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O que é e como prevenir o novo coronavírus

Saiba como identificar os sintomas, que cuidados de higiene e de etiqueta respiratória seguir e como prevenir.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida, Mónica Dias e Nuno Carvalho
  • Texto
  • Fátima Ramos e Sofia Frazoa
15 outubro 2020
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida, Mónica Dias e Nuno Carvalho
  • Texto
  • Fátima Ramos e Sofia Frazoa
frasco de laboratório com a palavra Covid-19

iStock

Informação de qualidade é a melhor arma contra o pânico. Acompanhamos os desenvolvimentos sobre o coronavírus em permanência e damos respostas às principais dúvidas dos consumidores, em linha com as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS), do portal SNS24 e da Organização Mundial da Saúde. Para esclarecer questões, conte com a ajuda dos nossos serviços.

O que é, sintomas e como se transmite o coronavírus

A covid-19 é o nome da doença provocada pela infeção do coronavírus SARS-CoV-2. Além de reconhecer os sintomas e as formas de transmissão, saiba quais são os tratamentos existentes, incluindo os que já foram abandonados e os que ainda estão em estudo.

O que é o coronavírus?

É um tipo de coronavírus, designado SARS-CoV-2, pertencente a uma família de vírus conhecida por afetar as pessoas, identificado pela primeira vez em dezembro de 2019, na China, na cidade de Wuhan. Desconhece-se a fonte da infeção. Este novo agente nunca tinha sido identificado antes em seres humanos.

SARS-CoV-2 significa síndrome respiratória aguda grave – coronavírus – 2.

O novo coronavírus é assim designado, uma vez que existe outro coronavírus que causa uma síndrome respiratória aguda grave, que foi identificado em 2002, intitulado “SARS-CoV”.

Coronavírus é o mesmo que covid-19?
Não. Covid-19 é o nome da doença provocada pela infeção do coronavírus SARS-CoV-2 e resulta das palavras “corona”, “vírus” e “doença”, com indicação do ano em que surgiu (2019). A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu atribuir à doença um nome que fosse fácil de reproduzir e que não indicasse nenhuma localização geográfica, um grupo de pessoas ou um animal.
Quais os sintomas do coronavírus?

Segundo a mais recente avaliação da Organização Mundial da Saúde (OMS), os sintomas variam de acordo com a gravidade. Há pessoas com ausência de sintomas (assintomáticos) e outras que desenvolvem febre (igual ou superior a 38,0ºC), dor de garganta, tosse, cansaço e dores musculares. Nos casos mais graves poderão manifestar pneumonia grave, síndrome respiratória aguda grave, septicémia ou choque sético que podem levar à morte.

Os dados até agora recolhidos revelam que a situação clínica de uma pessoa infetada pode agravar-se subitamente, por norma, durante a segunda semana da doença.

Recentemente, também se têm verificado como sintomas da covid-19 a perda de olfato e de paladar.

Como se transmite o vírus?

A covid-19 transmite-se de pessoa para pessoa, por contacto próximo com pessoas infetadas pelo SARS-CoV-2 (transmissão direta) ou pelo contacto com superfícies e objetos contaminados (transmissão indireta).

A transmissão direta ocorre, sobretudo, através de gotículas expelidas pela boca ou pelo nariz de pessoas infetadas quando tossem ou espirram, podendo atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo.

As gotículas também podem depositar-se nos objetos ou superfícies que rodeiam a pessoa infetada e, desta forma, infetar outras pessoas quando tocam com as mãos nestes objetos ou superfícies, tocando depois nos seus olhos, nariz ou boca.

A infeção pode ser transmitida cerca de um a dois dias antes do aparecimento dos sintomas, mas a pessoa é mais infeciosa durante o período sintomático. O período infecioso deverá durar de 7 a 12 dias em casos moderados e até uma média de duas semanas nos casos graves.

A OMS lembra, porém, que as formas de transmissão e o período em que ela ocorre não estão ainda totalmente esclarecidas e continuam sob investigação. Os coronavírus são transmitidos por gotículas respiratórias, contacto direto com secreções infetadas e aerossóis em procedimentos terapêuticos que os produzem.

Não existem provas de que os animais de estimação, como cães ou gatos, tenham sido infetados ou que possam contagiar alguém com o vírus.

