Tarifas de eletricidade fixas, indexadas ou dinâmicas: como funcionam?
Na escolha de tarifas de eletricidade fixas, indexadas ou dinâmicas, o perfil do consumidor faz toda a diferença. Com valores apelativos, as tarifas de eletricidade indexadas ou dinâmicas só devem ser contratadas por consumidores atentos à evolução dos mercados energéticos e sem medo de arriscar para poderem mudar assim que começarem a subir. Saiba quais as diferenças.
Neste artigo
- Tarifas de eletricidade fixas ou indexadas: o que as distingue?
- Porque oscilam os preços nas tarifas indexadas?
- Como vão evoluir as tarifas indexadas?
- Devo optar por uma tarifa de eletricidade fixa ou indexada?
- E as tarifas dinâmicas? São uma boa escolha?
- Tarifas de eletricidade: como comparar?
- Questões frequentes
Há alguns anos que os consumidores têm à disposição dois tipos de tarifas de eletricidade: fixas ou indexadas. Com as tarifas fixas o valor por kWh é sempre o mesmo ao longo de um determinado período e é conhecido pelo consumidor antes. Com as tarifas de eletricidade indexadas o valor muda todos os dias e só no final de cada mês saberá o que vai pagar por kWh. Mais recentemente, surgiram também as tarifas dinâmicas que são determinadas a cada 15 minutos no Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL) e ainda mais voláteis do que as indexadas.
Nos últimos anos, as tarifas indexadas têm apresentado, em alguns períodos, valores inferiores aos das fixas. Esta tendência despertou o interesse de muitos consumidores que querem baixar a fatura da eletricidade. É fácil mudar, e há vários fornecedores com este tipo de tarifário. Contudo, quem contrata uma tarifa indexada terá de ter bastante atenção à evolução dos preços, para poder mudar caso deixe de ser interessante.
Voltar ao topoTarifas de eletricidade fixas ou indexadas: o que as distingue?
Com uma tarifa fixa, o comercializador acorda com o consumidor um valor fixo por kWh, em regra, por três meses ou por 12 meses (cada vez mais raro). Com uma tarifa indexada, o montante a pagar por kWh varia todos os dias e só na data de faturação o consumidor saberá o que irá pagar por kWh.
Além disso, nas tarifas indexadas, a fatura é calculada com base na média de valores diários verificados no período temporal a que se refere a fatura. Esta variação ocorre porque as tarifas indexadas estão ligadas ao preço diário apurado no Mercado Ibérico de Eletricidade. Neste, a cada 15 minutos, os operadores grossistas negociam enormes quantidades de eletricidade cujos preços vão variando, obedecendo à lei da oferta e da procura. Por esta razão, também o valor das tarifas indexadas flutua, como acontece com as ações de uma empresa no mercado bolsista. A grande diferença é que o consumidor nunca sabe à partida o que vai pagar ao optar por tarifas variáveis.
Ao valor apurado no MIBEL, os comercializadores acrescentam outros montantes através de contas complexas. Nestas contas entram, por exemplo, comissão de gestão, perdas de rede, desvios, serviços do operador do sistema ou tarifas de acesso às redes. Assim, tenha em conta de que não basta olhar para os valores no MIBEL. A estes deve acrescentar pelo menos 10 cêntimos para obter um valor por kWh comparável com o das tarifas fixas.
Voltar ao topoPorque oscilam os preços nas tarifas indexadas?
O mercado de eletricidade tem uma procura relativamente estável e previsível. No entanto, do lado da oferta, são vários os fatores que podem condicionar a quantidade de energia e o preço. Dias com vento, sol ou chuva, com as barragens cheias, vão originar uma produção de eletricidade elevada que tem de ser despachada com rapidez. Tal leva a um decréscimo no preço.
Num ano com pouca precipitação, com as barragens “em baixo” e sem grande contributo de outras fontes renováveis, é preciso recorrer a soluções mais caras para produzir eletricidade, como o gás natural. Estas condicionantes levam a um aumento do preço da eletricidade. A imprevisibilidade do valor, devido a estas situações, é o principal risco das tarifas indexadas.
Veja, abaixo, como tem evoluído o preço médio mensal no MIBEL desde o início de 2026. Para obter o preço de referência por kWh, tem de dividir por 1000 os valores apresentados (em MWh).
| Mês | Preço (€/MWh) |
|---|---|
| Janeiro |
71,19 €/MWh |
| Fevereiro | 10,64 €/MWh |
| Março |
40,80 €/MWh |
| Abril | 42,42 €/MWh |
| Maio | 54,08 €/MWh |
| Junho | 70,25 €/MWh |
Fonte: OMIE
Como vão evoluir as tarifas indexadas?
As previsões possíveis têm um grau de incerteza elevado no médio e longo prazo. Alguns simuladores para calcular o valor das tarifas de eletricidade indexadas, como o da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), baseiam-se no preço dos futuros para a eletricidade nos próximos três meses, que, em junho deste ano, rondavam os 0,085 euros por kWh. A este valor acrescem, ainda, os custos com toda a gestão do sistema, tarifas de acesso ou perdas de energia.
Este indicador é incerto por natureza. A meteorologia ou as condicionantes geopolíticas não são previsíveis num prazo mais alargado. Desta forma, não há qualquer garantia de que esse valor se mantenha estável ou não sofra grandes alterações nos próximos meses.Também os custos adicionais ao valor no MIBEL flutuam ao longo do tempo, por exemplo, as perdas de rede, os desvios ou os serviços do operador do sistema. Por esta razão, a DECO PROteste opta por não integrar as tarifas indexadas no seu simulador de energia.
