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Alimentos funcionais valem o que custam ou são um gasto inútil?

Alguns são considerados alimentos funcionais, como os leites fermentados, outros genericamente percecionados como escolhas mais saudáveis e benéficas. Mas será que estes produtos são mesmo necessários? E quanto custam?

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24 julho 2026
Kefir

iStock

Leites, iogurtes e cereais enriquecidos com proteína, alimentos integrais, produtos sem lactose, entre outros, enchem as prateleiras dos supermercados. Entram com frequência no carrinho de compras por estarem associados a benefícios nutricionais e/ou de saúde. Mas serão realmente necessários?

Sabemos que muitos consumidores aceitam pagar mais quando percecionam benefícios para a saúde ou para o ambiente. Ainda assim, será que estes produtos se justificam no caso de quem já segue uma dieta variada e equilibrada, que abranja todos os nutrientes necessários à saúde do organismo?

Mais: num contexto em que o cabaz alimentar dos portugueses sofre constantes aumentos de preços, compensa comprar produtos mais caros, quando existem versões clássicas, bastante mais em conta?

A DECO PROteste analisou os preços de um cabaz de alimentos de consumo diário, como iogurtes, leite, arroz, massa e cereais, e comparou-os com os praticados pelas versões diferenciadas da mesma categoria. Os preços foram recolhidos em maio de 2026.

A organização de consumidores chegou à conclusão de que os produtos da moda podem custar até três vezes mais do que os seus equivalentes mais básicos.

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Gregos, skyr, kefir, proteicos: quanto custam os iogurtes da moda?

Os alimentos funcionais são semelhantes aos convencionais – aqueles que integram uma dieta comum –, mas apresentam efeitos benéficos para a saúde ou ajudam a reduzir o risco de doenças crónicas.

Neste sentido, vão além das funções básicas da nutrição. É o caso dos iogurtes e dos leites fermentados, que contêm culturas vivas.

Tais culturas vivas, em iogurtes ou leites fermentados, podem melhorar a digestão da lactose em indivíduos com dificuldade em processar este açúcar.

Trata-se de uma característica transversal a esta categoria de produtos, pelo que a escolha é uma opção pessoal, de acordo com os gostos e ajustada ao orçamento.

A diferença de custo, para o universo de alimentos analisados pela DECO PROteste, é de uma vez e meia a três vezes mais.

Diferenças de custo entre alimentos clássicos e alimentos funcionais

  • O kefir, leite fermentado semelhante ao iogurte, em média, é 53% mais caro do que as versões clássicas.
  • Já o iogurte grego natural fica, em média, 80% mais dispendioso do que o clássico.
  • E, se considerarmos o skyr natural, iogurte denso e cremoso, mas naturalmente mais rico em proteína, estamos já a falar de uma discrepância de 178 por cento.

Como se vê, é nos dois últimos segmentos que o distanciamento se torna mais expressivo.

  • Os iogurtes gregos têm maior teor de gordura (incluindo saturada, menos saudável) e são mais calóricos.
  • skyr, de inspiração nórdica, posiciona-se como um produto de elevada concentração proteica.
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Alimentos ricos em proteína são muito mais caros?

Os produtos que anunciam mais proteína não são apenas uma tendência no segmento dos iogurtes. Cereais, snacks, sobremesas e bebidas procuram também afirmar-se através desta estratégia.

A generalidade da população que segue uma dieta equilibrada e variada dispensa proteína extra. Mas, em casos pontuais, de carência ou necessidades acrescidas, pode justificar-se.

As diferenças de preços entre alimentos ricos em proteína e versões clássicas são também expressivas.

  • Comparando cereais clássicos com produtos equivalentes, mas com mais proteína, chegamos a uma diferença média de preço de 39 por cento.
  • A gelatina proteica é 61% mais cara, em média, do que a sua congénere clássica.
  • O leite acusa uma disparidade média superior, de 66 por cento.
  • E, considerando os iogurtes proteicos, só disponíveis com sabores, atingimos uma diferença média de 130% para os clássicos.
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Qual é a diferença de preço dos alimentos integrais?