Quais são os grupos considerados de risco para a covid-19?

Os grupos de risco para a covid-19 incluem:

  • pessoas idosas;
  • pessoas com doenças crónicas: doença cardíaca, pulmonar, neoplasias ou hipertensão arterial, entre outras;
  • pessoas com compromisso do sistema imunitário a fazer tratamentos de quimioterapia ou tratamentos para doenças auto-imunes (artrite reumatóide, lúpus, esclerose múltipla ou algumas doenças inflamatórias do intestino), infeção VIH/sida ou doentes transplantados.
Mães podem transmitir o vírus ao recém-nascido?

Existem poucos dados sobre os cuidados que as mães com a covid-19 podem dar aos recém-nascidos.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) diz não haver evidência de transmissão vertical da doença, ou seja, da mãe para o bebé. Mas recomenda que todos os recém-nascidos de mães infetadas com covid-19 sejam testados para o novo coronavírus e acompanhados, pelo menos, no primeiro mês de vida.

Um dos assuntos controversos é a separação de uma mãe com covid-19 do filho logo após o parto. Para evitar o risco de contágio perdem-se as vantagens da ligação entre mãe e filho no nascimento e da amamentação precoce. Segundo orientações da DGS, as instituições de saúde devem tomar decisões caso a caso, tendo em conta a vontade da mãe, as instalações disponíveis no hospital e a disponibilidade das equipas de saúde.

Contacto pele a pele e alojamento após o parto: 

  • cabe à mãe e aos profissionais de saúde envolvidos decidirem sobre a possibilidade de contacto pele a pele com o recém-nascido e sobre a separação temporária ou alojamento conjunto após o parto. Para a decisão deverão ser considerados a condição clínica da mãe e do bebé, o desejo de amamentar, se existem recursos para separar o recém-nascido e se é possível ter um alojamento conjunto em segurança;
  • quando as mães positivas não querem assumir o risco potencial de transmissão horizontal de SARS-CoV-2 com o contacto pele a pele após o nascimento, mesmo que as indicações clínicas sejam favoráveis, a decisão deve ser respeitada;
  • caso a mãe pretenda o contacto pele a pele, depois de devidamente esclarecida, deve usar máscara cirúrgica e cumprir a higiene rigorosa das mãos, mamas e tronco;
  • sempre que possível, os aspetos relacionados com o contacto pele a pele devem ser discutidos com a mãe antes do parto e a decisão deve ser expressa num consentimento informado e esclarecido. Em situações de parto rápido ou sempre que seja impossível discutir estes aspetos de antemão, o consentimento deve ser dado verbalmente.

Também não existe evidência que seja possível transmitir o vírus através do leite materno.

Aleitamento materno: 

  • a mãe positiva deve começar por higienizar as mãos e as mamas e amamentar com máscara;
  • como alternativa, as mães positivas, clinicamente incapazes ou afastadas temporariamente do recém-nascido podem recorrer à extração mecânica de leite, recorrendo sempre à utilização da máscara, após higiene cuidada das mãos e das mamas. O leite pode ser administrado ao recém-nascido por um cuidador saudável. As bombas de extração de leite e os seus componentes devem ser limpos entre utilizações com toalhetes desinfetantes, água quente e sabão;
  • não existe evidência de que seja necessário pasteurizar ou congelar o leite materno extraído para dá-lo ao recém-nascido;
  • o leite de banco de dadoras deverá ser reservado para os recém-nascido de extremo pré-termo;
  • nos casos de infeção materna diagnosticada no período pós-natal imediato ou durante o período neonatal, caso a mãe esteja clinicamente estável e sem necessidade de internamento, são recomendadas medidas de autoisolamento no domicílio, seguindo as medidas de higiene e prevenção de contacto já referidas.
Qual é o período de incubação deste vírus?
O "período de incubação" corresponde ao tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas da doença. A maioria das estimativas varia entre 1 e 14 dias de incubação.
Qual é o tratamento?

O tratamento é dirigido aos sinais e sintomas dos doentes. Os antibióticos não resultam contra vírus, apenas em infeções por bactérias.

