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Como tratar uma ferida: 6 passos e cuidados essenciais

Um pequeno corte, um arranhão ou uma esfoladela são acidentes comuns no dia-a-dia. A maioria destas lesões pode ser tratada em casa, mas é importante saber como agir para reduzir o risco de infeção e favorecer a cicatrização.

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02 novembro 2026
Tratar uma ferida

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Para tratar uma ferida superficial, comece por lavar as mãos, controle o sangramento e limpe a lesão com água corrente ou soro fisiológico. Se necessário, proteja-a com um penso e mantenha-se atento a possíveis sinais de infeção.

O tratamento depende do tipo e da gravidade da ferida. As lesões que afetam apenas a camada mais superficial da pele, a epiderme, geralmente exigem apenas uma boa higiene e vigilância. Já as feridas profundas, extensas ou que não param de sangrar necessitam de avaliação médica.

Saiba como tratar uma ferida em seis passos, que cuidados deve evitar e quando procurar ajuda de um profissional de saúde.

Como tratar uma ferida em casa em seis passos

Os pequenos cortes, arranhões e esfoladelas podem, geralmente, ser tratados em casa. O essencial é manter a ferida limpa, evitar a contaminação e criar condições favoráveis à cicatrização.

1. Lavar as mãos e preparar a zona da ferida

Antes de tocar na ferida ou iniciar qualquer curativo, lave e seque bem as mãos, mesmo que não estejam visivelmente sujas. Se possível, utilize luvas descartáveis. De seguida, imobilize a região do corpo onde se encontra a lesão e retire a roupa ou os objetos que estejam a dificultar o acesso à ferida.

Evite tocar diretamente na zona lesionada com as mãos. Também não deve soprar, tossir ou espirrar sobre a ferida, para não aumentar o risco de contaminação.

2. Parar o sangramento da ferida

Nas feridas superficiais, a perda de sangue costuma ser pequena e tende a parar espontaneamente.

Se a ferida estiver a sangrar, eleve a zona afetada e pressione suavemente durante alguns minutos, utilizando uma compressa esterilizada ou um pano limpo. Antes de exercer pressão, verifique se existem objetos ou corpos estranhos alojados na ferida.

Não faça compressão direta se suspeitar de uma fratura ou se existirem objetos encravados. Também deve evitar a compressão direta junto das articulações.

Se não conseguir parar a hemorragia ou se a ferida tiver sido provocada por um objeto pontiagudo ou de difícil remoção, como um fragmento de vidro, procure assistência médica imediata.

As feridas profundas, extensas, com tecidos esmagados ou infetados, ou com corpos estranhos difíceis de remover, não devem ser tratadas em casa.

3. Limpar a ferida corretamente

A limpeza é um dos cuidados mais importantes para reduzir o risco de infeção. Deve abranger tanto a ferida como a pele à sua volta.

Para limpar uma ferida:

  • lave a pele à volta da lesão com água e sabão;
  • limpe a ferida com água corrente ou soro fisiológico, para remover a sujidade e os tecidos mortos. Em alternativa, pode utilizar uma compressa esterilizada para facilitar. A limpeza deve ser feita do centro para as extremidades da ferida;
  • seque a ferida e a pele circundante com uma compressa, através de pequenos toques.

4. Desinfetar a ferida

Nos pequenos cortes, arranhões e esfoladelas, uma limpeza adequada e condições favoráveis à cicatrização são, geralmente, suficientes.

Em feridas extensas ou sujas, pode ser aconselhável aplicar um antissético depois da limpeza.

Os antisséticos são substâncias utilizadas na pele ou nas mucosas para destruir ou inibir o crescimento de microrganismos, ajudando a prevenir ou controlar infeções. No entanto, a necessidade de utilizá-los no tratamento de feridas não é consensual entre os profissionais de saúde, embora alguns especialistas considerem que a redução dos microrganismos pode favorecer a cicatrização.

5. Colocar um penso

Proteger uma ferida ajuda a mantê-la limpa e a criar um ambiente húmido, favorável à cicatrização. Porém, nem sempre é necessário cobri-la. Nas feridas pequenas e superficiais, em geral, é preferível deixá-las cicatrizar ao ar.

Se a lesão estiver numa zona sujeita a atrito frequente, pode protegê-la com uma compressa esterilizada ou um penso rápido.

Quando utilizar um penso:

  • coloque-o de forma que a parte adesiva não fique em contacto com a ferida;
  • substitua-o diariamente; 
  • mude-o mais frequentemente se ficar molhado ou sujo.

A necessidade de proteção depende, sobretudo, da localização da ferida e da possibilidade de contacto com superfícies ou objetos que possam irritá-la ou contaminá-la.

6. Vigiar possíveis sinais de infeção

A maioria dos pequenos cortes, arranhões e esfoladelas não causa complicações. Ainda assim, é importante vigiar a evolução da ferida e estar atento a possíveis sinais de infeção, como:

  • dor;
  • vermelhidão;
  • formação de pus;
  • calor ou inchaço na área da ferida;
  • aumento do espessamento das extremidades da ferida;
  • febre.

Se observar alterações que indiciem uma infeção, contacte um profissional de saúde logo que possível. Poderá ser necessário adotar cuidados adicionais.

Que antissético usar numa ferida?