Com elevado poder de saciedade e ricos em fibra, os alimentos integrais estão associados a uma dieta equilibrada e ao bom funcionamento do trânsito intestinal.

No entanto, o potencial acréscimo de fibra face ao tradicional varia em função do produto, e nem sempre justifica a compra. É o caso do arroz integral.

Além disso, os alimentos integrais não agradam tanto ao paladar do consumidor, com a agravante de serem mais caros.

  • A versão integral do arroz, quando comparada com a clássica, tem um preço médio 18% mais elevado.
  • O pão integral fica um pouco mais caro ainda, com uma diferença de 23% para o normal.
  • Mas é na massa que se nota a maior clivagem média de preço, com 41% de distância entre a versão integral e a clássica.
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Quanto custam os produtos sem lactose?

Os produtos sem lactose destinam-se a pessoas que sofrem de intolerância a este açúcar naturalmente presente no leite.

Mas, embora não exista evidência científica de que uma dieta sem lactose ofereça benefícios para a saúde da população em geral, estes alimentos tornaram-se muito procurados mesmo por quem não sofre de intolerância.

Não é demais sublinhar: a eliminação da lactose só é recomendada quando existe indicação clínica, como a intolerância, diagnosticada por um profissional de saúde.

Justificando-se ou não a compra de produtos sem lactose, o consumidor também paga mais quando os retira da prateleira do supermercado e os leva para casa.

  • O queijo sem lactose pode custar, em média, mais 10% do que o normal.
  • O leite, por sua vez, regista uma diferença média de 23% entre as versões clássicas e sem lactose.
  • Noutras categorias, como a dos iogurtes, o preço é bastante mais elevado. Em média, o consumidor paga mais 41% pelos iogurtes sem lactose.
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Vale a pena comprar alimentos funcionais ou associados a um estilo de vida saudável?

Depende. O mais importante é não ir simplesmente atrás de tendências, mas fazer uma dieta variada e equilibrada, adaptada à idade, a eventuais problemas de saúde e ao nível de atividade (mais ou menos sedentário, praticante de desporto, etc.).

Uma alimentação equilibrada fornece a quantidade de nutrientes necessária à saúde do organismo. Assim sendo, produtos enriquecidos, por exemplo, em proteína, tornam-se, muitas vezes, dispensáveis. O mesmo acontece no caso dos produtos sem lactose, quando não há intolerância a este açúcar.

Como para todos os alimentos, há que ter espírito crítico e olhar atentamente para a lista de ingredientes e para a tabela nutricional, ambas no rótulo dos alimentos.

Para a maioria das pessoas, o mais sensato é seguir uma dieta equilibrada, que cubra harmoniosamente todas as categorias da roda dos alimentos.

Não significa que estes produtos não possam também estar incluídos. Ao combinar a compra de alimentos clássicos e destas versões mais associadas a um estilo de vida saudável, pode criar um cabaz híbrido mais ajustado ao seu orçamento.

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É possível comprar alimentos da moda mais baratos?

Sim, há opções mais em conta, como os produtos de marca própria.

Fazendo os cálculos a uma porção de 125 gramas, o equivalente a um copo de iogurte, as marcas próprias permitem poupar, em média, 30 a 60%, consoante a categoria.

  • Optando por iogurte grego de marca própria, consegue economizar 34% face à média de preços das marcas concorrentes.
  • No caso do skyr, a poupança média, entre a marca de supermercado e as demais, é de 38 por cento.
  • Já entre os iogurtes com bífidos, 40% é quanto pode economizar, em média, escolhendo marcas de supermercado.
  • Mas a maior poupança está no kefir de marca de supermercado: fica, em média, 64% mais barato do que o das restantes marcas.

Existem outras formas de poupar na compra de alimentos funcionais? Sim, some estas duas sugestões à sua lista.

  • No caso dos iogurtes, as embalagens de maior capacidade rendem uma poupança que pode chegar a um euro por quilo.
  • Esteja também atento às promoções no supermercado.

Em síntese, o cabaz destes alimentos analisados pela DECO PROteste, que são percecionados como benéficos para a saúde, custa, em média, mais 64% do que os produtos correspondentes clássicos. Dependendo da categoria, o consumidor pode pagar até três vezes mais.

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