Em caso de febre, a primeira linha de tratamento é o paracetamol. Segundo o Infarmed, não há evidência para contraindicar o uso de ibuprofeno. De acordo com uma nota informativa daquela entidade, “não existem, atualmente, dados científicos que confirmem um possível agravamento da infeção por covid-19 com a administração de ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios não esteroides”. Por isso, “não há motivo para os doentes que se encontrem em tratamento com o referido medicamento o interrompam”, acrescenta.

Remdesivir

Antiviral que interfere com a produção de material genético viral, impedindo a multiplicação do vírus. Foi o primeiro medicamento aprovado na União Europeia para o tratamento da covid-19. 

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) atribuiu ao remdesivir uma autorização condicional de introdução no mercado para o tratamento da covid-19 em adultos e adolescentes com mais de 12 anos de idade (e 40 kg de peso), com pneumonia, que necessitem de oxigénio suplementar. Estas autorizações são inicialmente válidas por um ano, mas podem ser prorrogadas ou convertidas numa autorização de introdução no mercado (sem condições) após a apresentação de dados adicionais.

O estudo clínico principal que levou à autorização mostrou que, na população em geral, os doentes tratados com remdesivir recuperaram após cerca de 11 dias, em comparação com os 15 dias necessários nos que tomaram o placebo. Para pacientes com doença grave que requerem oxigénio suplementar, o tempo de recuperação foi de 12 dias para os que receberam remdesivir, em comparação com 18 dias dos pacientes que receberam placebo.

O remdesivir mostrou um efeito clinicamente significativo no tempo de recuperação em doentes covid-19 com pneumonia que necessitem de oxigénio suplementar, com efeitos secundários leves e bem tolerados.

Dexametasona

A dexametasona é um corticosteroide utilizado para tratar uma série de condições inflamatórias e para reduzir a resposta imunológica do corpo no tratamento de alergias e doenças autoimunes. Também é usado, em simultâneo, com medicamentos contra o cancro para tratar certos tipos de cancro e prevenir o enjoo. A dexametasona foi, inicialmente, considerada um potencial tratamento para a covid-19 por causa de sua capacidade de reduzir a inflamação, que desempenha um papel importante no processo da doença em alguns doentes hospitalizados com covid-19.

Com base na revisão dos dados disponíveis, a EMA considera que o uso de dexametasona pode ser considerado no tratamento da covid-19 em adultos e adolescentes (a partir dos 12 anos de idade e com, pelo menos, 40 kg) que necessitam de oxigenoterapia (desde oxigénio suplementar a ventilação mecânica).

Que tratamentos foram abandonados?

Lopinavir + ritonavir

A associação lopinavir/ritonavir resulta num medicamento antirretroviral já autorizado na União Europeia e utilizado no tratamento do VIH/sida. Estudos efetuados na China e no Reino Unido com pacientes com covid-19 não identificaram benefícios deste tratamento em relação ao tratamento usual para a covid-19. Os estudos não incluíram uma amostra suficiente de pacientes ventilados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) descontinuou os ensaios clínicos que envolviam estas substâncias ativas.

Cloroquina e hidroxicloroquina (HCQ)

A cloroquina e a hidroxicloroquina são medicamentos antimaláricos utilizados na prevenção e tratamento da malária, mas também em situações de artrite reumatoide. Dados in vitro mostraram que altera a absorção do vírus SARS-CoV-2 nas células. No entanto, foram obtidos resultados conflitantes em ensaios clínicos durante as fases iniciais do surto.

Estes medicamentos não demonstraram quaisquer efeitos benéficos no tratamento da covid-19 em grandes ensaios clínicos randomizados.

A cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar alguns efeitos secundários, incluindo problemas de ritmo cardíaco. O risco destes efeitos secundários pode ser agravado quando estes medicamentos são tomados em doses superiores às recomendadas para as suas indicações autorizadas ou em combinação com outros medicamentos que têm efeitos semelhantes no coração, como o antibiótico azitromicina.

Estes medicamentos podem causar distúrbios neuropsiquiátricos, incluindo agitação, insónia, confusão, psicose e ideação suicida. São também conhecidos por afetar o fígado, causar danos neuronais que podem levar a convulsões e reduzir o açúcar no sangue. Só devem ser utilizados para as suas indicações autorizadas.