Existem diferentes tipos de antisséticos, com propriedades e mecanismos de ação distintos. A escolha deve considerar a eficácia do produto, as características da ferida e os possíveis efeitos adversos.

Um antissético deve apresentar atividade contra uma ampla variedade de microrganismos, atuar rapidamente e ter baixa capacidade de gerar resistências. Idealmente, também não deve irritar ou sensibilizar a pele, tingir os tecidos ou perder eficácia na presença de matéria orgânica, como sangue ou pus. Contudo, não existe uma recomendação única que sirva para todas as feridas.

Iodopovidona e clorohexidina: que cuidados ter?

A iodopovidona é um antissético disponível em diferentes apresentações, incluindo solução, espuma cutânea, pomada e compressas impregnadas. Embora as reações adversas sejam raras, pode provocar erupções cutâneas associadas a hipersensibilidade ao iodo.

A iodopovidona não deve ser utilizada:
  • em pessoas com alergia ao iodo;
  • durante a gravidez ou o aleitamento;
  • em feridas extensas, devido ao risco de absorção excessiva de iodo;
  • em pessoas com problemas da tiroide ou insuficiência renal.

A clorohexidina é outro antissético, disponível em apresentações como creme ou spray para aplicação cutânea. Pode provocar irritação da pele e não deve ser aplicada nos olhos nem nos ouvidos.

Posso usar água oxigenada ou álcool numa ferida?

Não é recomendada a utilização de água oxigenada na desinfeção de feridas. Esta é frequentemente associada à limpeza de feridas, mas existe pouca evidência sobre a sua capacidade para eliminar microrganismos e impedir o seu crescimento. O seu efeito parece estar sobretudo relacionado com a efervescência e a oxidação, que contribuem para remover tecidos mortos, aumentar o aporte de oxigénio ao tecido lesionado e eliminar maus odores. No entanto, pode ainda ser prejudicial para os tecidos saudáveis e para as células normais.

O álcool etílico também não deve ser utilizado em feridas abertas. Além de provocar dor, seca e irrita a pele e não é eficaz na presença de matéria orgânica, como sangue ou pus. Para pequenas feridas superficiais, a limpeza com água corrente ou soro fisiológico é, geralmente, suficiente.

Que precauções tomar ao aplicar um antissético?

Se utilizar um antissético, siga as indicações do fabricante e as recomendações do profissional de saúde.

  • Respeite a concentração e o tempo de atuação indicados pelo fabricante.
  • Tenha em conta a eficácia do produto na presença de sangue, pus ou outra matéria orgânica.
  • Aplique o antissético com uma compressa, evitando o contacto direto do frasco com a ferida.
  • Mantenha o frasco bem fechado para reduzir o risco de contaminação.
  • Não retire a crosta formada sobre a lesão, pois ajuda a protegê-la e a controlar a hemorragia;
  • Não utilize mais do que um antissético na mesma ocasião. A combinação de diferentes antisséticos pode provocar interações e aumentar o risco de efeitos adversos, nomeadamente irritação da pele.

Quando procurar assistência médica para tratar uma ferida?

Procure assistência médica imediata se não conseguir parar o sangramento ou se a ferida tiver sido provocada por um objeto pontiagudo ou de difícil remoção.

Também deve recorrer a um profissional de saúde nos casos em que:

  • a ferida é provocada por uma mordedura de animal ou pessoa;
  • existem corpos estranhos alojados na ferida;
  • a ferida é larga ou profunda, podendo necessitar de pontos;
  • a lesão está localizada na face;
  • a cicatrização está a demorar mais do que o esperado;
  • surgem sinais de infeção;
  • aparece febre ou a dor aumenta.

As feridas graves, extensas, profundas, com tecidos esmagados ou infetados não devem ser tratadas apenas com cuidados domésticos. Mesmo que a lesão pareça ligeira, a sua evolução pode justificar uma avaliação médica.

O que deve ter num kit de primeiros socorros para tratar feridas?

Ter um kit de primeiros socorros acessível permite atuar mais rapidamente perante pequenos cortes, arranhões e esfoladelas.

Para tratar feridas, o kit deve incluir:

  • soro fisiológico;
  • antissético (não é necessário para todas as feridas);
  • compressas esterilizadas;
  • rolo adesivo;
  • tesoura;
  • ligadura não elástica;
  • pensos rápidos;
  • luvas descartáveis.

Os materiais utilizados no tratamento de uma ferida, como as luvas e as compressas, devem ser devidamente descartados (por exemplo, fechados num saco e depositados no lixo comum) e não devem ser usados por mais do que uma pessoa.

Questões frequentes

Posso usar algodão para limpar uma ferida?

Não é aconselhável. O algodão liberta pequenas fibras que podem ficar na ferida e ser difíceis de remover. Para a limpeza e secagem, prefira compressas esterilizadas.

Devo retirar a crosta que se forma numa ferida?

Não. A crosta ajuda a proteger a lesão e a controlar a hemorragia. Evite removê-la durante a aplicação de produtos ou outros cuidados.

São necessários alguns cuidados depois de a ferida cicatrizar?

Depois da cicatrização, hidrate a zona afetada e proteja-a da exposição solar. Estes cuidados fazem parte da proteção da pele após a recuperação da lesão.

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