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Reclamações recentes
Falta de Informação Clínica e Omissão de Esclarecimento sobre Vacinação HPV
Venho apresentar reclamação relativamente ao acompanhamento que tenho vindo a realizar no Hospital de São João há mais de três anos, na sequência de um rastreio do cancro do colo do útero que revelou infeção por HPV. Importa esclarecer que não se tratou de uma situação de simples vigilância após um resultado positivo. Ao longo destes mais de três anos, fui submetida a sucessivas citologias, tendo sido identificadas alterações celulares que motivaram a realização de diversos exames complementares, colposcopias, biópsias e consultas hospitalares de seguimento. Ou seja, tratou-se de uma situação clínica que exigiu acompanhamento especializado continuado e procedimentos diagnósticos relevantes. Apesar disso, durante todo este período, nunca me foram comunicados de forma clara, completa e regular os resultados dos exames realizados. Na prática, limitava-me a receber marcações para novas consultas ou exames, sem que me fosse devidamente explicado qual era o meu estado clínico, quais os resultados obtidos ou qual a evolução da minha situação. As cartas enviadas pelo hospital continham apenas referências muito vagas, insuficientes para que eu pudesse compreender a minha condição clínica. Apenas recentemente, após insistência reiterada da minha parte e múltiplos pedidos de esclarecimento, me foram finalmente disponibilizados alguns resultados. Até esse momento, nunca me tinham sido enviados os resultados dos exames realizados ao longo destes anos. Esta falta de informação foi particularmente grave porque, perante a ausência de esclarecimentos por parte do hospital, procurei obter apoio junto do meu centro de saúde. No entanto, fui informada de que nem os próprios profissionais conseguiam aceder à informação necessária para me prestar esclarecimentos adequados sobre o meu acompanhamento hospitalar. Durante anos, permaneci sem conhecimento efetivo da evolução da minha situação clínica, dependendo exclusivamente das marcações sucessivas para consultas e exames. Paralelamente, existe uma segunda questão que considero ainda mais preocupante. Durante mais de três anos de acompanhamento hospitalar por infeção por HPV, alterações celulares persistentes e realização de biópsias, nunca fui informada da possibilidade, indicação ou benefício da vacinação contra o HPV no meu caso concreto. Nunca me foi explicado se reunia critérios para vacinação, nunca me foi apresentada essa opção e nunca me foram prestados esclarecimentos que me permitissem tomar uma decisão informada sobre esta matéria. Recentemente, através de uma profissional de saúde, fui informada de que a vacinação deveria ter sido considerada desde o início do meu acompanhamento. Fui ainda informada de que a ausência dessa intervenção poderá ter contribuído para o agravamento da minha situação clínica. Segundo a informação que me foi transmitida, inicialmente apresentava positividade para dois tipos de HPV e atualmente apresento positividade para um número significativamente superior de tipos virais. Esta informação causou-me enorme preocupação, sobretudo porque ao longo de todos estes anos estive a ser acompanhada numa instituição hospitalar de referência, realizando exames e procedimentos sucessivos, sem que nunca me tivesse sido prestado qualquer esclarecimento relativamente à vacinação ou à sua eventual importância no meu caso. Acresce que tenho conhecimento de que existem situações em que a vacinação contra o HPV é disponibilizada no contexto hospitalar. Assim, pretendo compreender porque motivo nunca fui informada dessa possibilidade, porque motivo nunca foi avaliada ou discutida essa opção comigo e porque motivo fui privada da oportunidade de participar de forma informada numa decisão potencialmente relevante para a minha saúde. Perante o exposto, solicito esclarecimento formal sobre: Os motivos pelos quais os resultados dos exames realizados ao longo destes mais de três anos não me foram regularmente comunicados de forma clara, completa e compreensível; Os motivos pelos quais nunca fui devidamente informada sobre a possibilidade, indicação ou benefício da vacinação contra o HPV no meu caso concreto; Se, em algum momento do meu acompanhamento, existiu indicação clínica para vacinação e, em caso afirmativo, porque motivo essa informação não me foi transmitida; Quais os critérios atualmente utilizados pelo Hospital de São João para propor ou disponibilizar a vacinação contra o HPV a utentes acompanhadas por infeção persistente por HPV e alterações celulares associadas; A disponibilização integral da informação clínica e dos relatórios referentes ao meu acompanhamento neste processo. Considero que estas falhas comprometeram o meu direito à informação, ao consentimento informado e à participação esclarecida nas decisões relativas à minha saúde. Atendendo à gravidade da situação, à duração destas falhas ao longo de mais de três anos de acompanhamento e ao impacto que tiveram na minha capacidade de tomar decisões informadas sobre a minha saúde, solicito uma resposta formal, detalhada e fundamentada. Caso não obtenha esclarecimentos adequados e devidamente fundamentados relativamente aos factos aqui expostos, reservarei o direito de remeter esta reclamação à Direção-Geral da Saúde e às restantes entidades competentes para apreciação da atuação verificada neste processo. Com os melhores cumprimentos,
