Como testamos

Como testamos ração para cão e comida para gato

18 março 2026
Dois gatos cinzentos e um cão castanho claro deitados

18 março 2026
Em laboratório, investiga-se se os nutrientes necessários estão presentes na quantidade certa, garantindo um aporte nutricional adequado. Também se analisa a qualidade da matéria-prima. No caso dos gatos, analisa-se a comida seca.

Aspetos como a qualidade de cada ração e a sua composição quanto a nutrientes e calorias são analisados em laboratório. Também se verifica a relação entre a qualidade e o preço. Os cães e os gatos necessitam de uma dieta que garanta equilíbrio nutricional e uma porção diária ajustada ao peso e à atividade física.

Qualidade da ração para cães

Para avaliar a qualidade de cada ração para cão, a DECO PROteste analisa em laboratório a composição, tendo em conta a densidade energética, ou seja, a quantidade de calorias por 100 gramas. Os cães não gostam de mastigar, pelo que aumentar a quantidade não é a solução. O animal pode desinteressar-se da comida e, no limite, ficar com alguma fome.

Um conjunto de análises permite verificar se as rações obedecem aos critérios exigidos. A avaliação tem em conta as recomendações da Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação (FEDIAF) e do National Research Council (NRC) — centro de investigação norte-americano na área da nutrição dos animais.

Os resultados dos diferentes parâmetros analisados são agrupados em duas avaliações globais.

  • Primeiro, a qualidade nutricional do produto, que indica se a ração cobre as necessidades do animal. Este aspeto é crucial na avaliação, sendo essencial que as necessidades em nutrientes estejam satisfeitas.
  • Segundo, a qualidade dos ingredientes. É preciso garantir uma boa qualidade das proteínas e das gorduras e que o teor de ingredientes vegetais não seja excessivo.

Hidratos de carbono

Os hidratos de carbono fornecem energia e devem estar presentes. No entanto, o excesso pode dar a ideia de que são usados mais ingredientes vegetais, mais baratos. Além disso, os hidratos de carbono devem ser processados de forma correta para que sejam digeríveis e para que o animal possa aproveitá-los e tolerá-los convenientemente.

Proteína de qualidade 

É necessário um mínimo de proteína, mas de qualidade, e de aminoácidos essenciais para o cão, como lisina e metionina. Caso os fabricantes recorram a matéria-prima de qualidade inferior, nomeadamente farinha de ossos ou aparas com muito colagénio, ou a proteína vegetal com baixo teor em aminoácidos essenciais, o produto fica aquém do desejável. A proteína deve ainda ter uma boa digestibilidade, para que o cão possa assimilá-la da melhor forma. 

Gordura e ácidos gordos 

A gordura também deve estar presente. Além de fornecer energia e calorias, também abastece de ácidos gordos essenciais, nomeadamente o linoleico, ómega-3 e 6, com um papel relevante na saúde da pele e do pelo do cão. O grau de oxidação de gordura também é um parâmetro de qualidade incluído no estudo (pode indiciar problemas de conservação).

Vitaminas

Verifica-se o teor de vitamina A, D e E, que devem estar presentes em quantidade suficiente. A vitamina D, por exemplo, é essencial para a saúde dos ossos e dos músculos do animal.

Minerais

A presença cálcio, e também de fósforo, é essencial numa ração. Além de medir o teor, verifica-se se estes minerais estão na devida proporção, para permitir uma correta absorção do primeiro. Contudo, o excesso de cálcio não é desejável, pois pode advir do uso de matérias-primas de qualidade inferior. Além disso, pode provocar prisão de ventre.

Uma ração com muito cálcio e pouco fósforo indicia a utilização matéria-prima de fraca qualidade, com muito osso e pouca carne. Já um equilíbrio adequado de cálcio-fósforo indica um produto com matéria-prima de boa qualidade, com carne suficiente. 

Qualidade da comida para gatos

Para avaliar a qualidade das rações para gatos, a DECO PROteste tem em consideração diferentes aspetos da composição.

Analisam-se vários parâmetros em laboratório, para verificar se o produto atende às necessidades do gato (na quantidade de nutrientes, incluindo alguns mais críticos) e a qualidade das matérias-primas utilizadas. Na avaliação, também é tido por base o guia nutricional com orientações para a alimentação de cães e gatos da FEDIAF.

Proteína

Os gatos precisam de uma certa quantidade de proteína diária, mas as mesmas têm de ser digeríveis e de fácil assimilação, algo que também é medido. Também é importante que a composição em aminoácidos se ajuste às necessidades do gato. Especialmente importante é a quantidade de taurina, um aminoácido essencial para este animal de estimação.

Gordura 

As gorduras são um dos ingredientes mais caros, mas também o mais importante na alimentação dos gatos. A sua presença é importante, em quantidades adequadas, para que a ração forneça calorias suficientes. Se a ração tiver baixa densidade calórica, o felino precisará de comer mais para atender às suas necessidades, o que significa comprar mais quilos de ração, elevando a despesa para alimentar o gato.

Mas, além da quantidade, é importante monitorizar a qualidade da gordura, principalmente a presença de ácidos gordos insaturados, como o ácido araquidónico, e uma quantidade adequada de ácidos gordos e ómegas-3 e 6. Verifica-se também se a gordura já se encontra rançosa ou oxidada.

Hidratos de carbono

Os gatos são carnívoros bastante rigorosos, mais do que os cães, pelo que os vegetais são dispensáveis na sua dieta. Ainda assim, o processo de fabrico das rações secas (extrusão) exige alguma fonte de hidratos de carbono, seja cereais, leguminosas, batata ou batata-doce, pelo que são admissíveis dentro de certos limites. No laboratório, verifica-se não haver excesso de hidratos de carbono, sobretudo de amido, nem de fibra, que os gatos não apreciam particularmente.

Minerais

No laboratório, verifica-se que o teor de minerais mais importantes, como cálcio, fósforo e zinco, é suficiente. No caso do cálcio, o problema pode ser o excesso, e não a falta. Quantidades muito elevadas deste mineral podem denunciar o uso de farinha de carne com osso.

Vitaminas

Verificamos ainda a quantidade de vitaminas A e E, importantes para o gato. Por outro lado, faz-se uma avaliação da qualidade das matérias-primas com base em medidas, como a quantidade de fibras e de hidratos de carbono (indicadores de matéria-prima vegetal), a taxa de oxidação das gorduras, a presença de cartilagem ou excesso de cálcio, entre outros.

Como poupar na alimentação para animais

No caso dos cães, há rações de qualidade a custo elevado, mas também há mais baratas, bem classificadas. Os preços são calculados com base nas doses indicadas, nos rótulos, para cães de 10 quilos, com uma a três horas de atividade diária. São calculados os custos mensais e anuais, e apresentadas as poupanças para alimentar um cão ao longo de um ano. Optando por qualquer uma das rações eleitas nos testes da DECO PROteste, de boa e até muito boa qualidade, a poupança anual ultrapassa meio milhar de euros. Isto é válido tanto com a Melhor do Teste, como com as Escolhas Acertadas.   

Quanto aos gatos, calcula-se, por produto, a quantidade de ração que seria necessária para alimentar um gato de cinco quilos e o seu custo em euros, tanto diariamente, como anualmente. Existem poupanças significativas ao optar por uma das rações nomeadas com o título de Escolha Acertada, ou seja, com a melhor relação entre a qualidade e o preço.

 

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