A título de exemplo, o preço médio diário de eletricidade estabelecido no MIBEL, deve, em julho, fixar-se em cerca de 100 €/MWh, acima dos valores dos últimos meses. A perspetiva no mercado de futuros, devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente e o disparar dos preços do gás natural, apontam para valores consistentemente acima dos 100 €/MWh até final de 2026. Tudo isto ocorreu muito rapidamente, entre o fim de um curto cessar-fogo entre o Irão e os EUA e uma crescente pressão a nível europeu para repor stocks de gás natural para o próximo inverno.
Voltar ao topoDevo optar por uma tarifa de eletricidade fixa ou indexada?
Depende do grau de risco que está disposto a assumir. Atualmente, os preços por kWh nos tarifários indexados estão bastante acima dos praticados nas melhores tarifas fixas e é previsível que assim se mantenham. Se resolver arriscar, terá de ter atenção à evolução dos preços no Mercado Ibérico de Eletricidade. Terá ainda de acompanhar a tarifa de acesso às redes e outras que entrem nas contas dos comercializadores.
Outro aspeto a considerar é que, com tarifa indexada, os comercializadores não têm de garantir um preço por kWh por um determinado período, transferindo esse risco para o consumidor. Por isso, cabe a si avaliar se o potencial benefício que pode obter compensa assumir o risco.
Qualquer que seja a opção, é importante garantir que não opta por um contrato com fidelização. Certifique-se de que pode sair a qualquer momento para um tarifário mais estável.
Voltar ao topoE as tarifas dinâmicas? São uma boa escolha?
As tarifas dinâmicas são, na verdade, tarifas indexadas determinadas em intervalos de 15 minutos. Além de todos os fatores que determinam a evolução das tarifas indexadas, às tarifas dinâmicas acrescem ainda fatores como uma forte componente de variação de procura ao longo do dia ou a produção de energia, sobretudo a de origem solar fotovoltaica.
Tipicamente, as curvas de consumo no mercado português têm um comportamento regular, em que os intervalos de maior pressão coincidem com o início da manhã e o início da noite.
Por outro lado, e com a crescente importância da produção de origem fotovoltaica, existe um volume de energia entre as 10h00 e as 18h00 que “inunda” o mercado e que tem de ser vendida, mesmo que seja a custo zero em muitos momentos. E é aqui que o consumidor pode ter benefício, ao mover sistematicamente os seus consumos para os momentos de menor custo. Contudo, os hábitos de consumo de energia da maioria dos portugueses não coincidem com estes períodos de menor custo. Ao falhar a adaptação do consumo para estes períodos, o risco de ver a sua fatura de eletricidade subir é bastante elevado.
Veja, no gráfico abaixo, um exemplo de como podem evoluir as tarifas dinâmicas num período de 24 horas, de acordo com dados do OMIE.
Voltar ao topoTarifas de eletricidade: como comparar?
Use o simulador da DECO PROteste para ver qual a tarifa de eletricidade mais indicada para o seu perfil de consumo.- Comece por indicar a zona onde vive e se procura um tarifário só para eletricidade, apenas para gás natural ou para ambas as energias.
- De seguida, escolha um dos perfis predefinidos ou indique os seus dados de consumo, a alternativa que lhe garante um resultado mais fiável.
- Obtém uma lista que começa com as tarifas mais baixas e vai aumentando. Para cada fornecedor, pode consultar mais informação sobre o tarifário em causa, como se implica débito direto ou se tem alguma obrigatoriedade de contratar serviços adicionais.
- Descoberta a tarifa que mais lhe interessa, basta contactar o fornecedor em causa. A mudança é simples e gratuita.
simular tarifa de eletricidade ideal
Voltar ao topoQuestões frequentes
Esclareça algumas dúvidas frequentes sobre o mercado de eletricidade.
O que é mais barato: o mercado regulado ou o mercado liberalizado de eletricidade?
A escolha dependerá sempre do perfil de consumo, da potência contratada de que necessita, dos períodos de consumo e da previsibilidade que deseja. No entanto, há várias diferenças entre os dois mercados.
Mercado regulado
- Preços da eletricidade são fixados anualmente pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos. Existe a possibilidade de revisão trimestral, mas não tem sido comum.
- Pode ser uma boa opção para os consumidores que valorizam a estabilidade de preços ou que não acompanham a evolução de preços na fatura.
Mercado liberalizado
- Os comercializadores fixam os preços e as condições contratuais livremente. Isto significa que os preços podem variar mais frequentemente, com ofertas competitivas.
- Existe a possibilidade de oferta de tarifas com descontos ou outros benefícios associados. Ao longo do tempo, as condições de preço vão sendo alteradas. Por isso, convém consultar a fatura para verificar se as vantagens económicas iniciais se mantêm. A maior vantagem é a possibilidade de mudar de comercializador a qualquer momento, sem custos.
Como saber se devo mudar de tarifa de eletricidade?
Analise as faturas dos últimos 12 meses e verifique o consumo anual em kWh, a potência contratada (kVA) e o tipo de tarifa que tem atualmente. Depois, compare o seu contrato atual com as restantes tarifas existentes no mercado. Pode, ainda, fazer este acompanhamento na plataforma Poupawatt.
O simulador da DECO PROteste ajuda a perceber qual a melhor opção para os seus hábitos de consumo de energia e calcula a poupança que pode obter com uma mudança de fornecedor. Tenha em conta o custo total ou a poupança anual que obterá com uma alteração de fornecedor, analisando eventuais descontos ou promoções e não apenas o preço do kWh e da potência de eletricidade contratada.
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