Funcionamento e tratamento por parte de equipa médica
Carta de Reclamação Destinatário: Direção Clínica do Hospital de São João Serviço de Cirurgia Porto Assunto: Reclamação relativa ao internamento da utente Maria Celeste Ferreira Monteiro Silva [nr processo 16038025], cama 71, piso 6 Exmos. Senhores, Venho por este meio apresentar uma reclamação formal relativamente à forma como decorreu o internamento da minha mãe, Maria Celeste Ferreira Monteiro Silva, no vosso hospital, entre 2 de Outubro e 14 de outubro de 2025, no Serviço de Cirurgia. A minha mãe deu entrada no Serviço de Urgência no dia 30 de setembro cerca das 21h30. Obteve diagnóstico de Colecistite aguda cerca de 27h depois tendo de imediato indicação para internamento. Foi transferida para internamento cerca de 40 horas depois da entrada no serviço de urgência: cerca das 12h30, no dia 2 de outubro, após ter já iniciado a terapêutica adequada mas sem qualquer indicação para cirurgia. A médica que nos comunicou o diagnóstico foi clara quanto à improbabilidade de cirurgia com a vesícula naquelas condições. Ao final dessa mesma tarde em que sobe para o piso 6- dia 2 de Outubro- foi visitada por dois cirurgiões acompanhados de dois estudantes, que a informaram de que seria submetida a uma cirurgia nesse mesmo dia, assim que o bloco operatório estivesse disponível. Perante esta comunicação, e estando eu presente, questionei os médicos sobre vários pontos: a) o motivo de se optar pela cirurgia imediata, quando o processo clínico referia que a terapêutica antibiótica tinha sido iniciada nesse mesmo dia e que seria aguardada a sua evolução; b) a razão de se proceder à extração de uma vesícula inflamada em vez de aguardar melhoria clínica; c) o motivo de se considerar uma cirurgia de maior duração (cerca de quatro horas- segundo informação veiculada por eles mesmos) especialmente tratando-se de uma paciente de 80 anos; d) e, por fim, a ausência de parecer de cardiologia, essencial tendo em conta o historial cardíaco da doente. As minhas reservas quanto à realização de uma cirurgia dessa complexidade e duração foram desconsideradas tendo os dois cirurgiões interrompido a conversa já no corredor do piso 6 – longe da presença da paciente- por motivos de agenda. Foi então que um terceiro cirurgião, que acompanhou a conversa e permaneceu no corredor do piso, contactou o Serviço de Cardiologia e confirmou não existir parecer favorável para a realização de qualquer cirurgia nesse momento. Anestesia não foi sequer mencionada. Na mesma noite, esta informação foi confirmada à doente por uma médica que se deslocou à enfermaria. Não posso deixar de refletir sobre o que teria acontecido se eu não estivesse presente nesse momento decisivo. O cenário que presenciei — em que se preparava uma cirurgia de longa duração, em doente idosa e com historial cardíaco, sem parecer de cardiologia e sem tempo suficiente para avaliar a resposta à terapêutica iniciada — deixa-me profundamente inquieta. É legítimo perguntar quantas decisões semelhantes poderão ocorrer sem que alguém as questione. O papel das famílias, tantas vezes visto apenas como emocional, revela-se aqui essencial para garantir prudência, comunicação e segurança clínica. Foi apenas pela minha insistência, e pela intervenção sensata de um terceiro cirurgião, que se evitou uma cirurgia que poderia ter representado um risco sério e desnecessário para a vida da minha mãe. Durante os 14 dias seguintes, no piso 6, a minha mãe foi exemplarmente acompanhada por enfermeiras e auxiliares, cuja dedicação e profissionalismo merecem o meu mais profundo reconhecimento. Contudo, ao longo desse período, apesar dos meus inúmeros pedidos, não me foi possível falar com nenhum médico responsável pelo caso, dada a ausência de horários compatíveis com a minha vida laboral. No dia 14 de outubro, a minha mãe foi informada por um dos médicos da equipa, de que teria alta, (anteriormente tinha sido informada por outro médico de que levaria consigo um dreno clampeado, devendo deslocar-se semanalmente ao Centro de Saúde para vigilância. Tal situação não veio a concretizar-se, uma vez que o dreno afinal acabou por ser retirado no momento da saída. Nenhuma justificação lhe foi dada, por qualquer médico, sobre esta mudança de decisão). Apesar de lhe ter sido dito de manhã que apenas faltava a nota de alta, esta só veio a ser assinada após as 20h, depois de mais de 11 horas de espera. (De salientar que, depois dessa hora, não há possibilidade de levar o veículo de transporte pessoal até à porta para recolher a doente, pois a cancela do parque de estacionamento já se encontra encerrada e o funcionário ausente, obrigando os doentes a caminhar ao longo do parque até à via pública!) Durante todo esse tempo, a minha mãe, com 80 anos, permaneceu sentada numa cadeira de madeira, sem poder regressar à cama, já preparada para outro doente. A justificação apresentada foi que os médicos não podiam deslocar-se do bloco operatório (um piso abaixo) para proceder às altas de quatro ou cinco doentes que aguardavam desde as 8h30. A minha mãe não era a única. Por fim, quando a médica Dra. Paula Filipa Rebelo (n.