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Medicamentos sem receita são mais baratos nos supermercados?

A DECO PROteste analisou os preços de 26 medicamentos não sujeitos a receita médica recolhidos em farmácias e fora delas, e confirmou que são mais baratos nos espaços de saúde associados aos supermercados. Mas há diferenças entre as cadeias de lojas. Saiba onde pode poupar.

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14 setembro 2026
Cesto de supermercado de metal cheio de medicamentos, fundo azul

iStock

Houve um tempo em que só as farmácias podiam vender medicamentos, fossem ou não sujeitos a receita médica, e era o Estado que fixava os preços. Essa era terminou em 2005, com a entrada em vigor da lei que autoriza a disponibilização de medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), também ditos "de venda livre", fora das farmácias. Os locais de venda têm de ser autorizados pelo Infarmed – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde. 

A mesma legislação liberalizou os preços, o que significa que estes são definidos por quem comercializa. Havia a expetativa de que, com a concorrência, os preços baixassem. Não aconteceu. Globalmente, os estudos realizados pela DECO PROteste, desde então, mostram o contrário. E o último, com preços de junho de 2026, não é exceção.

Paracetamol com maior variação de preços

Ao analisar os preços de cada medicamento, independentemente do local de venda, a DECO PROteste deparou com grandes diferenças. A mais expressiva cabe ao Paracetamol Generis MG 500 mg (20 unidades), que tanto pode custar 99 cêntimos como 2,70 euros. Visto assim, dado que os valores são relativamente baixos, a disparidade não parece abismal. Contudo, se vista em termos percentuais (173%) já impressiona.

Destacam-se ainda o Voltaren 25 (20 cápsulas) e o Strepfen Mel e Limão (24 unidades), com diferenças a rondar os 70 por cento. O Voltaren Emulgelex 20 mg/g de 180 gramas apresenta o menor hiato, ainda assim, chega aos 38 por cento. Ou seja, o estabelecimento escolhido tem um peso importante na fatura final a pagar pelo consumidor.

Todos os medicamentos mais caros desde 2024

A DECO PROteste comparou ainda os preços médios observados em 2026 com os obtidos no estudo anterior, realizado em 2024. A conclusão é clara: todos os medicamentos da amostra estão mais caros do que há dois anos.

O Betadine solução cutânea (20 mililitros) lidera a tabela das subidas, com um agravamento do preço na ordem dos 27 por cento. Um pouco mais atrás, figura o Bepanthene Plus Creme (30 gramas), que encareceu 21 por cento.

Olhando para o extremo oposto, encontramos o Thrombocid Gel 15mg/g de 100 gramas, o Trifene 400 (20 comprimidos revestidos) e o Voltaren Emulgelex Gel 20mg/g de 180 gramas, todos com aumentos de quatro por cento.

E como se comportaram 26 medicamentos, em conjunto? A soma dos preços médios mostra que o cabaz passou de 251,86 euros, em 2024, para 278,39 euros.

Medicamentos mais baratos no supermercado

A resposta não deixa margem para dúvidas. As parafarmácias associadas a supermercados, também conhecidas por espaços de saúde, apresentam os preços médios mais baixos para a maioria dos medicamentos do estudo. Em contraponto, as farmácias tendem a apresentar os mais elevados. E esta é uma tendência verificada consistentemente nas pesquisas da DECO PROteste, desde 2006.

Para alguns fármacos, as diferenças entre canais de venda são particularmente expressivas. É o caso do Daflon 1000 mg (30 comprimidos revestidos), cujo preço médio nos espaços de saúde (19,42 euros) é cerca de 20% inferior ao observado nas farmácias (24,24 euros).

Relevantes, a favor dos supermercados, são também as discrepâncias observadas, por exemplo, na Magnesona 1500 mg/10ml de 20 unidades (12,7%), no Transact 40 mg, com 10 pensos (12,5%) e no Pankreoflat 170 mg + 80 mg de 60 unidades (10,6 por cento).

Nos grupos de supermercados, os preços são mais uniformes. Ou seja, se selecionar a Wells para as suas compras, não precisa de procurar muito, porque o custo dos medicamentos é semelhante em toda a rede.

Já entre cadeias, as variações são maiores. A referida loja, do grupo Sonae, é a que vende o cabaz mais barato, em média. No seu encalço segue o espaço Bem-estar, do Pingo Doce (mais 1%), e, um pouco mais distantes, a Saúde e Bem-Estar, da Auchan, e o Espaço Saúde, do El Corte Inglés. Nestes, o cabaz fica, respetivamente, três e seis por cento mais caro do que na Wells.

Farmácias: preços entre "oito e oitenta"

Apesar de globalmente menos competitivas, para alguns medicamentos, as farmácias apresentam simultaneamente os preços mais baixos e os mais elevados. É o caso do Paracetamol Generis MG 500 mg (20 comprimidos), cuja variação entre o preço mínimo e o máximo atinge 45 por cento. As diferenças entre estabelecimentos são também acentuadas nas embalagens de 20 unidades de Voltaren 25 mg (73%), Griponal 4 mg + 500 mg (63%) e do Trifene 400 (62%). O Microlax de seis unidades regista uma variação 61 por cento.

