções por este vírus no nosso país.

Aquela entidade revela ainda que existem protocolos internacionais para prevenir a exportação do vírus a partir da China, sendo os rastreios feitos, na origem, antes de viagens de comboio, avião ou barco. 

Recomendações para viajantes 

Por cá, a DGS reforça as recomendações previamente emitidas para os viajantes com destino às cidades de Wuhan, Beijing, Guangdong e Shanghai, na China. Estes devem:

  • seguir as indicações das autoridades de saúde chinesas; 
  • evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas;
  • lavar frequentemente as mãos, tendo especial cuidado em fazê-lo sempre que contacte com doentes; 
  • limitar o contacto com animais;
  • adotar medidas de “etiqueta respiratória”, como tapar o nariz e boca com um lenço de papel ou o braço (nunca as mãos), quando espirrar ou tossir, e lavar as mãos a seguir. O mesmo é recomendado depois de se assoar. Os lenços de papel devem ser usados apenas uma vez;
  • no regresso de viagens a áreas afetadas, os viajantes que, nos 14 dias seguintes, tiverem febre, tosse e eventual dificuldade respiratória, devem ligar para o SNS 24 (808 24 24 24), antes de se deslocarem a um serviço de saúde.

No Portal das Comunidades, do Ministério dos Negócios Estrangeiros, "recomenda-se aos viajantes que reconsiderem a realização de deslocações não essenciais à China". Os que forem, além de se manterem informados sobre o evoluir da situação, são aconselhados a registarem as deslocações na aplicação Registo Viajante.

Sintomas mais intensos do que os da gripe

Os sintomas da infeção respiratória pelo 2019-nCoV, segundo a DGS, são "mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, incluindo falta de ar".

Não se sabe ao certo a origem da infeção, mas pensa-se que terão sido animais infetados, comercializados vivos no mercado de Wuhan, a transmiti-la aos seres humanos. Ao contrário do que inicialmente se pensava, é possível a transmissão entre pessoas, mas as circunstâncias em que ocorre ainda não estão esclarecidas.

O número de casos de pneumonia causados por este vírus não param de aumentar, havendo já registo de doentes que não estiveram na cidade chinesa de Wuhan, onde foi identificado pela primeira vez, no fim do ano passado.

As encomendas vindas China podem trazer vírus?

O Centro de Controlo e Prevenção de Doença norte-americano considera pouco provável a transmissão do 2019-nCoV através de bens importados da China. Apesar de não se conhecer com rigor a origem deste, há informação de que está geneticamente relacionado com outros membros da família coronavírus, nomeadamente o MERS e o SARS. Estes emergiram já este século, ambos com origem em morcegos, e causaram milhares de infeções em todo o mundo.

Os dados sobre estes dois vírus indicam que sobrevivem pouco tempo "em superfícies" e que se transmitem, sobretudo, através de gotículas de saliva. Assim, é pouco provável haver contágio através de encomendas provenientes da China, em trânsito durante dias ou semanas, à temperatura ambiente.

 

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