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Preço dos combustíveis: quanto aumentaram a gasolina e o gasóleo em Portugal?

Os combustíveis estão mais caros e a pressão faz-se sentir no orçamento das famílias. Saiba quanto aumentaram os preços da gasolina e do gasóleo e quanto tem arrecadado o Estado em impostos. 

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23 setembro 2026
Pessoa abastece um veículo numa bomba de combustível, segurando uma mangueira verde, com várias bombas alinhadas e carros visíveis ao fundo.

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A falta de um acordo para reabrir de forma permanente o estreito de Ormuz continua a afetar o transporte de combustíveis e a pressionar os preços do gasóleo e da gasolina em todo o mundo.

Em Portugal, o mês de setembro trouxe contas mais difíceis para o orçamento das famílias. Na semana de 21 de setembro, o preço médio da gasolina simples subiu para 2,107 euros por litro e o preço médio do gasóleo simples chegou aos 2,21 euros por litro, o máximo histórico. Face à semana anterior, estes valores representam uma subida média de 3,5 cêntimos por litro na gasolina e de 5,8 cêntimos por cada litro de gasóleo.

A evolução dos preços dos combustíveis tem sido particularmente instável desde o final de janeiro, quando começaram a surgir os primeiros sinais de agravamento do conflito entre o Irão e os Estados Unidos da América. No início de março, a gasolina já estava, em média, 3,8 cêntimos por litro mais cara e o gasóleo simples 5,7 cêntimos mais caro do que no final de janeiro. 

O que está o Governo a fazer para travar a subida dos preços dos combustíveis?

Quando o preço dos combustíveis sobe, o Estado recebe mais IVA. Em março, o Governo prometeu que, caso os preços dos combustíveis rodoviários subissem mais de 10 cêntimos por litro face à semana anterior, avançaria com uma redução no Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP). O objetivo era compensar parte do impacto da subida dos preços e evitar que o Estado arrecadasse mais impostos devido ao aumento da receita de IVA. Uma medida semelhante já tinha sido aplicada durante a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia.

Em 2026, o Estado tem arrecadado, em média, 97,4 cêntimos por cada litro de gasolina simples e 83,8 cêntimos por cada litro de gasóleo simples. Este valor manteve-se relativamente estável, mesmo quando o preço dos combustíveis variou.

ISP desce 7,4 cêntimos na gasolina e 10,8 cêntimos no gasóleo

Face aos valores praticados em março, antes da entrada em vigor da medida, o ISP diminuiu 7,4 cêntimos por litro na gasolina e 10,8 cêntimos por litro no gasóleo. No mesmo período, o IVA aumentou 7,6 cêntimos por litro na gasolina e 10,8 cêntimos por litro no gasóleo.

DECO PROteste defende maior redução de ISP 

A DECO PROteste considera positiva a redução do ISP. No entanto, Pedro Silva, analista do mercado de energia, defende que "sempre que o preço dos combustíveis ultrapasse os 2 euros por litro, a redução deste imposto deve ser maior, para aliviar de forma mais significativa o impacto no orçamento das famílias". 

Pedro Silva recorda que, "durante o início da guerra na Ucrânia, quando os preços dos combustíveis também ultrapassaram os 2 euros por litro, o Governo adotou medidas mais fortes para reduzir o peso dos impostos. Desde o final de 2023, essas medidas foram sendo revertidas, com a reposição de impostos e o aumento de algumas parcelas da fiscalidade".

A organização de defesa do consumidor defende também uma mudança estrutural nos impostos sobre os combustíveis, em vez de medidas temporárias e avulsas que só são aplicadas em períodos de crise energética. Em 2026, a carga fiscal média no preço dos combustíveis tem-se mantido em níveis historicamente elevados. Assim, para Pedro Silva, "justifica-se que o Governo vá além da neutralidade fiscal e apoie diretamente os consumidores, através de despesa do Estado, tal como já acontece no gasóleo profissional ou nos apoios a empresas de base energética".

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Preço dos combustíveis pressiona preços de produtos de consumo diário

A evolução do preço dos combustíveis está a provocar um novo período de pressão sobre os preços de outros bens e serviços. Em agosto de 2026, a taxa de inflação chegou aos 3,3%, enquanto os preços dos produtos energéticos aumentaram 12,2%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). "Esta pressão chega ao dia a dia dos consumidores, refletindo-se, por exemplo, no preço dos alimentos e nas despesas com a habitação e o crédito à habitação", sublinha Pedro Silva.

No caso dos combustíveis, acrescenta o especialista da DECO PROteste, "o impacto é particularmente relevante porque são produtos de que os consumidores não podem facilmente prescindir, mesmo quando os preços aumentam. Assim, a subida dos preços dos combustíveis está a contribuir para aumentar a inflação e, simultaneamente, gera mais receita de IVA para o Estado".

É neste ponto que a DECO PROteste defende uma intervenção do Estado: usar parte dessa receita adicional para reduzir a carga fiscal sobre os combustíveis e travar o impacto da subida dos preços no orçamento das famílias.

 

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