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Consolidar créditos: vale a pena juntar vários empréstimos num só?

Reduzir várias prestações para apenas uma pode aliviar imediatamente o orçamento familiar. Mas a consolidação de créditos tem um reverso da medalha: na maioria dos casos, significa pagar mais juros e aumentar o custo total do financiamento. Antes de decidir, saiba quando esta solução faz sentido e que aspetos deve comparar.

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29 junho 2026
Casal com ar preocupado, em alusão a crédito consolidado

iStock

A consolidação de créditos pode ser uma boa solução se estiver com dificuldades em suportar várias prestações mensais e precisar de reduzir a taxa de esforço para evitar o incumprimento.

No entanto, quase sempre implica pagar mais no final, porque o prazo do financiamento aumenta e os juros acumulam-se durante mais tempo.

Antes de avançar, compare propostas e confirme se a redução da prestação compensa o aumento do custo total do crédito.

O que é a consolidação de créditos?

A consolidação de créditos consiste em juntar vários empréstimos num único contrato.

Em vez de pagar diferentes prestações – por exemplo, do crédito automóvel, do crédito pessoal, do cartão de crédito ou do crédito para obras – passa a ter:

  • uma única prestação;
  • uma única taxa de juro;
  • um único prazo de pagamento;
  • apenas uma entidade credora.

O principal objetivo é reduzir o valor da prestação mensal, tornando o orçamento familiar mais equilibrado.

Contudo, essa redução resulta, normalmente, do alargamento do prazo do novo empréstimo, o que faz aumentar o custo total do financiamento.

Como consolidar créditos?

Na prática, a instituição financeira concede um novo empréstimo, que serve para liquidar os créditos existentes. Existem duas modalidades principais de consolidação de créditos.

Consolidação sem hipoteca

É utilizada sobretudo quando pretende juntar créditos ao consumo.

Esta modalidade de consolidação de créditos:

  • não exige um imóvel como garantia;
  • é, regra geral, um processo mais simples;
  • geralmente, tem um prazo máximo de até sete anos;
  • tem taxas de juro superiores às do crédito à habitação.

Consolidação com hipoteca

Quando existe um crédito à habitação ou um imóvel disponível para servir de garantia, é possível recorrer a um crédito hipotecário.

Esta solução permite:

  • taxas de juro mais reduzidas;
  • prestações mensais mais baixas;
  • prazos bastante mais longos (por exemplo, em vez de pagar as férias em um ou dois anos, paga-as em 30 anos).

Em contrapartida, o imóvel fica dado como garantia, podendo ser executado em caso de incumprimento.

Quanto pode poupar por mês com a consolidação de créditos?

Imagine que paga três créditos diferentes: crédito automóvel, crédito pessoal e cartão de crédito (veja a tabela abaixo).

No conjunto, suporta uma prestação mensal de cerca de 630 euros.

Ao consolidar esses empréstimos, a prestação pode baixar para aproximadamente 500 euros, libertando cerca de 130 euros por mês para o orçamento familiar.

Mas existe uma contrapartida: enquanto os créditos originais representariam um custo total de cerca de 9085 euros, a consolidação poderá aumentar esse valor para 11 835 euros.

Ou seja, ganha liquidez mensal, mas paga bastante mais pelo financiamento: no caso do exemplo, mais cerca de 2750 euros, no total dos sete anos de contrato.

Que custos existem ao consolidar créditos?

Além dos juros, a operação pode envolver outros encargos, entre os quais:

  • comissões pela contratação do novo crédito;
  • imposto do selo;
  • despesas administrativas;
  • custos de avaliação do imóvel, quando existe hipoteca;
  • comissões de amortização antecipada dos créditos antigos – no crédito à habitação com taxa variável, o máximo de penalização é de 0,5% do valor amortizado. Para um crédito com taxa fixa, o valor sobe para 2 por cento. No caso do crédito ao consumo, não são cobradas penalizações para os créditos com taxa variável. Já para os que têm taxa fixa, o máximo é de 0,5% do valor amortizado, descendo para 0,25% se estiver no último ano.

Quais são as vantagens e as desvantagens da consolidação de créditos?

