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Desparasitação de cães e gatos: quando e como fazer

A desparasitação de cães e gatos é uma medida preventiva destinada a eliminar ou controlar parasitas que podem afetar os animais e, em alguns casos, afetar também as pessoas. Pode ser interna ou externa, consoante o tipo de parasita em causa. Saiba porque é importante mantê-la em dia.

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22 outubro 2026
Uma carraça no meio do pelo de um animal

iStock

Quando se deve desparasitar um cão ou um gato? Não existe uma frequência de desparasitação que seja adequada para todos os animais.  O plano de desparasitação deve ser definido pelo médico veterinário e adaptado às características e ao nível de risco de cada animal.

Fatores como a idade, o peso, o estado de saúde, o acesso ao exterior, o contacto com outros animais, a alimentação e a presença de crianças, grávidas, idosos ou pessoas imunocomprometidas no agregado familiar podem influenciar a estratégia de controlo parasitário.

Saiba em que consistem a desparasitação interna e a externa e porque são importantes.

O que é a desparasitação de cães e gatos?

Desparasitar consiste em eliminar ou controlar parasitas que afetam o animal. A desparasitação pode ser interna ou externa.

A diferença está sobretudo no tipo de parasitas que se pretende combater. A desparasitação interna dirige-se aos chamados endoparasitas, entre os quais se encontram parasitas intestinais, pulmonares e urinários.

A desparasitação externa visa controlar ectoparasitas, que vivem na superfície do corpo do animal ou se alimentam do seu sangue, como:

  • pulgas;
  • carraças;
  • piolhos;
  • mosquitos;
  • moscas;
  • ácaros.

Porque é importante desparasitar cães e gatos?

A desparasitação ajuda a prevenir e controlar infeções e infestações provocadas por parasitas que podem afetar cães e gatos.

Principais vantagens:

  • protege a saúde e a qualidade de vida dos animais, ajudando a prevenir desconforto, problemas de pele, alergias e algumas doenças transmitidas por parasitas;
  • ajuda a proteger a família, uma vez que alguns parasitas dos animais podem também afetar as pessoas;
  • contribui para o controlo do ambiente doméstico, reduzindo o risco de infestações, por exemplo, de pulgas.

A desparasitação deve fazer parte dos cuidados regulares de saúde do animal. Recomenda-se rever o plano de controlo parasitário pelo menos uma vez por ano, por exemplo, durante a consulta de rotina com o médico veterinário.

Quando desparasitar cães e gatos?

Os intervalos entre desparasitações devem ser definidos em conjunto com o médico veterinário, considerando o ciclo de vida dos parasitas, as características e o estilo de vida do animal. A escolha e a utilização de medicamentos antiparasitários devem sempre respeitar as respetivas indicações e o aconselhamento do médico veterinário.

O Conselho Científico Europeu para os Parasitas dos Animais de Companhia (ESCCAP, do inglês European Scientific Counsel Companion Animal Parasites) apresenta algumas recomendações para a desparasitação interna e externa, que podem ser discutidas com o médico veterinário que acompanha o animal.

Desparasitação interna

  • Os animais com acesso ao exterior podem necessitar de desparasitações mais frequentes, nomeadamente quatro a 12 vezes por ano, dependendo da tendência, por exemplo, para ingerirem lesmas, caracóis ou ervas. Se tiverem pouco ou nenhum acesso ao exterior, a frequência pode ser inferior (uma a duas vezes por ano, por exemplo), dependendo da avaliação do risco.
  • Em áreas onde é habitual encontrar Echinococcus granulosus (as chamadas zonas endémicas), os cães com acesso a vísceras ou carcaças de animais, devem ser desparasitados, pelo menos, a cada seis semanas, com um produto eficaz contra este parasita.
  •  Em zonas de risco para determinadas doenças, como a dirofilariose (verme do coração), podem ser necessárias medidas preventivas adicionais.

Desparasitação externa

  • As pulgas podem representar um risco durante todo o ano, pelo que a prevenção regular é importante. 
  • O controlo das carraças deve ser reforçado nos períodos de maior atividade destes parasitas ((em Portugal, geralmente na primavera e no outono, embora varie consoante a espécie e as condições climáticas). 
  • Em regiões onde existe risco de leishmaniose, os cães podem necessitar de proteção repelente específica contra os mosquitos que transmitem a doença.

Quando começar a desparasitação interna de cachorros e gatinhos?

Os animais jovens exigem cuidados específicos. Segundo o referido Conselho Científico Europeu para os Parasitas dos Animais de Companhia, para manter a saúde do animal e evitar a contaminação ambiental com ovos do género Toxocara, produzidos por parasitas intestinais, importa:

  • desparasitar os cachorros e os gatos bebés contra a infeção por nemátodes (nos quais se incluem as lombrigas) a partir dos 14 e 21 dias, respetivamente;
  • o tratamento deve ser feito a cada 14 dias, até 14 dias após o desmame.

O que fazer para diminuir o risco de transmissão de parasitas?

É fundamental ter alguns cuidados, como:

  • recolher e eliminar as fezes dos animais de forma imediata e adequada, lavando as mãos depois de as manusear. As fezes de cães e gatos não devem ser utilizadas para fazer composto destinado à fertilização de culturas para consumo humano;
  • incentivar a lavagem frequente das mãos, especialmente entre as crianças;
  • lavar bem todas as frutas e legumes antes de os consumir;
  • cobrir os areões e caixas de areia domésticas quando não estiverem a ser usados;
  • evitar dar carne crua não processada a animais e disponibilizar-lhes água potável e fresca;
  • seguir o plano de controlo parasitário  recomendado  pelo veterinário. Rever esse plano, pelo menos, uma vez por ano.

 Desparasitação em poucas palavras

Desparasitar significa eliminar ou prevenir parasitas internos e externos em cães de gatos. Por regra o tipo desparasitação, a sua frequência e os medicamentos a utilizar devem ser decididos em conjunto com o médico veterinário, tendo em conta as características e necessidades específicas de cada animal.

Perguntas frequentes

É suficiente desparasitar os animais ou são necessários outros cuidados?

Não. A desparasitação deve ser sempre acompanhada por medidas de higiene. Recolher e eliminar imediatamente as fezes do animal no jardim e noutros locais públicos, fornecer água potável fresca e reduzir o acesso a potenciais fontes de infeção (por exemplo, carne crua) são alguns dos cuidados que podem complementar o plano de desparasitação.

Um gato que nunca sai de casa precisa de ser desparasitado?

Viver exclusivamente dentro de casa pode diminuir a exposição a determinados parasitas, mas não significa necessariamente que o risco seja nulo. A necessidade e a frequência do controlo devem ser avaliadas em função do estilo de vida e das condições do próprio animal.

Dar carne crua ao cão ou ao gato aumenta o risco de infeção por parasitas?

Sim, pode aumentar. Informe o médico veterinário sobre a alimentação habitual do animal para que tenha este fator em conta.

Ter crianças pode influenciar o plano de desparasitação?

Sim, é um fator a considerar. Alguns parasitas dos animais podem também afetar as pessoas. A presença de crianças pequenas, grávidas, idosos ou pessoas imunocomprometidas no agregado familiar é um fator que deve ser tido em conta na avaliação do risco e na definição das medidas de prevenção mais adequadas.

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