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Proteína em pó: é mesmo necessária no exercício físico?

A proteína em pó não é necessária para todas as pessoas que praticam exercício físico. As necessidades proteicas dependem, entre outros fatores, da alimentação e do tipo e da intensidade do exercício. Na maioria dos casos, satisfazem-se através dos alimentos, sem recurso a suplementos.

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20 agosto 2026
Mulher vestida com roupa de fitness bebe proteína

iStock

As proteínas são um dos três macronutrientes essenciais para o organismo, por fornecerem energia, juntamente com os hidratos de carbono e os lípidos. Trata-se de moléculas constituídas por uma ou várias cadeias de aminoácidos. Alguns destes são essenciais, uma vez que só podem ser obtidos através dos alimentos.

E onde se encontram as proteínas? Nos alimentos de origem animal, pode encontrá-las na carne, no peixe, nos ovos e nos laticínios. Já naqueles de origem vegetal, as proteínas estão presentes em leguminosas como o grão, o feijão e as lentilhas. Mas as proteínas de origem vegetal não têm os aminoácidos essenciais em quantidade suficiente. Por isso, a alimentação com base vegetal deve ser bem planeada e variada, para não existirem carências destes aminoácidos.

Porque precisamos de proteínas?

As proteínas são essenciais na formação de enzimas, anticorpos e hormonas, e fazem parte da estrutura das células em diversos tecidos (pele, músculos e ossos), sendo importantes na sua manutenção e reparação. É por isso que quem pratica exercício físico deve fazer um consumo adequado deste macronutriente, que ajuda a reparar e a substituir as proteínas danificadas pelo exercício físico nos músculos, ossos, tendões e ligamentos.

Um défice na ingestão de proteínas pode, por isso, comprometer a renovação e crescimento celular. Contudo, o consumo diário necessário deve ser calculado de acordo com a idade, sexo e intensidade da atividade física praticada, assim como de acordo com a existência de condições de saúde que possam limitar o consumo deste macronutriente, como a insuficiência renal.

De quanta proteína precisa a população em geral?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em adultos, recomenda-se a ingestão de 0,8 g de proteína por cada quilo de peso, por dia, um valor facilmente atingido com uma alimentação normal (por exemplo, com a dieta mediterrânica). Porém, se o objetivo do atleta for o aumento da massa muscular (hipertrofia), ou até mesmo a reparação dos tecidos musculares depois do exercício, este valor poderá não ser suficiente.

Antes de recorrer a concentrados de proteína em pó, tenha em conta:

  • a quantidade de proteína já obtida através da alimentação;
  • o tipo e a intensidade do exercício;
  • o objetivo do treino;
  • a quantidade total de energia e de hidratos de carbono ingeridos;
  • a tolerância digestiva e a conveniência.

E quem pratica desporto?

A evidência científica afirma que as pessoas que fazem exercício físico regularmente necessitam de mais proteína do que aquelas que não fazem. Os 0,8 gramas de proteína por cada quilo de peso, por dia, não são uma quantidade suficiente para compensar a oxidação das proteínas durante o exercício, nem para a recuperação do desgaste muscular induzido pelo exercício.

Consoante a intensidade e duração do treino, os valores de ingestão proteica diária podem variar entre 1,0 e 1,6 gramas por cada quilo de peso. Se estivermos a falar de exercícios mais intensos (por exemplo, de treinos de força para aumento da massa muscular com grandes cargas), cerca de 2 gramas de proteína por cada quilo de peso, por dia, é um valor seguro, de acordo com a ciência.

É necessário tomar concentrado de proteína em pó quando se faz exercício físico?

Para saber a quantidade de proteínas ideal para quem pratica exercício físico mais do que três vezes por semana, por exemplo, deve considerar fatores como:

  • a qualidade da proteína – com maior quantidade de aminoácidos essenciais;
  • a quantidade de energia e hidratos de carbono ingeridos;
  • o tipo e intensidade de treino;
  • e o momento da ingestão da proteína (antes, durante ou depois do treino).