As farmácias online, por sua vez, apresentam oscilações de preço pouco significativas, mas, no geral, não são mais vantajosas do que as físicas, em particular quando cobram portes. Estes podem atingir cinco euros, um valor superior ao de certos medicamentos.

Locais de venda em destaque

Além da comparação geral, a DECO PROteste calculou os índices de preços por local de venda. Este exercício parte do custo médio mais baixo do cabaz e mostra quão mais cara é cada uma das lojas. Entre os locais que exibem índices mais baixos (menor diferença face ao mais barato) destacam-se:

  • Pharma Oliveira Silva, de Portimão;
  • Wells de Faro;
  • Parafarmácia Farmaoli, do Porto;
  • My Auchan Saúde e Bem-Estar, de Lisboa.

No prato da balança que acolhe os mais caros, encontram-se as farmácias:

  • Soeiro, do Porto;
  • Aveirense, de Aveiro;
  • Reis Barata, de Lisboa;
  • Silveira, de Beja;
  • Misericórdia, de Évora

Custo de medicamentos mais baixo em Coimbra 

O estudo permitiu igualmente comparar os preços médios praticados nos oito distritos selecionados. Coimbra oferece o cabaz mais económico, com um custo médio de 266,53 euros. Braga e Aveiro ocupam as posições seguintes.

No extremo oposto surge o distrito de Beja, onde o mesmo conjunto de medicamentos custa, em média, 298,90 euros. A diferença entre o distrito mais barato e o mais caro é de cerca de 32 euros. Embora as variações de preços em cada medicamento sejam geralmente moderadas, a sua acumulação acaba por produzir diferenças relevantes no custo final do cabaz.

Comparar preços ajuda a poupar

Vinte anos depois da liberalização do mercado, existe mais concorrência e os consumidores dispõem de mais opções no que se refere aos locais de compra, mas os preços globalmente não baixaram.

Os resultados desta investigação da DECO PROteste confirmam a tendência observada ao longo de duas décadas: as parafarmácias, sobretudo as que funcionam em súper e hipermercados, continuam a ter os preços mais competitivos. As farmácias físicas, por sua vez, chamam a si as médias mais elevadas.

É claro que, se comprar apenas uma caixa, por exemplo, de paracetamol, a diferença entre estabelecimentos pode não afetar muito a carteira. Mas, se pensarmos nos diversos medicamentos adquiridos durante um ano, a poupança já pode ser interessante. Vale a pena comparar preços, mais ainda em alturas, como a que vivemos, que impõe um rigor orçamental extremo a muitas famílias.

Como foi feito o estudo

Em junho de 2026, uma equipa de colaboradores da DECO PROteste, identificados como tal, recolheram os preços de 26 medicamentos não sujeitos a receita médica em 138 estabelecimentos, nos distritos de Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Évora, Beja e Faro. Apesar de não incluir todos os distritos, como nos estudos anteriores DECO PROteste, a seleção assegura uma cobertura geográfica diversificada do território continental. Assim, e embora não se possa fazer uma comparação direta com pesquisas passadas, os resultados não deixam de ser um indicador da evolução dos preços.

A análise incidiu sobre 3344 preços, recolhidos em 78 farmácias físicas, 29 farmácias online e 31 locais de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica. Entre estes, encontram-se 24 espaços de saúde e bem-estar associados ao Pingo Doce, Continente, Auchan e El Corte Inglés.

Perguntas frequentes

Os medicamentos de venda livre são mais seguros do que os sujeitos a receita médica?

Não necessariamente. Embora, nalguns casos, tenham dosagens mais baixas do que os de prescrição obrigatória, podem igualmente provocar reações adversas e interagir com outros medicamentos, por exemplo, aumentando ou diminuindo os seus efeitos. Além disso, se tomados em doses superiores às indicadas, podem causar intoxicações. Assim, é fundamental ler o folheto informativo e seguir as instruções à risca. Se tiver dúvidas, informe-se com o farmacêutico.

Para que servem os medicamentos de venda livre?

Em geral, estes medicamentos destinam-se a problemas de saúde menos graves, que duram pouco tempo, como dores de cabeça ligeiras ou moderadas, febre ligeira (até três dias) e queimaduras superficiais, entre outras. E não devem ser tomados mais de sete dias seguidos. Se os sintomas persistirem, impõe-se uma consulta médica.

Os medicamentos genéricos são tão eficazes como os originais?

Sim. O medicamento genérico tem a mesma substância ativa, forma farmacêutica, dosagem e indicação terapêutica que o medicamento original que serviu de referência (medicamento de marca).

Antes de entrar no mercado, o medicamento génerico tem de demonstrar que é bioequivalente ao original, ou seja, que é absorvido pelo organismo de forma similar, atingindo concentrações no sangue comparáveis e garantindo o mesmo efeito terapêutico. Por exemplo, um paracetamol de marca e um genérico têm a mesma eficácia e tempo de ação no alívio da dor. Assim, terão os mesmos benefícios terapêuticos e riscos. Existem genéricos sujeitos e não sujeitos a receita médica (venda livre).

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