Que tratamentos ainda estão em estudo?

Terapia com plasma

O plasma convalescente (CCP), doado por pessoas que recuperaram de covid-19, é o componente acelular do sangue que contém anticorpos, incluindo aqueles que reconhecem especificamente o SARS-CoV-2. Acredita-se que esses anticorpos, quando transfundidos em doentes infectados com SARS-CoV-2, exerçam um efeito antiviral, suprimindo a replicação do vírus antes que os doentes tenham desenvolvido a sua própria resposta imune. A utilização de anticorpos específicos de pessoas recuperadas é, frequentemente, a primeira terapia disponível para doenças infeciosas emergentes. Poderá ser um tratamento provisório enquanto novos antivirais e vacinas estão em desenvolvimento. Estão a decorrer vários ensaios clínicos para determinar a eficácia e segurança deste tratamento na covid-19.

Interferões

Os interferões alfa e beta são utilizados há anos para o tratamento da esclerose múltipla. Têm sido vistos como possível abordagem terapêutica para a covid-19 devido às suas características imunomoduladoras e aos efeitos antivirais já descritos para estes fármacos. Os interferões ganharam interesse no tratamento de infeções por coronavírus durante a avaliação de opções terapêuticas para tratamento da SARS e MERS, com vários ensaios não clínicos a demonstrar o seu potencial na inibição da replicação viral. Ainda não existem resultados clínicos de ensaios suficientemente fortes e randomizados que permitam concluir sobre um possível benefício da administração de interferões em doentes com covid-19, apesar de fazerem parte de ensaios clínicos a decorrer.

As pessoas que têm a doença ficam imunes?
De acordo com a evidência científica disponível, ainda não é possível confirmar se as pessoas infetadas com o SARS-CoV-2 desenvolvem imunidade protetora. O organismo humano pode ir ganhando anticorpos após a infeção e desenvolvimento da doença.

Como prevenir e qual a utilidade de máscaras e desinfetantes

Ainda não existe vacina contra a covid-19. A melhor forma de prevenir o contágio é seguir estas três medidas: higiene das mãos, etiqueta respiratória e distanciamento social. A utilização da máscara é uma medida complementar para limitar a transmissão do SARS-CoV-2.

Como proteger-se?
  • Lave frequentemente as mãos com água e sabão, esfregando-as bem durante pelo menos 20 segundos. Este cuidado é indispensável antes e após a preparação de alimentos, depois de usar a casa de banho e sempre que as mãos lhe pareçam sujas. Na impossibilidade de poder lavar as mãos, pode desinfetá-las com soluções antiséticas à base de álcool ou "álcool gel".
  • Assoe-se com lenços de papel (de utilização única), coloque-os no caixote do lixo e, de seguida, lave as mãos.
  • Deve tossir ou espirrar para o braço com o cotovelo fletido, e não para as mãos.
  • Evite tocar nos olhos, no nariz e na boca com as mãos sujas ou contaminadas com secreções respiratórias.
  • Mantenha, sempre que possível, uma distância de segurança das outras pessoas de 1,5 a 2 metros.
As máscaras de proteção são eficazes?

A principal função da máscara é proteger todas as pessoas que se aproximam do utilizador, evitando que este lhes transmita gotículas eventualmente contaminadas com o novo coronavírus. Na verdade, constitui também uma ténue barreira física à inalação de partículas que pairem no ar.

A utilização de máscara ou viseira é obrigatória a partir dos 10 anos (exceto na Madeira, que é a partir dos 6 anos) nos transportes públicos, estabelecimentos comerciais e de atendimento ao público, escolas, bem como em salas de espetáculos.

Existem diferentes tipos de máscaras. As máscaras comunitárias são recomendadas para quem está exposto ao contacto com pessoas em contexto que não obriga à utilização de máscaras cirúrgicas (como o ambiente hospitalar, por exemplo).

O que fazer se tiver sintomas

As autoridades recomendam que entre em contacto com a linha SNS24, e muitas empresas já adotaram planos de contingência. Saiba o que está a ser feito para dar resposta à epidemia.

O que devo fazer se tiver sintomas?

