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Quanto está a subir o preço do gás engarrafado?

A guerra no Médio Oriente está a provocar um aumento nos preços da energia. No gás engarrafado, as subidas de preço afetam cerca de 2,1 milhões de famílias em Portugal. Saiba quanto já aumentou o preço da botija de gás desde janeiro.

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20 outubro 2026
Pessoa com uniforme vermelho transporta uma botija de gás laranja marcada “30” numa área exterior, com outra pessoa desfocada e elementos industriais no fundo.

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O conflito no Médio Oriente está a provocar uma onda de subidas de preços na energia. No gás engarrafado, os aumentos levaram o Governo a anunciar uma subida no valor do apoio Botija de Gás Solidária, de 15 euros para 25 euros, até ao final do ano.

De acordo com os dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), uma garrafa de gás butano de 13 quilos, que custava, em março, em média, 34,32 euros, subiu para 37,31 euros em maio. Este aumento impactou cerca de 2,1 milhões de lares, que, em Portugal, ainda usam o gás engarrafado como fonte energética.

E embora os preços médios tenham descido para os 36 euros por garrafa em setembro, as previsões apontam agora para novas subidas acentuadas no último trimestre de 2026. A 20 de outubro, o preço médio da garrafa de gás butano de 13 quilos rondava já os 37,52 euros.

Preços podem ultrapassar os 40 euros em dois meses

A evolução do preço do gás engarrafado tem uma particularidade: o impacto das cotações internacionais chega ao consumidor, no ponto de venda, com cerca de dois meses de desfasamento devido ao circuito de armazenamento e distribuição da matéria-prima. Além disso, por ser constituído por gás de petróleo liquefeito (GPL), como o butano e o propano (produtos associados ao processo de refinação do petróleo), a evolução do preço do gás engarrafado está mais diretamente ligada ao mercado dos produtos petrolíferos do que ao preço do gás natural. 

Com base nos preços diários de referência publicados pela Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), que se encontram em acentuada subida desde o início de outubro, é já possível prever que dentro de dois meses, até dezembro, o preço médio de uma garrafa de gás butano de 13 quilos ultrapasse os 40 euros. No gás propano, engarrafado e canalizado, também se poderá vir a verificar um aumento significativo, embora menos expressivo do que no gás butano.

Gás butano engarrafado já subiu 3,41 euros desde janeiro

Desde janeiro, as botijas de gás butano de 13 quilos, a tipologia de gás engarrafado mais utilizada pelos consumidores portugueses, já viram o seu preço subir 3,41 euros. No gás propano de 45 quilos, a subida foi já de 10,54 euros, de acordo com dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.

Preço médio da garrafa de gás butano de 13 kg

Fonte: Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos


Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro
Preço médio 34,11 €
34,12 €
34,32 €
36,66 €
37,31 € 37,01 € 36,34 € 35,96 € 35,98 € 37,52 €
Preço médio se fosse aplicado IVA a 6% 29,40 €
29,40 € 29,58 €
31,59 € 32,15 € 31,89 € 31,32 € 30,99 € 31,01 € 32,33 €

Durante todo este período de aumentos, o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) incluído no preço final não foi alterado, permanecendo em 2,743 euros por botija de gás, valor ao qual ainda acresce IVA a 23 por cento. Se para o gás engarrafado tivesse sido aplicado o mesmo mecanismo de neutralidade fiscal aplicado aos combustíveis rodoviários e uma taxa reduzida de IVA, como na eletricidade e no gás natural, os portugueses teriam pago menos 7 euros por cada garrafa de 13 kg de gás butano em 2026.  

DECO PROteste pede taxa de IVA a 6% para o gás engarrafado

Por ser um serviço público essencial, a DECO PROteste defende que o gás engarrafado seja equiparado à eletricidade e ao gás natural e tenha uma taxa de IVA de 6 por cento. Atualmente, o gás butano engarrafado e o gás propano canalizado têm a taxa máxima de IVA, de 23 por cento.

"Defendemos uma abordagem equitativa para produtos que servem os mesmos fins e abrangem a mesma população, e que têm uma utilização tão básica como cozinhar ou aquecer água. Uma garrafa de gás butano de 13 quilos com taxa de IVA reduzida custaria, em média, 32,33 euros, um valor inferior aos 37,52 pagos com a taxa de IVA atualmente em vigor. A não aplicação de uma redução de ISP em contraponto ao aumento com a receita de IVA, mecanismo aplicado nos combustíveis rodoviários, só vem exacerbar ainda mais esta discriminação", afirma Pedro Silva, analista de mercado de Energia na DECO PROteste.

O especialista alerta, ainda, que, "com a chegada do inverno, período em que tipicamente o consumo de energia aumenta, esta tendência de subida de preços é preocupante". "Esta pressão chega ao dia a dia dos consumidores em muitas outras áreas, refletindo-se, por exemplo, no preço dos alimentos e nas despesas com o crédito à habitação. Era importante que o Estado usasse a parte da receita adicional de IVA para reduzir a carga fiscal sobre a energia e travar o impacto da subida dos preços no orçamento das famílias", conclui Pedro Silva.

Em setembro, a taxa de inflação chegou já aos 3,6%, enquanto os preços dos produtos energéticos aumentaram 15,3%, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

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