Dicas

Reduzir o colesterol: medicamentos nem sempre necessários

Se nunca sofreu de problemas cardiovasculares, a dieta saudável e o exercício físico são as primeiras "terapias" contra o colesterol elevado. Os medicamentos, como as estatinas, só devem ser considerados se as alterações no estilo de vida não surtirem efeito.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
06 janeiro 2021
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Fátima Ramos
medicamentos em cima da mesa

iStock

"Uma maçã por dia nem sabe o bem que lhe fazia" é a versão portuguesa de um ditado anglófono – An apple a day keeps the doctor away – que prescreve uma alimentação saudável como forma de evitar as doenças. A partir de certo momento, esta dieta mais equilibrada foi substituída pela toma de estatinas, os medicamentos mais receitados para baixar o colesterol, enquanto medida de prevenção de doenças cardiovasculares. Uma estatina por dia... Mas os dados científicos indicam que, em doentes com baixo risco de desenvolverem estas patologias, os benefícios não são evidentes.

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Mais uso de estatinas significa maior benefício?

Nas últimas décadas, o número de indivíduos que tomam estatinas cresceu significativamente em todo o mundo. Em Portugal, e segundo o Infarmed, a toma de antidislipidémicos, categoria de medicamentos que engloba as estatinas, mantém a tendência de crescimento desde o início do século XXI. Mais: “As estatinas corresponderam a 90% do consumo e passaram de 8,7 DHD [dose diária definida por mil habitantes] no ano 2000 para 92,6 DHD em 2013.” Mas isso significa que mais pessoas estão em risco de contraírem doenças cardiovasculares, devido, por exemplo, ao envelhecimento da população, ao tabagismo, à obesidade e ao sedentarismo? Ou o aumento resulta das reduções sistemáticas dos limites máximos para os níveis de colesterol ditos “normais”?

Não é possível negar a crescente tendência de medicalização nem a existência de pessoas que tomam estatinas antes de tentarem baixar o colesterol através de mudanças no estilo de vida. E também parece haver um uso excessivo por pacientes com baixo risco de doenças cardiovasculares. Um estudo publicado na revista científica British Medical Journal sugere que, na Europa, a redução da mortalidade por doenças cardiovasculares não foi proporcional ao aumento do uso de estatinas. Este incremento, segundo os autores, pode ter sido influenciado por múltiplos fatores, como o envelhecimento da população, orientações de associações profissionais, condições socioeconómicas e marketing farmacêutico.

As estatinas são eficazes na redução do nível de colesterol LDL, pelo que podem contribuir para uma menor ocorrência de eventos cardiovasculares, como o enfarte do miocárdio. Porém, a magnitude do benefício depende do risco: quem já sofreu de um problema terá mais ganhos, porque a probabilidade de voltar a tê-lo é maior. O mesmo se aplica, por exemplo, a pessoas com estilos de vida sedentários, diabetes, história familiar de colesterol alto, e a fumadores.

Envolver o doente na decisão sobre o tratamento com estatinas

A decisão de iniciar o tratamento com estatinas deve ser tomada por médico e paciente. Significa que este deve ficar informado sobre a evidência científica, por exemplo, quanto à eficácia, à segurança e aos custos da terapêutica proposta. Antes de prescrever, o médico deve também certificar-se de que o doente aceita o compromisso de tomar um comprimido por dia. 

No caso dos idosos, há pouca evidência da eficácia das estatinas na prevenção, enquanto o risco de efeitos adversos é maior do que em adultos mais jovens. Por isso, é ainda mais importante fazer uma avaliação personalizada, tendo em conta, por exemplo, a expectativa de vida, a existência de outras doenças e a inatividade física. 

Hábitos saudáveis ajudam a baixar o colesterol 

Antes de iniciar qualquer tratamento com medicamentos para baixar o colesterol, convém fazer algumas adaptações no estilo de vida. Em muitos casos, estas são suficientes para reduzir os níveis. Deixamos algumas dicas.

  • Na alimentação, devem reinar os cereais integrais, os vegetais e as leguminosas, como lentilhas, feijões, favas, ervilhas, grão ou soja. A fruta pode ser fresca ou congelada. Os adoçantes são preferíveis ao açúcar, e os laticínios, como o leite e os iogurtes, devem ser magros. No peixe, a ordem é variar, independentemente da quantidade de gordura. Já no que toca à carne, convém dar primazia às aves, rejeitando a pele. Prefira alimentos grelhados ou cozidos, em água ou a vapor.
  • Os temperos sem gordura, como o vinagre e a mostarda, são os mais indicados. No sal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) aconselha a não ir além dos 5,8 gramas por dia.
  • O excesso de álcool e o consumo de tabaco são também de evitar. No máximo, ingira duas bebidas por dia e abstenha-se de fumar.
  • A prática regular de exercício físico é outro hábito a adquirir. A DGS aconselha 30 a 60 minutos, quatro a sete dias por semana.
  • Os estilos de vida saudáveis deverão permitir manter um índice de massa corporal – obtém-se dividindo o peso, em quilos, pelo quadrado da altura, em metros − entre 18,5 e 25. O perímetro da cintura do homem deve ser inferior a 94 centímetros, e o da mulher, menor do que 80 centímetros.
 

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