São consideradas suspeitas de covid-19 as pessoas que desenvolvam um quadro respiratório agudo (com pelo menos um dos seguintes sintomas: tosse não-habitual – que pode ser ou não associada a cefaleias – dores de cabeça – ou mialgias – dores no corpo –, febre com temperatura igual ou superior a 38,0ºC ou dispneia – dificuldade respiratória), sem outra causa atribuível, e perda súbita parcial ou total do olfato (anosmia) ou do paladar (ageusia ou disgeusia).

Caso apresente sintomas, o doente deve ligar para o SNS24 (através do 808 24 24 24) e não chamar um médico a casa ou dirigir-se a um serviço de saúde. De forma complementar, pode recorrer a outras linhas telefónicas criadas especificamente para o efeito pelas administrações regionais de saúde (ARS) e que são divulgadas a nível regional e local.

Após este contacto com a linha SNS24 e depois de validação da história clínica, os profissionais de saúde é que determinam o tipo de encaminhamento, seja a vigilância clínica ou o isolamento no domicílio ou se deverá dirigir-se aos cuidados de saúde primários, ou a outro serviço de saúde.

O site do SNS 24 tem uma calculadora que permite a avaliação dos sintomas e, ainda, obter informações e conselhos adequados.

Se apresentar sintomas suspeitos de covid-19, o médico pode recusar-se a vir a casa?

Em caso de febre, tosse, eventual dificuldade respiratória ou outros sintomas que indiciem uma possível contaminação por coronavírus, não deve chamar um médico a casa, mas sim ligar para o SNS24 (808 24 24 24), ou para as linhas telefónicas criadas especificamente para o efeito pelas administrações regionais de saúde (ARS) e que são divulgadas a nível regional e local.

Em caso de morte, o seguro de vida pode ser acionado?
Os seguros de vida não têm exclusões a este nível, pelo que, os casos de morte e invalidez associadas a epidemias ou pandemias estão cobertos. 
 

Apoios para trabalhadores em quarentena

O Governo avançou com medidas de proteção social caso os trabalhadores sejam obrigados a ficar em quarentena devido a perigo de contágio pelo coronavírus.

Quanto recebe um trabalhador que fique em quarentena?

Aos trabalhadores que fiquem impedidos de exercer a sua atividade profissional “no contexto de perigo de contágio pela covid-19” é atribuído um subsídio de doença.

Estas regras não se aplicam aos trabalhadores que possam recorrer a mecanismos alternativos de prestação do trabalho, como o teletrabalho ou programas de formação à distância.

Os trabalhadores a recibos verdes também podem ficar em casa para assistência à família?

Ao contrário dos trabalhadores por conta de outrem, os trabalhadores independentes não têm direito a subsídio da Segurança Social caso um filho menor de 12 anos tenha de ficar em isolamento profilático. Se um filho adoecer e o trabalhador tiver de ficar em casa para lhe prestar assistência, tem acesso ao subsídio por assistência nas mesmas condições em que tem para qualquer outra doença ou em caso de acidente. Ficará limitado a 30 dias por ano para filhos com menos de 12 anos e 15 dias anuais para filhos com idade superior. Nos casos de internamento hospitalar não há limite.

Quanto ao apoio para prestar assistência a filho menor de 12 anos devido ao encerramento do estabelecimento de ensino motivado pela pandemia de covid-19, em princípio, terá direito ao mesmo que recebeu no ano letivo de 2019/2020. No entanto, o melhor será aguardar para ver se não haverá alterações.

Se achar que corro risco de infeção na atividade profissional, que direitos tenho?

Em regra, os trabalhadores atualmente estão obrigados a comparecer no seu local de trabalho. No entanto, o espaço físico e a organização da empresa têm de garantir o cumprimento das orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) e da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT). Se assim não for, o trabalhador pode pedir para ficar no regime de teletrabalho.

Os trabalhadores considerados de risco também podem pedir para trabalhar em casa, independentemente das condições proporcionadas pelo empregador. Incluem-se neste grupo imunodeprimidos, doentes cardiovasculares, portadores de doença respiratória crónica, doentes oncológicos e portadores de insuficiência renal, bem como trabalhadores com deficiência, com grau de incapacidade igual ou superior a 60 por cento. Se um destes trabalhadores não puder ficar no regime de teletrabalho devido às características das funções que exerce, tem direito a entrar numa situação de baixa e a receber subsídio da Segurança Social.