º de cédula profissional [72088]) compareceu para assinar a alta, a minha mãe educadamente questionou-a sobre esta demora injustificável, tendo recebido a seguinte resposta, que passo a citar: “Estive a operar. Queira Deus que um dia não esteja a operá-la a si e tenha de a deixar para vir dar altas.” Esta afirmação (testemunhada pelas outras duas doentes presentes no quarto), além de inapropriada e ofensiva, demonstra falta de empatia, profissionalismo e respeito por uma doente idosa, que se encontrava exausta e fragilizada após duas semanas de internamento e 11h sentada numa cadeira. Tenho sérias dúvidas que a referida médica tivesse adotado este comportamento caso um familiar se encontrasse presente. Tal atitude gerou desconforto, ansiedade e perda de confiança, evidenciando a importância da presença de familiares para assegurar um tratamento digno e respeitador por partes dos médicos. É difícil de entender que, entre cirurgias, e com recurso a ajuda dos internos por exemplo, a alta não pudesse ter sido assinada. Assim, expresso o meu profundo desagrado pela forma como a comunicação entre equipa médica, doente e família foi gerida, bem como pelo tratamento desrespeitoso por parte da referida médica. Esta situação merece ser analisada internamente e talvez a implementação de algumas medidas simples possam evitar a repetição de episódios semelhantes: • Melhor coordenação entre os serviços médicos e de enfermagem (cujos serviços volto a enaltecer mas cujos profissionais se encontram impotentes tendo de aguardar a decisão médica), particularmente no momento da alta, de modo a evitar longas esperas injustificadas e situações de desconforto para doentes idosos; • Definição de horários ou canais de contacto com familiares, garantindo que estes possam obter informações clínicas atualizadas sem depender exclusivamente de momentos ocasionais de presença médica; • Uniformização e rigor na informação transmitida ao doente e à família, evitando mensagens contraditórias entre elementos da mesma equipa (como seja o exemplo que dei sobre indicações divergentes sobre a colocação ou retirada do dreno). Esta incoerência de informação médica e aparente desarticulação na comunicação entre a equipa, gera no doente e família, insegurança, ansiedade e perda de confiança num momento em que a serenidade é essencial para a recuperação; • Reforço da formação em comunicação clínica e empatia, para assegurar que todas as interações com os doentes e famílias decorrem num ambiente de respeito, humanidade e profissionalismo. Talvez estas formações possam ser ministradas por enfermeiros que demonstram possuir todas as competências para o fazer. Acredito que o Hospital de São João, instituição de referência nacional, valoriza a qualidade dos cuidados prestados e o respeito pelos seus utentes, pelo que confio que esta reclamação será tratada com a devida atenção e seriedade.
Negligência médica
Exmos. Senhores, Venho por este meio,com extrema indignação, declarar que fui vítima de negligência brutal pela parte da doutora Vitória Cunha Cruz pelo seguinte motivo: No passado dia 8 de Maio 2025 dei entrada na urgência do hospital de s.joao no porto devido a uma queda na qual bati gravemente com as costas,apresentava queixa de dor muito forte do lado esquerdo. Após várias questões por parte da doutora e análise física indicou que fosse realizado um raio x. Após exame realizado fui de novo recebida por essa doutora,momento no qual ele me terá informado que não tinha nada fracturado. Mostrei indignação e ainda questionei se me iam mandar embora com aquelas dores, ao qual não obtive resposta e apenas um pedido de desculpas por não fazerem mais nada. Forneceu-me então a prescrição de medicamentos e papel de Alta médica. Fui embora. O que é certo é que no dia seguinte,ja mais calma li a minha folha da alta médica na qual tinha nota clínica do raio x,onde diz claramente "arcos costas íntegros, com excepção do 6° arco costal esquerdo que apresenta FRACTURA alinhada. Um escândalo tremendo e peço que sejam tomadas as devidas medidas. Vim para casa com a costela partida sem quaisquer indicações terapêuticas,o que devo ou não fazer etc... Agradeço a vossa atenção máxima para que episódios destes não se repitam. Cumprimentos.
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