Além disso, as fontes de proteínas são muito importantes, e aqui a comunidade científica é unânime: as necessidades proteicas devem ser satisfeitas com alimentos “inteiros”, ou seja, alimentos onde os seus nutrientes se encontram naturalmente presentes. Por isso, a suplementação só deve servir para suprir necessidades nutricionais que não podem ser obtidas através dos alimentos, nomeadamente por uma questão de conveniência ou tolerância digestiva (digestão mais rápida), e não como regra.

O consumo excessivo de proteína faz mal?

Existem rumores de que um consumo excessivo de proteínas pode levar ao surgimento de problemas renais, nomeadamente a um aumento da taxa de filtração de sangue pelos rins. No entanto, esta hipótese já foi descartada pela Organização Mundial da Saúde, nas suas diretrizes para a ingestão de proteínas. Segundo a OMS, a restrição de proteína com base na função renal só é justificável, e prudente, no caso de indivíduos com probabilidade de desenvolver insuficiência renal devido a diabetes ou hipertensão.

É possível atingir as necessidades de proteína apenas com alimentos?

Um homem com 37 anos, 1,80 metros de altura, 75 quilos de peso, e que treina quatro vezes por semana (corrida de intensidade moderada) durante 60 minutos, por exemplo, pode ingerir cerca de 105 gramas de proteína por dia. E uma vez que a proteína é essencial na reparação do tecido muscular danificado pelo exercício, a distribuição da quantidade de proteína ao longo do dia também deve ser tida em conta. Por isso, deve estar presente na refeição logo após o treino.

A ementa apresentada em baixo é suficiente para garantir as necessidades proteicas diárias de um indivíduo, com as características acima referidas, que pratica exercício físico 

Que ementa permite atingir as necessidades diárias de proteína?

Este exemplo permite garantir as necessidades proteicas de 105 gramas diárias.

Pequeno-almoço

  • 110 g de pão de mistura
  • 1 fatia de queijo tipo flamengo
  • 1 pera
  • 1 café sem açúcar

Meio da manhã

  • 1 iogurte natural
  • 30 g de flocos de aveia
  • 1 maçã

Almoço

  • 140 g de frango estufado
  • 120 g de arroz cozido
  • 150 g de salada mista
  • 1 colher de sobremesa de azeite

Lanche (pré-treino)

  • 1 laranja
  • 1 banana média
  • 35 g de amêndoas com pele

Jantar (pós-treino)

  • 350 ml sopa de agrião
  • 130 g de bacalhau cozido
  • 140 g de batata-doce cozida
  • 150 g de brócolos cozidos

Questões frequentes

Os concentrados de proteína em pó servem de substituto a uma alimentação equilibrada?

Não. As necessidades de proteína diária podem ser atingidas com uma alimentação equilibrada e variada. Os concentrados não devem ser usados como substituto de uma alimentação equilibrada e/ou de refeições.

Os vegetarianos precisam de concentrados de proteína em pó?

Não. Uma alimentação vegetariana equilibrada pode fornecer todos os aminoácidos essenciais. Embora algumas fontes de proteína vegetal tenham menor digestibilidade ou sejam limitadas em determinados aminoácidos, uma alimentação variada ao longo do dia permite assegurar as necessidades proteicas.

Os concentrados de proteína em pó são indicados para qualquer pessoa que pratique exercício?

As necessidades proteicas diárias variam de acordo com a idade, o estado fisiológico ou o nível de atividade física. Na maioria das vezes, podem ser atingidas com uma alimentação equilibrada. Podem ser úteis quando as necessidades de proteína estão aumentadas (no caso dos atletas e de treino intenso) ou quando não é fácil atingir a ingestão adequada através da alimentação.

Em que situações são úteis os concentrados de proteína em pó?

Não são essenciais para a maioria das pessoas. Mas podem ser úteis quando as necessidades proteicas estão aumentadas ou quando é difícil assegurar uma ingestão adequada através da alimentação, como em situações de treino intenso, dietas restritivas, perda de apetite ou gestão do peso. Para quem faz exercício físico, são sobretudo vantajosas no período pós-treino, quando a síntese proteica está aumentada e a ingestão de proteína de rápida digestão (como a whey) pode otimizar a recuperação.

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