Consolidação de créditos: poucas ofertas específicas em Portugal
A DECO PROteste analisou a oferta de 29 instituições de crédito e concluiu que os produtos específicos de consolidação de créditos continuam a ser uma raridade no mercado português. Apesar disso, os bancos disponibilizam frequentemente soluções desenhadas à medida de cada cliente.
A consolidação de créditos pode ajudar a reduzir a prestação mensal e aliviar a pressão sobre o orçamento familiar, mas encontrar um produto específico continua a ser um desafio.
Uma análise da DECO PROteste a 29 instituições de crédito identificou apenas três soluções de crédito consolidado sem hipoteca e uma oferta específica na modalidade com hipoteca.
A escassez de produtos padronizados não significa, contudo, que esta solução não exista. Na maioria dos casos, as instituições financeiras preferem analisar individualmente a situação de cada cliente e apresentar uma proposta ajustada ao seu perfil financeiro, à taxa de esforço e, quando existe um imóvel como garantia, ao valor disponível para financiamento.
Aumento do endividamento pode levar a maior procura
O interesse por este tipo de solução pode aumentar numa altura em que o recurso ao crédito continua a crescer. Segundo dados, de março de 2026, do Banco de Portugal, o endividamento das famílias aumentou 13,8 mil milhões de euros num único ano. Em média, 38,4 milhões de euros por dia.
Grande parte deste crescimento continua a dever-se ao crédito à habitação, impulsionado pela valorização dos imóveis, mas também o crédito ao consumo mantém uma trajetória ascendente.
Quando vários financiamentos se acumulam – crédito à habitação, crédito automóvel, crédito pessoal ou cartões de crédito –, basta uma redução de rendimentos, um aumento das despesas familiares ou uma situação inesperada para que o orçamento deixe de ser suficiente para suportar todas as prestações.
Nestes casos, a renegociação dos contratos existentes deve ser a primeira opção. Porém, quando existem vários empréstimos, muitas vezes contratados junto de diferentes instituições, essa renegociação pode revelar-se difícil. A consolidação de créditos surge, então, como uma alternativa para reduzir o encargo mensal.
Poucas ofertas padronizadas, muitas soluções à medida
Ao contrário de outros produtos financeiros, a consolidação de créditos raramente é apresentada como uma oferta standard.
A análise da DECO PROteste identificou apenas três produtos específicos de consolidação de créditos sem hipoteca, modalidade destinada a consumidores que não utilizam um imóvel como garantia do financiamento.
Para comparar estas soluções, a organização simulou um empréstimo de 40 mil euros, com um prazo de 84 meses.
| Condições | Crédito Consolidação ActivoBank |
BNP Paribas Personal Finance Banco CTT, Cetelem e Universo |
Crédito Consolidado Cofidis |
|---|---|---|---|
| Taxa anual nominal (TAN) | 9,50% | 13,40% | 13,45% |
| Taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) | 11,0% | 15,6% | 15,6% |
| Montante total imputado ao consumidor (MTIC) | 56 276 € | 63 560 € | 64 649 € |
| Montantes | 1000 € – 75 000 € | 2500 € – 75 000 € | 5000 € – 50 000 € |
| Prazos de pagamento | 18-84 meses | 12-84 meses | 60-84 meses |
| Custos iniciais de estudo do processo | Não tem | Não tem | Não tem |
| Contratação de seguro de vida | Não é obrigatória | Não é obrigatória | Não é obrigatória |
| Observações | Este produto está disponível exclusivamente para créditos já contratados no próprio banco e para clientes enquadrados no PARI ou no PERSI (ou seja, já em risco de incumprimento) | Existe a possibilidade de solicitar um valor superior ao da soma dos créditos a consolidar, se a capacidade financeira do consumidor assim o permitir | Existe a possibilidade de solicitar um valor superior ao da soma dos créditos a consolidar, se a capacidade financeira do consumidor assim o permitir |
Na modalidade de consolidação com hipoteca, foi identificado apenas o Crédito Flex, do BNI Europa, que permite financiamentos até 20 anos, dependendo o montante do valor do imóvel dado como garantia.
Apesar da reduzida oferta específica, os consumidores continuam a poder encontrar esta solução noutras instituições financeiras. Nesses casos, o crédito consolidado é normalmente construído à medida, tendo em conta a situação financeira do cliente, a taxa de esforço e, quando existe um crédito à habitação, a margem disponível entre o montante em dívida e o valor do imóvel dado como garantia.
Consolidação de créditos reduz a prestação, mas aumenta o custo total
Consolidar créditos significa substituir vários empréstimos por um único contrato de financiamento. O consumidor passa a ter apenas uma prestação mensal, uma taxa de juro e uma única entidade credora.
O principal benefício consiste na redução da prestação mensal, normalmente conseguida através do alargamento do prazo do novo empréstimo. Essa folga financeira pode ser determinante para famílias que enfrentam dificuldades temporárias e procuram evitar situações de incumprimento.
Nuno Rico, economista da DECO PROteste, considera que "o crédito consolidado é um instrumento relevante na gestão do endividamento, oferecendo benefícios claros em termos de simplificação e alívio financeiro imediato".
Contudo, existe uma contrapartida importante: ao prolongar o prazo do financiamento, o consumidor tende a pagar mais juros, aumentando o custo total do crédito.
Por esse motivo, o especialista alerta que a decisão deve resultar de "uma análise rigorosa e informada, que equilibre as necessidades de curto prazo com as implicações de longo prazo, assegurando uma decisão financeiramente sustentável".
DECO PROteste recomenda comparar propostas antes de decidir
Se está a ponderar consolidar créditos, a primeira abordagem deverá passar pela instituição onde tem o crédito à habitação ou o financiamento de maior montante.
"Não deixe de procurar outras instituições financeiras, como as que indicamos no estudo, ou aquelas onde tem os vários créditos", aconselha Nuno Rico.
Na comparação das propostas, não basta olhar para o valor da prestação mensal. É igualmente importante analisar a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG), que permite comparar o custo anual dos diferentes créditos, e o montante total imputado ao consumidor (MTIC), que corresponde ao valor total que será pago até ao final do contrato, incluindo juros, comissões, seguros obrigatórios e restantes encargos.
Só uma análise conjunta destes indicadores permite perceber se o alívio imediato da prestação mensal compensa o aumento do custo total do financiamento.
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