Viagens canceladas e reembolsos

Conheça os seus direitos e saiba se é possível exigir o reembolso. Se precisar, recorra à linha da DECO de apoio aos viajantes (213 710 282). Em caso de reclamação, utilize a nossa plataforma.

Reclamar

É possível acionar o seguro de viagem, para compensar perdas?

As coberturas de assistência em viagem que integram os respetivos seguros preveem normalmente a cobertura de cancelamento ou redução da viagem por iniciativa do segurado. Esta cobertura garante o reembolso das despesas pagas com alojamento e transporte e que não possam ser recuperadas quando a viagem seja cancelada por motivo de força maior. Ao mesmo tempo, incluem uma longa lista de situações que se enquadram nesta definição, como acidente, falecimento de familiares diretos, destruição da habitação, desemprego involuntário, convocação para servir de jurado ou depor num julgamento ou até imposição de quarentena à pessoa segura por autoridade competente.

Simultaneamente, esta mesma cobertura prevê o pagamento de despesas médicas efetuadas no estrangeiro, na sequência de acidente ou doença ocorridos durante a viagem, como, por exemplo, os tratamentos médicos necessários em caso de infeção por coronavírus. Contudo, algumas apólices excluem todas as despesas efetuadas em caso de epidemia ou pandemia declaradas pelas autoridades oficiais de saúde.

Assim, não há uma resposta a esta questão que seja válida para todas as apólices. O melhor será consultar as condições do seu seguro e pedir esclarecimentos diretamente à seguradora.

Impacto do coronavírus na economia  

Com a propagação do novo coronavírus, a recessão económica atingiu quase todo o globo. A economia mundial vai registar uma contração inédita este ano, e os mercados financeiros serão bastante afetados. Indicamos como reavaliar os investimentos. 

A vida pública, eventos sociais no País e as atividades em locais de grande afluência de público estão a ser afetados. Saiba o que fazer.

O que fazer aos investimentos?

De acordo com as dados mais recentes, a zona euro e todas as grandes economias estão em recessão económica. Os países emergentes e os setores ligados ao turismo e lazer são os mais afetados. Se há sinais de que o terceiro trimestre está a ser de recuperação, ainda é uma incógnita quanto tempo demorará a regressar aos níveis de atividade pré-pandemia. Veja as recomendações de investimento da PROTESTE INVESTE para saber como aproveitar a retoma.

Todas as poupanças podem ser atingidas pelos efeitos da covid-19, incluindo os depósitos a prazo e outras aplicações financeiras de baixo risco.

Tenho bilhete para evento que foi cancelado. Tenho direito a devolução?

Para os espetáculos previstos entre 28 de fevereiro e 30 de setembro que foram cancelados, os espetadores têm direito ao reembolso integral do que pagaram, incluindo comissões, taxas ou outras despesas. No caso de o evento ter sido reagendado para um prazo máximo de um ano a contar da data inicialmente prevista e a nova data tiver sido anunciada até 30 de setembro, não há lugar a reembolso. O bilhete já comprado é válido para a nova data. No entanto, se não puder comparecer, o consumidor poderá tentar junto do promotor trocar o bilhete por uma entrada para outro evento.

No caso dos festivais, proibidos para já até final de 2020, os portadores de bilhetes têm direito a um vale de valor igual ao preço pago. Este vale pode ser utilizado na compra de bilhete para o mesmo espetáculo (na nova data) ou para outros eventos do mesmo promotor. O vale pode ser transmitido a outras pessoas e é válido até final de 2021. Se não for utilizado, o seu portador tem direito ao reembolso do respetivo valor, a partir do início de 2022.

Mitos sobre o novo coronavírus

Um dos grandes mitos sobre o novo coronavírus é o de ter sido criado em laboratório, com várias versões que envolviam a China e os Estados Unidos a circularem pela internet. A comunidade científica descartou este rumor e ainda tenta descobrir a origem exata do vírus.

Ao contrário do que também tem sido divulgado, é pouco provável que as encomendas da China transmitam o vírus. Comer alhos, usar secadores de mãos ou lâmpadas ultravioleta para eliminar o vírus são outros dos mitos que circulam sobre a covid-19.

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