Consolidar créditos reduz a prestação, mas pode aumentar muito o custo total. Será mesmo a melhor solução para o seu orçamento?

Vantagens

  • Redução da prestação mensal.
  • Apenas uma prestação para gerir.
  • Menor risco de incumprimento no curto prazo.
  • Gestão financeira mais simples.
  • Pode reduzir a taxa de esforço.

Desvantagens

  • Maior custo total do crédito.
  • Mais juros pagos ao longo do tempo.
  • Possíveis comissões e penalizações.
  • O prazo do empréstimo aumenta.
  • No crédito hipotecário existe risco para o imóvel.

Quando faz sentido consolidar créditos?

A consolidação pode ser uma boa solução quando:

  • tem dificuldades em pagar todas as prestações;
  • a sua taxa de esforço está demasiado elevada;
  • pretende evitar entrar em incumprimento;
  • uma parte significativa da dívida corresponde a créditos com taxas de juro elevadas, como cartões de crédito.

Por outro lado, poderá não ser a melhor opção se:

  • consegue renegociar os contratos atuais;
  • o problema resulta de uma quebra permanente dos rendimentos;
  • a redução da prestação é pequena face ao aumento do custo total.

É melhor renegociar ou consolidar créditos?

Sempre que possível, tente primeiro renegociar os contratos existentes.

Dependendo do tipo de crédito, pode conseguir:

  • aumentar o prazo;
  • reduzir o spread;
  • alterar a modalidade da taxa de juro;
  • baixar a prestação sem contratar um novo empréstimo.

A consolidação deve ser considerada quando estas alternativas não resolvem o problema ou quando existem vários créditos difíceis de renegociar em simultâneo. Caso esteja em risco de incumprimento, siga as dicas da DECO PROteste para identificar os primeiros sinais de perigo e travar o sobre-endividamento.

Como escolher a melhor proposta de consolidação de créditos?

As ofertas específicas são escassas. No entanto, se procura uma solução deste tipo, consulte o banco no qual tem o crédito à habitação ou o crédito de maior montante, no sentido de obter uma proposta à medida.

Não aceite a primeira proposta. Solicite simulações a diferentes instituições e compare:

  • taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) e montante total imputado ao consumidor (MTIC), que incluem as comissões, os seguros exigidos e os custos de amortização antecipada dos créditos existentes;
  • a prestação mensal, tendo em conta que uma prestação mais baixa não significa necessariamente que o crédito ficará mais barato;
  • prazo do financiamento;
  • comissões;
  • seguros obrigatórios;
  • possibilidade de amortização antecipada.

Em regra, uma TAEG mais baixa significa um crédito menos dispendioso, desde que as restantes condições sejam semelhantes.

Cuidados a ter na consolidação de créditos

Antes de tomar uma decisão:

  • faça um orçamento detalhado das suas receitas e despesas;
  • confirme se consegue reduzir outras despesas;
  • verifique se a taxa de esforço ficará abaixo dos 35% do rendimento;
  • compare várias propostas;
  • avalie o custo total do crédito e não apenas a prestação mensal.

Perguntas frequentes

Respondemos às questões mais frequentes sobre a consolidação de créditos.

Posso consolidar apenas alguns créditos?

Sim. Não é obrigatório incluir todos os empréstimos. Em muitos casos, faz sentido consolidar apenas os créditos ao consumo ou aqueles que têm taxas de juro mais elevadas.

Posso consolidar créditos se não tiver casa?

Sim. Existem soluções de consolidação sem garantia hipotecária. No entanto, os prazos tendem a ser mais curtos e as taxas de juro mais elevadas do que num crédito com hipoteca.

A consolidação de créditos melhora a taxa de esforço?

Normalmente, sim. Como reduz a prestação mensal, a taxa de esforço tende a diminuir. Ainda assim, deve confirmar se a redução é suficiente para garantir um orçamento sustentável.

Posso amortizar antecipadamente um crédito consolidado?

Sim, mas poderão existir comissões de reembolso antecipado, dependendo do tipo de contrato e da taxa de juro aplicável. Confirme esta informação na ficha de informação normalizada europeia (FINE) antes de assinar.

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